NARRATIVAS E INTERPRETAÇÕES DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA NO COMBATE À VIOLÊNCIA SEXUAL INFANTIL

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
NARRATIVAS E INTERPRETAÇÕES DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA NO COMBATE À VIOLÊNCIA SEXUAL INFANTIL
Autores
  • Gilson Abdala Prata Filho
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1396064-narrativas-e-interpretacoes-de-professores-de-matematica-no-combate-a-violencia-sexual-infantil
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
educação matemática; violência sexual infantil; professores de matemática;
Resumo
O presente trabalho é um dos resultados da pesquisa em doutoramento que abordagem Educação Matemática, Deficiências e Sexualidades. Como principal objetivo, investigou-se como professores estabelecem possíveis relações e abordagens sobre sexualidades, deficiências e violência sexual, no contexto da Educação Matemática. Por meio de uma Revisão Sistemática de Literatura Prata Filho e Thiengo (2025) identificam que não existem estudados relacionando as temáticas propostas na pesquisa. Os professores participantes da pesquisa tiveram acesso a um questionário semiestrutura ao qual demonstraram interesse em participar de oito encontros nos grupos de discussões, aos quais seriam abordados temas sobre relacionados à Educação Matemática, Violência Sexual Infantil, Sexualidade e Deficiências. Apesar os encontros terem sido estruturados por temáticas, houve transversalidade entre eles ao longo dos encontros. A pesquisa teve como aporte teórico metodológico Pesquisa Com Narrativas, baseando nos estudos de Clandinin e Conelly (2015) e para análise dessas narrativas ao longo dos grupos, nos apropriamos da Teoria da Interpretação de Paul Ricoeur e da Análise em Três Tempos de Elizeu Clementino de Souza. Para a discussão, apresentaremos o terceiro encontro que trouxe reflexões diante da violência sexual infantil e o papel da Educação Matemática. O encontro trouxe um panorama geral dos casos de estupro e estupro de vulneráveis no Brasil, conforme o Anuário de Segurança Pública de 2024, sendo esse o maior registro da história. A partir desses dados, fizemos uma busca pelo documento dos dados do estado do Espírito Santo, que apesar de serem noticiados diariamente casos de violência sexual contra criança e adolescente, poucas informações estão disponibilizadas no anuário. Os participantes questionaram a omissão por parte do Estado e relacionaram esse posicionamento com a cultura conservadora que existe no Espírito Santo. Esses silenciamentos são interpretados como algo ligado ao contexto político e as práticas de omissão desses dados. Apesar do que está exposto no anuário, o estado tem presenciado uma realidade completamente diferente, em que são noticiados diariamente casos de abuso/violência sexual infantil. No segundo momento, apresentamos uma série de manchetes retiradas de um jornal do estado e, em um período de 10 dias, referente ao mês de setembro, foram noticiados oito casos referentes a violência sexual contra crianças e adolescentes. O olhar para as narrativas acontece pela leitura hermenêutica de Ricouer (2019), em busca de interpretações e compreensões do que foi dito. Nessa reflexão, um participante traz para discussão que muitas vezes os casos não informam, por exemplo, se a criança é deficiente, o que mostra ainda mais a vulnerabilidade. Esse participante ainda relata que conhece uma criança que sofreu constantes abusos, foi para um abrigo de sua cidade, passou por diversos períodos de ressocialização e retornou para a família, esta que cometia os atos com a criança. As narrativas apresentadas pelos participantes ao longo do grupo constroem e estabelecem relações sociais para um contexto mais amplo e na construção de sentidos coletivos. Além desse relato, outro participante relata que, em sua escola, teve um caso parecido e que a aluna foi reinserida aos familiares. Apesar das reflexões sobre a prática pedagógica, apesar da compreensão dos papeis que devem ser assumidos frente ao combate à violência sexual, ainda é perceptível a dificuldade de professores abordarem essas temáticas em sala, principalmente, nas aulas de Matemática e isso se dá, não só pela complexidade do tema, mas sim pela resistência enfrentada pelo sistema que silencia o professor e caracteriza o que deve ser abordado ou não em sala de aula. É perceptível que os participantes reconhecem a necessidade e obrigação legal de denunciar casos de violência infantil, mas também apontam e refletem sobre as negligências do sistema no tratamento desses casos. Com as narrativas desse encontro compreendemos as tensões e os silenciamentos existem sobre a temática e o(a) professor(a) de matemática. Analisando as narrativas em três tempos, conforme Souza (2019), temos no Tempo I, as reportagens e informações expostas aos participantes, no Tempo II – da compreensão – as narrativas se entrelaçam do individual para uma compreensão coletiva e no Tempo III são construídos os conceitos, refletimos sobre a cultura, a ausência de mais políticas públicas para cuidado e proteção das crianças. Mesmo com a existência de silenciamentos por diversos setores sociais, inclusive da Escola, os participantes reconhecem a necessidade de tornar as aulas de Matemática, espaço para prevenção contra qualquer tipo de negligência com crianças e adolescentes. Durante os encontros realizados, foi notório mudanças nas narrativas dos professores que, no início apresentavam receios de falar sobre o assunto, sinalizavam que falar paravam o conteúdo para mediar algumas situações, e que ao longo das discussões começaram a trazer em suas narrativas que durante as aulas alguns temas surgiam e eles abriam espaço para discussões com os estudantes e a partir delas, dava sequência aos conteúdos que estavam sendo trabalhos. Durante os encontros foi possível perceber as mudanças de posicionamento e narrativas quanto ao que questionamos em um dos primeiros encontros: “Se a Matemática está em tudo, tudo está na Matemática?”. Esse questionamento no primeiro encontro foi fundamental para que, aos longos dos demais, os professores compreendessem, assim como afirma Skovsmose (2008) e D’Ambrosio (2002) que precisamos desenvolver a habilidades matemática que se relacionem com as questões sociais e contribuía para o exercício da democracia e para a justiça social
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FILHO, Gilson Abdala Prata. NARRATIVAS E INTERPRETAÇÕES DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA NO COMBATE À VIOLÊNCIA SEXUAL INFANTIL.. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1396064-NARRATIVAS-E-INTERPRETACOES-DE-PROFESSORES-DE-MATEMATICA-NO-COMBATE-A-VIOLENCIA-SEXUAL-INFANTIL. Acesso em: 25/06/2026

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