GÊNERO, PERCEPÇÃO E PERTENCIMENTO: UM RETRATO DA EXPERIÊNCIA EM MATEMÁTICA NA UFPR

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
GÊNERO, PERCEPÇÃO E PERTENCIMENTO: UM RETRATO DA EXPERIÊNCIA EM MATEMÁTICA NA UFPR
Autores
  • Mariah Fragallo Ihlenfeldt
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1397021-genero-percepcao-e-pertencimento--um-retrato-da-experiencia-em-matematica-na-ufpr
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Gênero, Educação Matemática, Não neutralidade, Sub-representação feminina.
Resumo
Esta pesquisa, de caráter exploratório, buscou compreender como estudantes e egressos do curso de Matemática da UFPR percebem e vivenciam o curso em relação às questões de gênero. Ela surgiu como parte da avaliação da disciplina “Educação Matemática da Contemporaneidade”, que tem como ementa: A Educação Matemática como um campo científico. Tendências contemporâneas de pesquisas em Educação Matemática. A Educação Matemática e Direitos Humanos. Educação Matemática e Diversidade Étnica-racial e Gênero. Educação Matemática inclusiva. Inspirada no artigo “A Matemática não é neutra, é masculina”: percepções de licenciandas em Matemática sobre gênero (LIMA, FRAGOZO, GODOY, 2023), a autora se instiga a investigar a própria realidade, com os(as) colegas do seu cotidiano. Assim, um formulário com 11 perguntas, além das perguntas de caracterização (cor/raça, faixa etária, gênero, orientação sexual e relação com o curso de Matemática), foi enviado de modo on-line para alunos(as) e ex-alunos(as) da graduação em Matemática. O formulário contou com 9 respostas anônimas, majoritariamente de mulheres cis (7) e pessoas brancas (6), o estudo mapeou percepções sobre estereótipos, violência de gênero, pertencimento e a suposta neutralidade da matemática. A autora ressalta as limitações da amostra, mas destaca a riqueza dos depoimentos para fomentar a discussão em um ambiente acadêmico ainda marcado por disparidades, como a composição do corpo docente, formado por apenas 14 mulheres em um total de 53 professores. Os resultados indicam um cenário de contradições e tensões. Quase todos os participantes (8 de 9) rejeitaram a crença de que "homens são melhores em exatas", atribuindo-a ao machismo, ao patriarcado e à divisão histórica de atributos sociais – como a associação do raciocínio lógico ao masculino e do cuidado ao feminino. No entanto, a única pessoa que concordou com a afirmação justificou com base na presença majoritária de homens no curso, o que levanta um questionamento crucial: se a diferença numérica na UFPR não é tão abissal (140 homens para 100 mulheres), onde estão as mulheres? Essa pergunta ecoa ao longo da análise, sugerindo que a presença quantitativa não se traduz, necessariamente, em visibilidade, apoio ou sensação de pertencimento. A maioria (7) acredita que a matemática é para todos, mas as justificativas variam. Enquanto algumas respostas enfatizam a "vontade e dedicação" como fatores suficientes, outras problematizam essa visão meritocrática: é apontado que as oportunidades não são iguais para todos e que a área ainda é marcada por barreiras estruturais. Essa fala desafia a noção simplista de que o sucesso depende apenas do esforço individual, destacando que o ambiente acadêmico pode não ser igualitário. As experiências de discriminação foram relatadas por uma minoria, mas os relatos são significativos. Incluem piadas heteronormativas em sala de aula, comentários sobre a forma "escandalosa" de um aluno gay se expressar e ofensas diretas a mulheres e pessoas LGBTQIA+. Um relato específico de violência de gênero envolveu assédio físico e comentários sexualmente pejorativos. Apesar de a maioria declarar não ter sofrido violência direta, a sensação de mal-estar e a falta de uma rede de apoio entre mulheres foram mencionadas como fatores impactantes, especialmente para quem convive majoritariamente com homens. A questão do pertencimento também se mostrou ambígua. Enquanto 5 participantes disseram se sentir pertencentes, 3 não se sentiam, que só passaram a experimentar essa sensação na pós-graduação, onde há mais mulheres. Isso sugere que a representatividade de gênero é um fator crucial para a construção do pertencimento. Por fim, a pergunta "A matemática é neutra?" dividiu as opiniões (3 sim, 3 não, 3 "depende"). As respostas que negam a neutralidade argumentam que a matemática é uma construção humana e, como tal, reflete os vieses de quem a produz e ensina. Uma das falas sintetiza bem essa ideia: homens, especialmente no meio acadêmico, se esforçam para apresentá-la como neutra, mas uma ciência feita por mãos humanas nunca o será. Em conclusão, a pesquisa evidencia que, embora haja uma rejeição discursiva aos estereótipos de gênero na matemática, a experiência concreta no ambiente acadêmico ainda é permeada por desafios. A sub-representação feminina em posições de autoridade (como a docência), os relatos de discriminação e a sensação de não-pertencimento indicam que a igualdade formal não se traduz em equidade de experiência. O estudo aponta para a necessidade de se ir além da meritocracia como explicação para o sucesso ou fracasso e de se enxergar a matemática não como uma entidade abstrata e neutra, mas como uma prática social. Para que ela seja verdadeiramente para todos, é preciso enfrentar suas estruturas excludentes, promover representatividade e criar redes de apoio que acolham a diversidade. A pergunta "onde estão as mulheres?" permanece não como uma indagação sobre ausência, mas como um convite à reflexão sobre as condições reais de permanência e florescimento de todos os gêneros na matemática. O caminho para uma educação matemática verdadeiramente inclusiva ainda está em construção, e debates como este são um passo fundamental nessa direção.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

IHLENFELDT, Mariah Fragallo. GÊNERO, PERCEPÇÃO E PERTENCIMENTO: UM RETRATO DA EXPERIÊNCIA EM MATEMÁTICA NA UFPR.. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1397021-GENERO-PERCEPCAO-E-PERTENCIMENTO--UM-RETRATO-DA-EXPERIENCIA-EM-MATEMATICA-NA-UFPR. Acesso em: 29/06/2026

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