INTERSECCIONALIDADE, CURRÍCULO E AÇÕES AFIRMATIVAS: ESTUDO DO PERFIL DE DOCENTES MULHERES NAS CIÊNCIAS EXATAS

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
INTERSECCIONALIDADE, CURRÍCULO E AÇÕES AFIRMATIVAS: ESTUDO DO PERFIL DE DOCENTES MULHERES NAS CIÊNCIAS EXATAS
Autores
  • Debora Marques Santos
  • Manuella Heloisa Carrijo Ince
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398179-interseccionalidade-curriculo-e-acoes-afirmativas--estudo-do-perfil-de-docentes-mulheres-nas-ciencias-exatas
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Interseccionalidade; Mulheres na Ciência; Currículo; Ações Afirmativas e Corpo Docente.
Resumo
Este estudo apresenta o recorte de uma pesquisa de mestrado em andamento que analisa o perfil de docentes mulheres na área de Ciências Exatas em universidades federais do sul de Minas Gerais e suas percepções sobre Currículo e Ações Afirmativas. A análise parte da interseccionalidade (Crenshaw, 2004) como ferramenta analítica (Collins; Bilge, 2021) articulando marcadores de gênero e raça com base nos Estudos de Gênero (Butler, 2018) e em abordagem qualitativa (Massoni; Moreira, 2016). Foram construídos um banco de dados com informações públicas das participantes das duas instituições e aplicado um questionário online a 143 docentes, obtendo 35 respostas. Os dados foram organizados em blocos temáticos sobre perfil sociodemográfico e vivências em ações afirmativas. Os resultados apontam predominância de docentes brancas (83%) e baixa representatividade de negras (17%), evidenciando desigualdades raciais. Entre as 20 participantes que são mães, 60% relataram postergar a maternidade até a conclusão do doutorado, confirmando os desafios da conciliação entre carreira acadêmica e maternidade (Silva, 2024). Em relação à formação, 94% afirmaram não ter cursado disciplinas relacionadas a gênero ou questões étnico-raciais; apenas 6% citaram experiências pontuais em disciplinas como Etnomatemática e Inclusão. Ainda assim, 43% relataram que atualmente incorporam tais temáticas em suas práticas pedagógicas, o que revela uma apropriação crítica mesmo sem formação prévia estruturada. Essa dedicação das docentes que atuam em diferentes frentes de forma associada entre pesquisa e, de certo modo, ativismo, pode ser reconhecida como uma tentativa ampliada da base curricular para que os(as) estudantes possam aprender sobre grupos sub-representados. Esses dados revelam uma discrepância alarmante, evidenciando uma significativa lacuna na formação das docentes e evidenciam a carência de políticas institucionais que garantam o acesso à formação crítica em gênero e raça, mas também apontam para iniciativas individuais das docentes no enfrentamento às desigualdades. As dimensões de gênero e raça, quando incorporadas ao currículo, podem atuar como elementos emancipatórios, capazes de promover reflexão crítica e ampliar a participação de grupos sub-representados na ciência. Acerca das concepções de ações afirmativas, 80% relataram desconhecer ações afirmativas direcionadas ao corpo docente; somente 20% relataram experiência em suas formações. Esses resultados nos permitem compreender que: i) não existiam ou eram escassas as políticas de ações afirmativas durante os seus processos formativos; ii) a maioria das participantes encontra-se em uma categoria ainda vista como privilegiada, por acessar o ensino superior sem a necessidade da existência ou utilização de ações afirmativas. Essas condições podem explicar tanto o desconhecimento atual quanto a percepção limitada das participantes em relação à relevância dessas políticas. Concluímos que a ausência de diversidade racial e de políticas para a formação de mulheres no campo das ciências exatas reforça o caráter do racismo estrutural e institucional (Carneiro, 2011). Assim, evidenciando a necessidade da implementação e reestruturação de ações afirmativas para o combate às discriminações de gênero e raça, promovendo espaços acadêmicos mais equitativos. Referências BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Coleção Sujeito e História. 1. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018. CARNEIRO, Sueli. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil. 1. ed. São Paulo: Selo Negro Edições, 2011. COLLINS, Patricia Hill; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. Tradução de Rane Souza. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2021. 288 p. CRENSHAW, Kimberlé. A interseccionalidade na discriminação de raça e gênero. In: VV. AA. Cruzamento: raça e gênero. Brasília: Unifem, 2004. p. 7-16. MASSONI, Neusa Teresinha; MOREIRA, Marco Antonio. Pesquisa qualitativa em educação em ciências. São Paulo: Livraria da Física, 2016. SILVA, Fabiane Ferreira da. Relato de uma professora, pesquisadora e mãe aos 40 anos: um apelo pelo direito de ser cientista e mãe! Revista de Divulgação Científica em Ciência da Informação, v. 2, p. 1-5, 2024.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTOS, Debora Marques; INCE, Manuella Heloisa Carrijo. INTERSECCIONALIDADE, CURRÍCULO E AÇÕES AFIRMATIVAS: ESTUDO DO PERFIL DE DOCENTES MULHERES NAS CIÊNCIAS EXATAS.. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398179-INTERSECCIONALIDADE-CURRICULO-E-ACOES-AFIRMATIVAS--ESTUDO-DO-PERFIL-DE-DOCENTES-MULHERES-NAS-CIENCIAS-EXATAS. Acesso em: 29/06/2026

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