TRANSIÇÃO VERDE: INCERTEZA, ESTADO EMPREENDEDOR E BIG PUSH AMBIENTAL

Publicado em 26/10/2026 - ISBN: 978-65-272-2867-7

Título do Trabalho
TRANSIÇÃO VERDE: INCERTEZA, ESTADO EMPREENDEDOR E BIG PUSH AMBIENTAL
Autores
  • Hevellyn Camille da Silva
  • Antonio José Alves Junior
Modalidade
Artigo (para Associados AKB) / Full papers (AKB members)
Área temática
Área 8. Economia Ecológica, Mudança Climática e Sustentabilidade
Data de Publicação
26/10/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/akb2026-697763/1579240-transicao-verde--incerteza-estado-empreendedor-e-big-push-ambiental
ISBN
978-65-272-2867-7
Palavras-Chave
Desenvolvimento sustentável; Transição e desenvolvimento
Resumo
TRANSIÇÃO VERDE: INCERTEZA, ESTADO EMPREENDEDOR E BIG PUSH AMBIENTAL Transição Verde: Incerteza, Estado Empreendedor E Big Push Ambiental Introdução e Objetivo A crise climática impõe uma reavaliação profunda dos fundamentos teóricos que orientam o financiamento da transição para uma economia de baixo carbono. Este resumo expandido confronta as abordagens ortodoxa e heterodoxa sobre o tema, destacando premissas, instrumentos e limites analíticos. Confronta-se criticamente a Economia Ambiental Neoclássica (EAN) com as tradições Pós-Keynesiana, Neo-Schumpeteriana e Estruturalista Latino-Americana. Argumenta-se que a visão dominante reduz a questão ambiental a uma falha de mercado, enquanto as perspectivas heterodoxas exigem um Estado ativo, planejador e indutor de transformações estruturais. Embora a Economia Ecológica (Georgescu-Roegen, 1971; Romeiro, 2012) estabeleça os limites biofísicos como condicionantes inegociáveis, este resumo também localiza, nas vertentes pós-keynesiana, neo-schumpeteriana e estruturalista, sua ênfase no papel do Estado e do financiamento no enfrentamento da incerteza climática em prol do crescimento econômico. A Visão Ortodoxa: Falhas de Mercado e Precificação A EAN enquadra o problema ambiental como falha de mercado decorrente de externalidades negativas. Pigou (1932) propõe a correção via impostos ou subsídios que igualem custo marginal privado e social. Coase (1960) complementa a abordagem ao defender dispositivos que definam mais precisamente os direitos de propriedade e assegurem baixos custos de transação. Instrumentos como tributação ambiental e comércio de emissões (Tietenberg, 2006) são preferidos por sua eficiência alocativa. No plano intertemporal, a regra de Hotelling (1931) orienta a extração de recursos exauríveis, e a análise custo-benefício (Boardman et al., 2018) monetiza impactos ambientais. A Curva de Kuznets Ambiental (Grossman & Krueger, 1995) sugere que o crescimento, após certo ponto, reduz a degradação. Contudo, Romeiro (2012) critica essa visão por ignorar a Lei da Entropia e a substituibilidade limitada entre capital natural e produzido. A sustentabilidade fraca (Solow, 1974) que admite compensação do capital natural por capital reprodutível revela o otimismo excessivo da ortodoxia diante dos limites biofísicos. A Crítica Heterodoxa: Incerteza, Demanda Efetiva e Estado Empreendedor As abordagens heterodoxas rejeitam a redução da questão ambiental a uma falha de mercado. Para Lavoie (2014), seguindo a tradição aberta por Keynes (1970), a economia é marcada pela incerteza fundamental, i.e., as decisões presentes dependem de cenários sobre o futuro incognoscível, não calculável probabilisticamente. Em uma economia monetária da produção, isso confere relevância à preferência pela liquidez, desestimulando investimentos privados de longo prazo, como os exigidos pela transição verde. É nesse sentido que Alves Jr e Studart (2025) destacam que, diante da incerteza sobre as tecnologias que vigorarão e considerando que os mercados “verdes” ainda estão em formação, o sistema financeiro privado impõe prêmios de risco elevados ou recusa financiamento para projetos econômicos sustentáveis. Studart e Alves Jr (2019), em um plano teórico, vão propor que não há quadro com maior incerteza do que o da conjuntura afetada pela mudança de paradigma tecno-econômico (Freeman&Perez, 1988). Também a partir de uma orientação heterodoxa, a Macroeconomia Pós-Keynesiana do Meio Ambiente (Alvarenga Junior & Young, 2021) incorpora limites ecológicos ao princípio da demanda efetiva, postulando que o crescimento não é neutro ambientalmente e que o Estado deve planejar o nível sustentável de utilização do capital natural. Diferentemente da ortodoxia, não há convergência automática à sustentabilidade a partir de um conjunto de regras e incentivos; é necessária ação pública deliberada. As dificuldades emergem ao se reconhecer que a transição verde representa um novo paradigma tecnoeconômico (Freeman & Perez, 1988), exigindo destruição criadora direcionada. Diferente de Schumpeter (1942), esse é um caso em que o processo de destruição criadora aparece invertido: a destruição da economia carbonizada tem uma orientação política mais clara e antecede o próprio processo de criação, cujo cluster de inovações ainda está em definição, o que aumenta a complexidade do arcabouço econômico que levará adiante a transformação (Alves Jr. e Studart, 2025). Essa consideração evoca Mazzucato (2013), ao argumentar que o Estado não pode ser e nem é mero corretor de falhas, mas criador e moldador de mercados, assumindo riscos que o setor privado evita. Todo esse quadro de elevada incerteza para investidores e financiadores privados na transição é revestido, na América Latina, de elementos que são desenvolvidos nos debates estruturalistas Latino-Americano (Prebisch, 1949; Furtado, 1974). As economias da região são caracterizadas como periféricas, marcadas por heterogeneidade estrutural, restrição externa e, quanto mais dependentes da exploração de recursos naturais, sujeitas aos efeitos econômicos da deterioração dos termos de troca. Diante desse quadro analítico, a CEPAL (2016) propõe o conceito de Grande Impulso Ambiental (Big Push Ambiental), coordenando investimentos públicos e privados em torno de três eficiências: ambiental (limites biofísicos), schumpeteriana (inovação) e keynesiana (demanda e emprego) como orientação para um programa de desenvolvimento sustentável. Sem essa ação coordenada, a periferia corre o risco de mera reprodução da dependência tecnológica sob nova roupagem verde (Hiratuka & Sarti, 2017). Síntese do Embate e Implicações para o modelo de transição Enquanto a ortodoxia aposta em sinais de preço e eficiência alocativa para induzir a transição, a heterodoxia demonstra que tais mecanismos são insuficientes diante da incerteza fundamental que envolve a transição, da preferência pela liquidez e da necessidade de mudança estrutural orientada pelo Estado. Cabe ao Estado planejar, investir, coordenar e assumir riscos funções que transcendem a correção marginalista. Isso implica a necessidade de capital paciente público, ou seja, financiamento de longo prazo tolerante à incerteza, que sustente projetos verdes em estágios iniciais e indique direção para o setor privado. Sem essa provisão estatal, economias periféricas como a brasileira tendem a permanecer presas a trajetórias intensivas em carbono, perpetuando a dependência estrutural. Considerações Finais A análise do embate teórico revela que a escolha entre ortodoxia e heterodoxia não é meramente técnica, mas política e institucional. A economia ambiental neoclássica, ao tratar a natureza como externalidade e confiar na precificação, subestima a escala, a irreversibilidade e a incerteza da crise climática. As abordagens heterodoxas, integrando Pós-Keynesianismo, Neo-Schumpeterianismo e Estruturalismo com o reconhecimento dos limites biofísicos herdado da Economia Ecológica oferecem fundamentos mais robustos para pensar um Estado empreendedor e planejador provedor de capital paciente e coordenador de um Big Push ambiental. Em economias periféricas, essa conclusão é ainda mais premente: sem uma ação estatal deliberada, a transição verde pode reproduzir velhos padrões de dependência e desigualdade, em vez de promover uma transformação estrutural justa e sustentável. Palavras-chave: Transição Verde. Heterodoxia Econômica. Financiamento Climático. Estado Empreendedor. Big Push Ambiental. Capital Paciente. Referências (selecionadas mantidas do original) ALVARENGA JUNIOR, M.; YOUNG, C. E. F. Princípios para a construção de uma macroeconomia pós-keynesiana do meio ambiente. Dossiê AKB-ECOECO, 2021. ALVES JR, A. J.; STUDART, R. Taxonomia Sustentável Brasileira e o Plano de Transição Ecológica. 2025. No prelo. BOARDMAN, A. E. et al. Cost-Benefit Analysis. 5. ed. Cambridge: CUP, 2018. BURLAMAQUI, L. Schumpeter, Keynes e o paradigma da destruição criadora. UERJ/Levy Economics Institute, 2022. CEPAL. Horizontes 2030: a igualdade no centro do desenvolvimento sustentável. Santiago, 2016. COASE, R. H. The problem of social cost. Journal of Law and Economics, v. 3, 1960. FEIL, F.; FEIJÓ, C. Bancos de desenvolvimento como braço de política pública para transição verde sustentável. A Economia em Revista, v. 30, n. 3, 2022. FREEMAN, C.; PEREZ, C. Structural crises of adjustment. In: DOSI et al. (ed.). Technical change and economic theory. Londres: Pinter, 1988. 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Título do Evento
XIX Encontro da Associação Keynesiana Brasileira
Cidade do Evento
São Cristóvão
Título dos Anais do Evento
Anais do XIX Encontro da Associação Keynesiana Brasileira
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Hevellyn Camille da; JUNIOR, Antonio José Alves. TRANSIÇÃO VERDE: INCERTEZA, ESTADO EMPREENDEDOR E BIG PUSH AMBIENTAL.. In: Anais do XIX Encontro da Associação Keynesiana Brasileira. Anais...Aracaju(SE) Hotel Del Mar, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/akb2026-697763/1579240-TRANSICAO-VERDE--INCERTEZA-ESTADO-EMPREENDEDOR-E-BIG-PUSH-AMBIENTAL. Acesso em: 06/11/2026

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