INTERSECCIONALIDADE E EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: POR UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA CRÍTICA E INCLUSIVA

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
INTERSECCIONALIDADE E EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: POR UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA CRÍTICA E INCLUSIVA
Autores
  • Athirson Figueiredo de Oliveira
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1397685-interseccionalidade-e-educacao-matematica--por-uma-pratica-pedagogica-critica-e-inclusiva
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Interseccionalidade, Educação Matemática, Práticas Pedagógicas
Resumo
O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma reflexão teórica acerca do Curso de Extensão “Estudos de Gênero: o que a Matemática tem a ver com isso?”, promovido pelo grupo interinstitucional de pesquisa e extensão MatematiQueer – Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática, sediado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A proposta central é discutir as relações entre gênero, sexualidade e ensino de Matemática, analisando como essas dimensões, historicamente marginalizadas, podem contribuir para a construção de práticas pedagógicas mais inclusivas e críticas. Além disso, este texto traz um breve relato reflexivo sobre minha trajetória pessoal e profissional no processo de ensino e aprendizagem da Matemática, especialmente no que diz respeito ao reconhecimento das diversidades presentes em sala de aula.O curso possibilitou compreender que a Matemática, enquanto campo do saber e prática escolar, foi e ainda é marcada por uma estrutura cis-heteronormativa, androcêntrica e excludente. Por muito tempo, consolidou-se a imagem do sujeito matemático como homem, branco e heterossexual — o que contribui para a invisibilização de mulheres, pessoas LGBTQIA+ e outros grupos socialmente marginalizados. Essa estrutura simbólica reflete-se tanto nas produções acadêmicas quanto nas práticas pedagógicas cotidianas, perpetuando desigualdades de acesso, permanência e reconhecimento no campo da Educação Matemática. Assim, pensar a Matemática a partir de uma perspectiva de gênero e sexualidade é um ato político e pedagógico que questiona as bases tradicionais do ensino e abre espaço para novas formas de pertencimento e de produção de conhecimento.Durante o desenvolvimento do curso, o referencial teórico foi embasado, principalmente, na obra “Estudos de Gênero: o que a Matemática tem a ver com isso?”, organizada por Agnaldo Esquincalha da Conceição (2022). Esse material permitiu compreender as interseções entre gênero, sexualidade e educação matemática, apresentando reflexões críticas sobre como as práticas escolares podem reproduzir, de forma sutil ou explícita, desigualdades estruturais. A partir dessa base teórica, emergiu o conceito de interseccionalidade, proposto por Kimberlé Crenshaw (2002) e ampliado por autoras como Carla Akotirene (2019) e Patricia Hill Collins (2020).A interseccionalidade busca compreender como diferentes formas de opressão — como racismo, sexismo, classismo e LGBTfobia — não atuam de maneira isolada, mas se cruzam e se reforçam mutuamente, produzindo experiências sociais singulares e complexas. No campo da Educação Matemática, esse conceito assume um papel analítico fundamental, pois permite identificar como as desigualdades estruturais se refletem nas trajetórias escolares dos estudantes. Dessa forma, a interseccionalidade atua como uma lente crítica que amplia a compreensão do fracasso e da exclusão escolar, deslocando o olhar do indivíduo para as condições sociais, culturais e institucionais que moldam as práticas educativas.Ao longo do curso, as discussões revelaram que a Matemática não é neutra, como muitas vezes se afirma no discurso tradicional. Pelo contrário, ela é atravessada por valores, ideologias e relações de poder que determinam quem pode ou não se reconhecer como sujeito matemático. Essa percepção foi essencial para repensar minha própria prática docente. Em minha trajetória profissional, tive alunos LGBTQIA+, mas, por falta de formação e preparo, nunca soube como promover, dentro da disciplina, um espaço de reflexão que contemplasse suas experiências e identidades. Durante minha formação inicial, o ensino da Matemática foi tratado, em algumas disciplinas, de forma técnica, distante das dimensões humanas e sociais do conhecimento. A experiência com o MatematiQueer representou, portanto, um marco na minha formação como educador. O contato com os debates teóricos sobre gênero e sexualidade em Educação Matemática possibilitou uma ampliação do olhar sobre o ensino e sobre o papel social do professor. Compreendi que o processo educativo vai além da transmissão de conteúdos e envolve o reconhecimento do estudante em sua totalidade — como sujeito histórico, social, cultural e afetivo. Nesse sentido, a Matemática pode e deve ser um espaço de questionamento e de inclusão, capaz de problematizar estereótipos e promover o respeito às diferenças.Inspirada nos estudos de Crenshaw (2002), Hill Collins (2020) e Akotirene (2019), a abordagem interseccional revela-se forte para a Educação Matemática porque permite reconhecer que as desigualdades vividas por estudantes — de raça, gênero, classe, sexualidade, deficiência, território ou religião — não atuam de forma isolada. Elas se entrelaçam e produzem efeitos distintos nas trajetórias escolares, inclusive no modo como cada estudante se relaciona com a Matemática. Dessa maneira, a interseccionalidade se configura como uma ferramenta teórico-metodológica capaz de transformar o ensino da Matemática em uma prática mais crítica, democrática e emancipatória. Incorporar essa perspectiva implica repensar currículos, metodologias e relações pedagógicas, considerando as vozes e experiências que historicamente foram silenciadas. Ao compreender a Matemática como prática cultural e socialmente situada, é possível construir um ensino que dialogue com a realidade dos alunos e contribua para o combate às desigualdades.Por fim, a minha trajetória no curso “Estudos de Gênero: o que a Matemática tem a ver com isso?” me permitiu perceber que ensinar Matemática é também um ato de escuta, empatia e compromisso social. Reconhecer o contexto social dos estudantes é fundamental para promover um ensino que não apenas forme sujeitos tecnicamente competentes, mas cidadãos críticos e conscientes de seu papel na sociedade. A Matemática pode ser um instrumento de exclusão quando reproduz desigualdades, mas também pode ser uma poderosa ferramenta de inclusão, quando utilizada para questionar e transformar realidades. O curso ampliou minha visão de mundo e reafirmou a importância de construir uma Educação Matemática pautada no respeito à diversidade, na equidade e na justiça social. Assim, ser professor de Matemática é também ser agente de mudança, comprometido com uma educação que acolhe, valoriza e transforma.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

OLIVEIRA, Athirson Figueiredo de. INTERSECCIONALIDADE E EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: POR UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA CRÍTICA E INCLUSIVA.. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1397685-INTERSECCIONALIDADE-E-EDUCACAO-MATEMATICA--POR-UMA-PRATICA-PEDAGOGICA-CRITICA-E-INCLUSIVA. Acesso em: 29/06/2026

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