ENTRELAÇANDO REFLEXÕES E IDENTIDADE DOCENTE A PARTIR DA ESPECIALIZAÇÃO DE GÊNERO E DIVERSIDADE NA ESCOLA (EGDE/UNIR)

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
ENTRELAÇANDO REFLEXÕES E IDENTIDADE DOCENTE A PARTIR DA ESPECIALIZAÇÃO DE GÊNERO E DIVERSIDADE NA ESCOLA (EGDE/UNIR)
Autores
  • Mirian Xavier da Conceição
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1396091-entrelacando-reflexoes-e-identidade-docente-a-partir-da-especializacao-de-genero-e-diversidade-na-escola-(egdeu
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Educação Matemática. Gênero e Diversidade. Interseccionalidade. Formação Docente
Resumo
Este texto é um recorte do meu Trabalho de Conclusão de Curso intitulado: “Educação Matemática e Direito à Diversidade: Caminhos possíveis a partir da Especialização em Gênero e Diversidade na Escola”, defendido na Especialização em Gênero e Diversidade na Escola (EGDE), da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Campus Rolim de Moura/RO. Nesse memorial, busquei narrar como meu percurso formativo durante a EGDE influenciou diretamente e/ou indiretamente minha atuação docente, meus posicionamentos diante das desigualdades sociais e, sobretudo, meu processo de autoconhecimento e transformação enquanto ser humano em permanente construção. A EGDE tem como proposta promover uma formação crítica, reflexiva e interdisciplinar voltada a profissionais da educação e de outras áreas, com foco na discussão de gênero, sexualidade, raça, diversidade, políticas públicas e direitos humanos. A formação se baseia em uma perspectiva interseccional e política, comprometida com a construção de práticas pedagógicas mais inclusivas e socialmente justas. O curso foi realizado entre fevereiro de 2024 e maio de 2025, com carga horária total de 360 horas. O trabalho original foi elaborado em formato de memorial descritivo, com o objetivo de apresentar as experiências vividas ao longo da especialização, entrelaçando os conteúdos teóricos, as vivências acadêmicas e minha atuação profissional como professora de matemática voluntária na rede municipal de Cacoal, Rondônia. A proposta foi refletir sobre o meu papel enquanto pessoa, professora e educadora matemática na construção de uma sociedade mais inclusiva, crítica e comprometida com a equidade social. Para isso, busquei reforçar que a matemática não está dissociada das questões sociais, e que ela pode — e deve — ser uma aliada na promoção da justiça social e no combate às desigualdades historicamente naturalizadas no ambiente escolar. A disciplina “Racismo Estrutural e Educação para a Diversidade” possibilitou discutir e entender as diferenças entre preconceito, racismo, discriminação e raça, bem como o lugar da branquitude frente ao discurso e às práticas racializadas. Compreendi que o racismo não está apenas em atos violentos, mas também em pequenos gestos e omissões do cotidiano. Assim, a disciplina me fez pensar, elaborar e compreender com mais clareza o meu papel enquanto professora. É importante incentivar meus(as) alunos(as) a uma reflexão crítica e emancipadora em relação ao racismo. Na aula de matemática, ao contrário do que muitos(as) pensam, é possível abrir espaços para esse debate. Um exemplo disso é a abordagem da história da matemática, que pode incluir sistemas de contagem africanos e construções geométricas desenvolvidas em culturas como a egípcia. No entanto, compreendo que o enfrentamento ao racismo não deve ser responsabilidade exclusiva do(a) professor(a): todos(as) podem e devem discutir a esse respeito sempre que possível. O componente curricular “Sexualidades, Identities de Gênero e Educação” proporcionou uma reflexão profunda sobre a pluralidade das experiências humanas, especialmente no que se refere à diversidade de corpos, desejos e formas de existir. Conceitos como cisgeneridade, transgeneridade, expressão de gênero, intersexualidade e não-binaridade foram discutidos de forma aprofundada, ampliando a compreensão sobre vivências que rompem com o modelo binário tradicional. Nesse sentido, a disciplina me levou a pensar em coisas que ainda não havia refletido e isso foi muito positivo para mim. Pelo fato de ser uma mulher lésbica, naturalmente faço parte da comunidade LGBTQIAPN+, mas nunca havia parado para pensar nas lutas que outras mulheres lésbicas enfrentam ou enfrentaram antes de mim. É aquela famosa expressão: "a gente só olha para o próprio umbigo e não enxerga o outro". Esquecemos que se hoje temos o direito de andar de mãos dadas ou colocar um status de relacionamento homoafetivo nas redes sociais, é porque no passado pessoas LGBTQIAPN+ conquistaram esse direito por nós. Mesmo que ainda não vivamos no mundo ideal em termos de igualdade de direitos, batalhas foram vencidas e precisam ser reconhecidas. Minha personalidade costuma ser mais calma e racional, mas, com a EGDE, e suas disciplinas como um todo, sinto que minha visão de mundo se ampliou. Entendi que preciso me posicionar com mais frequência. Isso não significa que deva mudar toda a minha personalidade, mas sim que, nos momentos em que eu tiver a oportunidade de dialogar, argumentar, discutir e ensinar sobre racismo, preconceitos motivados por orientação sexual e identidade de gênero, machismo, intolerância religiosa, misoginia dentre outros debates, devo fazê-lo. Dessa forma, hoje, como professora, sinto-me responsável por contribuir para que as próximas gerações encontrem um ambiente mais acolhedor, onde possam ser quem realmente são, sem medo do julgamento. Afinal, a educação tem um papel fundamental na desconstrução de preconceitos e na promoção do respeito à diversidade. Assim, meu desejo enquanto educadora matemática é sempre apresentar uma matemática que pode (e deve) ser pensada como parte integrante de diversas discussões, inclusive de direitos humanos, políticas públicas e educação.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CONCEIÇÃO, Mirian Xavier da. ENTRELAÇANDO REFLEXÕES E IDENTIDADE DOCENTE A PARTIR DA ESPECIALIZAÇÃO DE GÊNERO E DIVERSIDADE NA ESCOLA (EGDE/UNIR).. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1396091-ENTRELACANDO-REFLEXOES-E-IDENTIDADE-DOCENTE-A-PARTIR-DA-ESPECIALIZACAO-DE-GENERO-E-DIVERSIDADE-NA-ESCOLA-(EGDEU. Acesso em: 25/06/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes