MATEMÁTICA E MULHERES NA POLÍTICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO ENSINO MÉDIO E A POSSIBILIDADE DE ANÁLISES INTERSECCIONAIS

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
MATEMÁTICA E MULHERES NA POLÍTICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO ENSINO MÉDIO E A POSSIBILIDADE DE ANÁLISES INTERSECCIONAIS
Autores
  • Samara Silva Oliveira
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1391392-matematica-e-mulheres-na-politica--um-relato-de-experiencia-no-ensino-medio-e-a-possibilidade-de-analises-inters
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Educação Matemática; Matemática Crítica; Representatividade; Gênero; Estatística
Resumo
Este relato de experiência nasce da inquietação e reflexão sobre um fazer docente onde os saberes matemáticos se relacionem com questões sociais que atravessam a vida dos estudantes. A atividade foi desenvolvida com duas turmas da 3ª série do ensino médio em uma instituição privada de São Paulo com o objetivo de abordar a representatividade de mulheres no poder legislativo do município, mobilizando saberes matemáticos sobre estatística. Dados do IBGE de 2024 apontam que, embora as mulheres sejam maioria da população brasileira, ainda são minoria nos cargos políticos. Atravessada por constatações como esta e inspirada pelos estudos de gênero em educação matemática que tenho acessado e participado através do curso de extensão do grupo Matematiqueer, elaborei a atividade descrita neste relato. A proposta desta sequência de aprendizagem busca articular a matemática de maneira contextualizada, mobilizando a Competência Específica 2 da Base Nacional Comum Curricular, em consonância com uma Educação Matemática Crítica segundo as concepções de Ole Skovsmose. A atividade teve início em uma visita guiada à Câmara Municipal de São Paulo, onde os estudantes puderam conhecer o funcionamento do poder legislativo municipal, obter informações sobre mandatos vigentes, além de assistirem a uma sessão de votação no Plenário. Essa vivência prática despertou a curiosidade dos estudantes, promovendo uma aproximação à realidade política da cidade, além de fornecer informações que fomentaram o debate sobre representatividade durante as aulas de matemática. Em um segundo momento, na sala de aula, os estudantes foram organizados em trios para responderem a um questionário físico. As questões propunham: a) Uma pesquisa sobre cota partidária de gênero; b) Um levantamento estatístico sobre a representatividade de mulheres nos mandatos vigentes da Câmara Municipal de São Paulo, identificando a população, a variável em questão e sua classificação, bem como a construção de tabelas de frequência e representações gráficas; c) Uma investigação sobre o histórico de presidentes da mesa diretora da Câmara; d) Elaboração de conclusões sobre o que esses dados revelavam e uma listagem de possíveis medidas diante do cenário identificado. Os grupos evidenciaram através de tabelas e gráficos a disparidade entre mulheres e homens eleitos. Além disso, estabeleceram comparativos importantes entre o percentual de mulheres vereadoras, a cota de gênero no contexto partidário e o percentual de mulheres na população paulistana, elencando possíveis medidas para ampliar e incentivar a participação das mulheres em cargos políticos. Por fim, observaram que, se por um lado houve aumento da representatividade nos mandatos ao longo dos anos, por outro, nunca houve uma mulher ocupando a posição de presidenta na mesa diretora da Câmara. Um dos grupos ainda registrou que “a maioria dos presidentes são homens, brancos que não possuem nenhuma deficiência”. Os resultados da atividade revelaram o potencial da educação matemática para fomentar importantes reflexões. A estatística, nesse contexto, deixa de ser apenas um componente curricular e se torna uma ferramenta para analisar criticamente desigualdades estruturais, como a desigualdade de gênero. Para além disso, os estudantes identificaram outras dimensões de exclusão que se interseccionam, mencionando a baixa representatividade étnico-racial e de pessoas com deficiência no poder legislativo municipal, sobretudo na presidência da Câmara. Provocada por estas constatações, refleti sobre as possibilidades de ampliar esta proposta de atividade em um próximo momento, de tal maneira que a análise de representatividade ocorra sob uma perspectiva interseccional, isto é, a partir de outros marcadores sociais da diferença além do gênero, como eles se combinam e produzem desigualdades.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

OLIVEIRA, Samara Silva. MATEMÁTICA E MULHERES NA POLÍTICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO ENSINO MÉDIO E A POSSIBILIDADE DE ANÁLISES INTERSECCIONAIS.. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1391392-MATEMATICA-E-MULHERES-NA-POLITICA--UM-RELATO-DE-EXPERIENCIA-NO-ENSINO-MEDIO-E-A-POSSIBILIDADE-DE-ANALISES-INTERS. Acesso em: 25/06/2026

Trabalho

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