MASCULINIDADES RACIALIZADAS E AS NARRATIVAS ESCOLARES SOBRE QUEM É BOM EM MATEMÁTICA

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
MASCULINIDADES RACIALIZADAS E AS NARRATIVAS ESCOLARES SOBRE QUEM É BOM EM MATEMÁTICA
Autores
  • Monike Alves
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1245678-masculinidades-racializadas-e-as-narrativas-escolares-sobre-quem-e-bom-em-matematica
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Branquitudes, Masculinidades, Interseccionalidade, Educação Matemática.
Resumo
Este artigo tem como objetivo investigar como meninos, negros e brancos, são percebidos no contexto da sala de aula de matemática, com foco nos estereótipos de masculinidades atravessados por marcadores raciais que circulam, muitas vezes de forma inconsciente, no imaginário discente. A investigação foi realizada com duas turmas do sétimo ano do Ensino Fundamental, totalizando 53 estudantes, por meio de uma atividade que apresentou a ilustração de quatro personagens – duas meninas (uma branca e uma negra) e dois meninos (também um branco e um negro). Este texto, no entanto, opta por enfocar exclusivamente as representações construídas em torno dos meninos. A metodologia adotada foi qualitativa, com produção de dados ao longo de dois dias letivos, durante cinco aulas de matemática – três no primeiro dia e duas no segundo –, ministradas pela própria pesquisadora, que também era a professora responsável pelas turmas. Os dados analisados referem-se às atividades realizadas no primeiro dia da intervenção, nas quais os estudantes, com base apenas nas ilustrações dos personagens, responderam a perguntas sobre quais deles, em sua percepção, seriam bons em matemática, teriam mais dificuldades, utilizariam a disciplina com maior frequência no cotidiano e se esforçariam mais para aprendê-la. As respostas foram registradas em forma de pequenas narrativas. Também foram consideradas anotações em diário de campo, nas quais se registraram falas e situações significativas ao longo da intervenção. As escolhas dos estudantes para compor as histórias dos personagens foram baseadas exclusivamente em características fenotípicas, uma vez que nenhuma outra informação foi fornecida além da aparência deles. As narrativas associadas ao menino branco o descrevem como alguém que possui uma aptidão inata para a matemática, reforçando a ideia de dom, genialidade e inteligência natural, ainda que, por vezes, ele não demonstre esforço ou interesse. Já o menino negro, quando reconhecido como competente, precisa ser justificado por esforço, disciplina ou influência externa. Quando associado à dificuldade, esta é atribuída à falta de apoio familiar ou à necessidade de trabalhar, fatores que comprometem seu desempenho escolar. Essas distinções revelam o funcionamento de uma lógica racializada de reconhecimento, em que a branquitude é associada a vantagens intelectuais em matemática, enquanto a negritude precisa constantemente se provar nesse campo. Além disso, observou-se uma distinção simbólica entre esporte e videogame como marcadores das masculinidades construídas. O menino negro é associado ao basquete, à evasão escolar em nome de um sonho atlético e, como consequência, ao baixo desempenho em matemática. Já o menino branco é vinculado aos videogames, uma atividade frequentemente interpretada como indicativa de habilidades cognitivas valorizadas no contexto escolar, como raciocínio lógico e inteligência. Como possibilidade futura de aprofundamento da análise, propõe-se a inclusão de dimensões relacionadas às sexualidades, o que permitiria explorar outras camadas de masculinidades que operam de forma silenciosa e/ou silenciada no cotidiano escolar. A atividade demonstrou ser um potente dispositivo para evidenciar imaginários racializados e suas implicações na constituição de masculinidades e no modo como o conhecimento matemático é acessado e constituído por diferentes sujeitos.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ALVES, Monike. MASCULINIDADES RACIALIZADAS E AS NARRATIVAS ESCOLARES SOBRE QUEM É BOM EM MATEMÁTICA.. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1245678-MASCULINIDADES-RACIALIZADAS-E-AS-NARRATIVAS-ESCOLARES-SOBRE-QUEM-E-BOM-EM-MATEMATICA. Acesso em: 22/05/2026

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