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Apresentação

O Encontro de Matemática do Agreste Pernambucano (EMAP) foi criado em 2014 a partir do desejo coletivo dos professores do curso de Matemática – Licenciatura da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Campus do Agreste, de oportunizar aos licenciandos um espaço de trocas, estudos, discussões e produções sobre práticas e processos de ensino e aprendizagem da Matemática. Desde sua criação, o evento é organizado no Centro Acadêmico do Agreste (CAA/UFPE), sob a responsabilidade do curso de Matemática-Licenciatura, e tem se consolidado como um importante espaço de diálogo entre a Educação Básica, a Universidade e os diferentes campos da Educação Matemática.

Entre 2014 e 2019, o EMAP manteve periodicidade anual, realizando seis edições que ampliaram significativamente o número e a diversidade de trabalhos apresentados. O I EMAP contou com 27 publicações; o II, com 29; o III, com 31; o IV, com 47; o V, com 76; e o VI, com 53 trabalhos. Esses encontros reuniram estudantes de licenciaturas em Matemática e Pedagogia, professores da Educação Básica e Superior, além de estudantes de Pós-Graduação e pesquisadores, fortalecendo o diálogo entre diferentes níveis e contextos de ensino. Tradicionalmente realizado entre os meses de junho e julho, o evento também valoriza as expressões culturais do Agreste pernambucano, integrando a Matemática ao clima junino da cidade de Caruaru.

Entre 2020 e 2022, o evento não foi realizado em virtude da pandemia de COVID-19, sendo retomado em 2023 com o VII EMAP, que teve como tema “MatemáticaS: Tecnologias, Sustentabilidade e Inclusão”, e ocorreu entre 4 a 7 de dezembro de 2023. Nessa edição, foram promovidas mesas temáticas e debates com professores e pesquisadores de diferentes instituições, que abordaram as relações entre inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e inclusão no ensino de Matemática. Ao todo, o VII EMAP apresentou 107 trabalhos distribuídos em cinco modalidades — Comunicação Científica, Relato de Experiência, Pôster, Oficina e Resumo Expandido (PIBID/RP UFPE) —, envolvendo 193 autores e cerca de 300 participantes. A partir desta edição, o Encontro de Matemática do Agreste Pernambucano passa a ter periodicidade bienal, consolidando-se como um espaço contínuo de trocas formativas, divulgação científica e valorização das práticas docentes em Educação Matemática na região e no país.

Em 2025, o EMAP teve à sua oitava edição, com o tema “Formação e Ensino de Matemática na Contemporaneidade: inovação e interculturalidade”, reafirmando seu compromisso com a formação de professores e com a construção de uma Educação Matemática crítica, inclusiva e transformadora. O evento propõe reflexões sobre os caminhos contemporâneos do ensino de Matemática, destacando a importância da inovação pedagógica e do diálogo intercultural como fundamentos para uma educação mais significativa.

Ao promover o encontro entre professores da Educação Básica e Superior, estudantes de licenciatura, pesquisadores e demais interessados, o EMAP se consolida como um espaço de formação, socialização de saberes e fortalecimento de redes de colaboração. Mais do que um evento acadêmico, o EMAP é um movimento coletivo em defesa da Educação Matemática pública, democrática e culturalmente situada no Agreste pernambucano.

A palestra de abertura teve como tema central “Fazeres Matemáticos Humanistas: o que são e por que precisamos abraçá-los?”, ministrada por Carlos Mathias (UFF), educador matemático, músico e escritor, destacou a importância de compreender a Matemática como uma construção humana, ética e cultural.

Ao longo da programação, mesas temáticas abordaram temas contemporâneos e urgentes, como Interculturalidade e Educações: saberes plurais para uma Matemática crítica, Maternar no Ensino Superior e Carreira Docente, Inteligência Artificial e Conhecimento Científico na Universidade. Essas discussões contribuíram para ampliar o olhar sobre o papel social e político da Matemática na formação docente e na construção de práticas educacionais mais humanas e contextualizadas.

Nesta edição, o EMAP inovou ao lançar o Concurso Curta Matemática, uma iniciativa que convidou participantes a produzirem vídeos, gravações ou animações, com ou sem o uso de Inteligência Artificial, nas seguintes temáticas: “Inovação no Ensino de Matemática” e “Matemática e Interculturalidade”. A ação buscou valorizar diferentes formas de expressão e divulgar práticas criativas que aproximam a Matemática das artes, das culturas e das tecnologias, ampliando o alcance da Educação Matemática para além dos espaços acadêmicos.

O curta vencedor foi o "Matemática conecta culturas, tempos e mundos", autoria de Elton Monteiro Marinho, Isaac Emmanuel da Silva, Sérgio Vinícius de Lima. O vídeo revela como a Matemática atravessa ofícios e culturas: do artesão ao agricultor, do feirante ao motorista, da sala de aula ao design digital. Mais que números, ela é ritmo, forma e vida, um fio invisível que conecta culturas, tempos e mundos, costurando nossa própria existência.

Os Anais do 8º EMAP reúnem 116 trabalhos, entre comunicações científicas e relatos de experiência, produzidos por 202 autores. Nessa edição, mais de 300 pessoas se inscreveram para o evento. As temáticas apresentadas revelam a diversidade de abordagens da Educação Matemática contemporânea, com destaque para jogos e ludicidade, formação docente, robótica educacional, educação inclusiva, etnomatemática, tecnologias digitais, avaliação e ensino crítico da Estatística, educação financeira e interdisciplinaridade.

Observa-se também uma forte presença de trabalhos oriundos de programas de iniciação à docência (PIBID) e laboratórios de ensino de matemática (LEMs e LEMAPE), demonstrando o vínculo entre ensino, pesquisa e extensão.

Esse conjunto de produções reafirma o papel do EMAP como um espaço plural de socialização de práticas pedagógicas e de reflexão sobre os desafios e inovações no ensino da Matemática. As produções aqui reunidas refletem o compromisso da comunidade acadêmica e escolar com uma Educação Matemática voltada à transformação social, à valorização das diversidades e à promoção de um ensino significativo. Cada texto, relato e produção traduz o esforço coletivo de pesquisadores, professores e estudantes que, de diferentes lugares e contextos, se reúnem em torno de um propósito comum: pensar e fazer uma Matemática mais humana, crítica e conectada à vida.

Desejamos a todos e todas uma excelente leitura e que os Anais do 8º Encontro de Matemática do Agreste Pernambucano possam inspirar novas pesquisas, práticas e reflexões.




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Responsável

Responsável:

Cristiane de Arimatéa Rocha

cristiane.arocha@ufpe.br


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