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Apresentação

A matemática, historicamente apresentada como linguagem universal, neutra e desvinculada das disputas sociais, é atravessada por regimes de poder que definem não apenas quais conhecimentos são legitimados, mas também quais corpos são reconhecidos como aptos a produzi-los, ensiná-los e aprendê-los. As ciências ditas exatas, e em particular a matemática, foram constituídas sob forte influência de um paradigma eurocêntrico que naturalizou determinados modos de ser, saber e existir, associando a figura do matemático e do professor de matemática a padrões específicos de gênero, raça, sexualidade, classe e funcionalidade corporal e cognitiva. Esses padrões operam como ficções reguladoras que conferem autoridade epistêmica a alguns sujeitos enquanto produzem o silenciamento, a marginalização ou a exclusão de outros. Reconhecer a matemática como produção humana, histórica, cultural e politicamente situada continua sendo um movimento urgente, sobretudo em um contexto de recrudescimento de discursos conservadores e de ataques sistemáticos às agendas de direitos humanos, diversidade e justiça social.

É nesse cenário que se inscreve a 2ª Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática (E²GSEM), reafirmando e aprofundando o compromisso inaugurado na primeira edição do evento. Se, em 2024, a E²GSEM se dedicou a tensionar os lugares ocupados por mulheres e pessoas LGBT+ na Matemática e na Educação Matemática, nesta segunda edição o foco desloca-se para as interseccionalidades como chave analítica incontornável. Falar de gênero e sexualidades, hoje, implica reconhecer que essas dimensões não operam isoladamente, mas se articulam de forma indissociável a marcadores como raça, classe social, território, geração e funcionalidades físicas e mentais, produzindo experiências educativas profundamente desiguais.

A 2ª E²GSEM contou com a participação de pessoas oriundas das cinco regiões do Brasil, evidenciando a consolidação do evento como espaço de circulação nacional de debates no campo da Educação Matemática. Ainda assim, a distribuição territorial das inscrições revela assimetrias persistentes, com maior concentração no Sudeste e ausências em alguns estados das regiões Norte e Nordeste, o que reforça a necessidade de pensar as interseccionalidades também a partir de uma perspectiva geopolítica da produção acadêmica. Esses dados dialogam diretamente com os próprios temas discutidos no evento, uma vez que o acesso à pós-graduação, à pesquisa e à participação em eventos científicos permanece atravessado por desigualdades estruturais.

Os trabalhos reunidos nestes anais resultam de um processo de submissão que, deliberadamente, não fragmentou as discussões em áreas temáticas estanques. A existência de uma única área de submissão, “Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática”, foi uma escolha política e epistemológica que reconhece a complexidade do campo e evita compartimentalizações artificiais. A leitura atenta dos títulos e resumos, contudo, permite identificar eixos analíticos emergentes que atravessam o conjunto das produções e ajudam a compreender os rumos atuais das pesquisas na área.

Destacam-se, de modo expressivo, investigações centradas na formação de professores de matemática, tanto inicial quanto continuada, que problematizam currículos formativos, práticas pedagógicas, narrativas docentes e processos de constituição da identidade profissional. Esses trabalhos evidenciam que gênero e sexualidades não são temas periféricos à formação docente, mas dimensões constitutivas da docência em matemática, influenciando expectativas, relações de poder, reconhecimento profissional e experiências de pertencimento ou exclusão. Em diálogo com esse eixo, há um conjunto robusto de pesquisas dedicadas à análise de currículos, livros didáticos e materiais pedagógicos, que revelam como normas de gênero, sexualidade e raça são reiteradas ou silenciadas nos conteúdos matemáticos e em suas formas de apresentação.

Outro eixo recorrente diz respeito às discussões sobre gênero, masculinidades e feminilidades na Educação Matemática. Chama atenção, nesta edição, o aparecimento mais explícito de trabalhos que abordam masculinidades, muitas vezes articuladas à raça e à sexualidade, indicando deslocamentos importantes em relação à primeira edição do evento. Ainda assim, as experiências de pessoas LGBT+ seguem sendo tematizadas de forma desigual. Embora haja crescimento de pesquisas que abordam vivências queer, relatos de professores gays e práticas pedagógicas dissidentes, permanecem escassos os estudos centrados especificamente em pessoas trans e travestis, configurando uma lacuna que desafia o campo e aponta para agendas futuras de pesquisa.

A noção de interseccionalidade atravessa de maneira significativa os trabalhos apresentados, não apenas como referência conceitual, mas como ferramenta analítica mobilizada para compreender desigualdades educacionais concretas. Há articulações entre gênero, sexualidade e raça em análises sobre trajetórias escolares, desempenho em matemática, expectativas docentes e experiências em territórios periféricos. Por outro lado, marcadores como deficiência, envelhecimento e educação matemática na Educação de Jovens e Adultos aparecem de forma ainda tímida, sinalizando campos que demandam maior investimento investigativo.

Os relatos de experiência e as pesquisas baseadas em práticas pedagógicas constituem outro eixo relevante deste conjunto. Oficinas, projetos de extensão e intervenções em sala de aula evidenciam a potência de uma Educação Matemática comprometida com a valorização das diferenças e com a construção de ambientes educativos mais seguros e acolhedores. Esses trabalhos tensionam a ideia de neutralidade da matemática e demonstram que é possível produzir práticas pedagógicas críticas, situadas e comprometidas com a justiça social.

Por fim, atravessando os diferentes eixos, emergem perspectivas críticas, decoloniais e epistemológicas que questionam o universalismo, o eurocentrismo e a pretensa neutralidade da matemática escolar. Ao dialogar com epistemologias feministas, queer e decoloniais, os trabalhos apresentados reafirmam o caráter político da Educação Matemática e seu potencial para disputar sentidos, produzir reconhecimentos e ampliar horizontes de existência.

Os Anais da 2ª E²GSEM reúnem resumos e trabalhos completos, conforme a escolha das pessoas autoras, e constituem um registro vivo de um campo em movimento, marcado por avanços, tensões e desafios. Esperamos que a leitura destes textos seja provocativa e instigante, convidando cada pessoa leitora a estranhar a matemática, suas práticas e seus discursos, e a reconhecer a centralidade das interseccionalidades na construção de uma Educação Matemática comprometida com a dignidade, o reconhecimento e a valorização das diferenças.




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Responsável

matematiqueer@im.ufrj.br


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