SOMANDO INVISIBILIDADES, SUBTRAINDO OPORTUNIDADES: MULHERES E DESIGUALDADES DE GÊNERO NA MATEMÁTICA

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
SOMANDO INVISIBILIDADES, SUBTRAINDO OPORTUNIDADES: MULHERES E DESIGUALDADES DE GÊNERO NA MATEMÁTICA
Autores
  • ISABEL FERREIRA DO NASCIMENTO
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1393044-somando-invisibilidades-subtraindo-oportunidades--mulheres-e-desigualdades-de-genero-na-matematica
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Gênero, Mulher, Matemática, Trabalho
Resumo
Isabel Ferreira do Nascimento Mestranda do Curso de Pós-Graduação em Sociologia/UFPI O presente resumo tem por objetivo dialogar a respeito da mulher na matemática e as desigualdades de gênero que contribuem para o afastamento delas neste campo de estudo. Sabemos que a matemática é uma ciência de predomínio masculino e esse predomínio é refletido desde que somos bem pequenos e de diferentes maneiras: falas, gestos, ocupação ou não de lugares, nas brincadeiras, na oportunidade de expressar. Também, a escola ensina desde cedo a quem pertence o conhecimento científico, e no caso específico da matemática esse reflexo é notório nos teoremas, leis e fórmulas que homenageiam homens (teorema de Pitágoras e teorema de Tales são exemplos). Essa visão masculinizada da matemática acabou por criar estereótipos relacionados as mulheres na apropriação desta ciência. Neste sentido, é comum ver em turmas de licenciatura em matemática a presença reduzida de mulheres e uma presença massiva de homens. Essa realidade está relacionada tanto a forma como a matemática é ensinada a meninas e meninos, assim como também ao próprio contexto histórico e sociocultural na qual está disciplina foi desenvolvida. Destarte, este estudo surgiu de inquietações vivenciadas na educação básica, proporcionada por um professor de matemática que ignorava totalmente a presença das meninas em sala de aula. O referido professor pedia que os meninos se sentassem nas cadeiras da frente e todas as meninas eram direcionadas para as cadeiras do fundo da sala, e estas permaneciam como meras expectadoras. Essa imposição disfarçada de um modo de organização durante as aulas de matemática, são reflexos do processo histórico no qual as mulheres sempre foram silenciadas, discriminadas e apagadas da constituição dos conhecimentos científicos. Gerda Lerner (2019) nos conta que “a história das mulheres é indispensável para a emancipação das mulheres”. (LERNER,2019), além disso a autora revela que a partir do surgimento da escrita, os historiadores sempre foram homens (padres, escribas, clérigos, entre outros) e desta maneira eles passaram a selecionar, interpretar e registrar os acontecimentos a partir da visão dos homens, assim a História foi contada e o conhecimento tido como válido e universal foi relegado aos homens, em contrapartida as mulheres e tudo o que era produzido por elas, foi desprezado e tido como sem importância. Louro (1997), reflete a problemática das desigualdades de gênero no ambiente educacional, dizendo que a escola é especialista em produzir diferenciações, além disso ela nos lembra que a desigualdades acontecem muitas vezes de forma disfarçada, sendo necessário estar de olhos e ouvidos bem atentos para perceber as distinções. Portanto, a forma como as meninas e meninos são tratados na escola pode impactar diretamente nas suas escolhas tanto pessoais, quanto pode impactar na escolha do curso de ensino superior que os levará a uma possível careira profissional. Além disso, a vigilância binária é toxica pois impede os diferentes modos de ser menina e menino (NASCIMENTO,2021). Neste sentido, quando as diferenças estão relacionas ao gênero os desdobramentos podem ter consequências ainda mais perversas. O resumo trata-se de uma pesquisa em andamento que tem como objeto de pesquisa, o gênero nas e escolhas e experiências das mulheres no campo da matemática. Para o aporte teórico trago autores que tratam sobre gênero, matemática, mulheres e trabalho, a saber: BIROLI (2018), FERNANDES (2006), BANDEIRA (2008), LERNER (2 019), LOURO (1997), SCOTT (1989), SAFIOTTI (1987), entre outros. Portanto, o estudo busca compreender as relações de gênero embricadas na formação de mulheres na área de matemática, e de que maneira tais relações geram consequências positivas ou negativas com relação a ocupação delas nessa área, sabendo que não se trata apenas de um curso, mas sobretudo o acesso ao mercado de trabalho. REFERÊNCIAS BANDEIRA, Lourdes. A contribuição da crítica feminista à ciências. Estudos Feministas. Florianópolis, 16(1): 288, janeiro-abril/2008. BIROLI, Flavia. Gênero e desigualdades: os limites da democracia no Brasil. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2018. CHASSOT, Attico. A ciência é masculina? É, sim senhora! Revista contexto e educação editora UNIJUÍ. Ano19 nº 71/72. jan./dez.2004. FERNANDES, Maria da Conceição Vieira. A inserção e vivência da mulher na docência em matemática: uma questão de gênero. João Pessoa, 2006. Dissertação de mestrado. UFBA.107 p. acesso 02-04-2025. FOUCAULT, Michel. Ditos e escritos: estratégia, poder/saber. Trad. Vera Lucia Avellar Ribeiro. 3ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2015. LAURETIS, Teresa de. A tecnologia do gênero. In. HOLLANDA, H.B (Org) Tendências e Impasses, RJ: Rocco, 1994, p.206-242. LERNER, Gerda. A criação do patriarcado: história da opressão das mulheres pelos homens. São Paulo: Cultrix, 2019. LOPES, Antônio de Pádua Carvalho. Um viveiro muito especial: Escola Normal e profissão docente no Piauí. In: SOUZA, Araújo José Carlos; FREITAS, Anamaria Gonsalves Bueno de; LOPES, Antônio de Pádua Carvalho (Org.). As escolas normais no Brasil: do Império à República. Campinas, SP: Editora Aliança, 2008. p. 107-122 LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós estruturalista. Petrópolis, RJ: Vozes. 1997. NASCIMENTO, Leticia Carolina Pereira do. Transfeminismo. São Paulo: Jandaíra, 2021. NÓVOA, Antônio. Profissão professor. Porto Alegre: Porto Editora, 1995. SAFFIOTI, Helieth. L.B. O poder do macho. São Paulo: moderna. 1987. SCOTT, Joan. Os usos e abusos do gênero. Projeto História, São Paulo, n.45, p 327-351, dez. 2012. SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade, jul/dez de 1989. SOUZA, Maria Celeste R.F de; FONSECA, Maria da conceição F. R. Relações de gênero, educação matemática e discurso: enunciados sobre mulheres, homens e matemática. Editora autêntica.2010. SOUZA, Maria Luíza Rodrigues Sampaio de. Gênero e escolha profissional. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de especialização em educação em e para os direitos humanos, no contexto da diversidade cultural. Universidade de Brasília. Brasília, 2015. VILLELA, Heloisa de Oliveira Santos. O mestre escola e a professora. In: TEIXEIRA, Eliana Marta; FARIA FILHO, Luciano Mendes; VEIGA, Cynthia Greive (Org.). 500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2000. p. 95-134.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

NASCIMENTO, ISABEL FERREIRA DO. SOMANDO INVISIBILIDADES, SUBTRAINDO OPORTUNIDADES: MULHERES E DESIGUALDADES DE GÊNERO NA MATEMÁTICA.. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1393044-SOMANDO-INVISIBILIDADES-SUBTRAINDO-OPORTUNIDADES--MULHERES-E-DESIGUALDADES-DE-GENERO-NA-MATEMATICA. Acesso em: 31/05/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes