PREJUÍZOS MONETÁRIOS DECORRENTES DE DESASTRES NO ESTADO DO PR (1995-2024)

Publicado em 26/10/2026 - ISBN: 978-65-272-2867-7

Título do Trabalho
PREJUÍZOS MONETÁRIOS DECORRENTES DE DESASTRES NO ESTADO DO PR (1995-2024)
Autores
  • Deise Maria Bourscheidt
  • Elder Antonio Tomassevski
  • José Vitor Monssão Turco
Modalidade
Resumo Expandido (para Associados AKB) / Extended Abstracts (AKB members)
Área temática
Área 8. Economia Ecológica, Mudança Climática e Sustentabilidade
Data de Publicação
26/10/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/akb2026-697763/1578806-prejuizos-monetarios-decorrentes-de-desastres-no-estado-do-pr-(1995-2024)
ISBN
978-65-272-2867-7
Palavras-Chave
eventos climáticos; danos monetários; Paraná.
Resumo
INTRODUÇÃO Desastres são eventos que geram interrupções no fluxo normal de funcionamento de uma sociedade, e são decorrentes de causas naturais, ou ações antrópicas (UFSC, 2023; BOURSCHEIDT, 2024; IPCC, 2021). A ocorrência de desastres vem aumentando ao longo do tempo no Brasil, e estes se distribuem de maneiras diferentes entre as unidades federativas do país. Os prejuízos decorrentes dos desastre são divididos em privados e públicos. Os prejuízos privados classificam-se conforme os principais setores da economia que eles afetaram, sendo sobre pessoas ou empresas que atuam nestes setores. Já ao prejuízos públicos são aqueles que afetam a oferta de serviços essenciais como saúde, educação (UFSC, 2023). Entre 1995 e 2021, ocorreram 55.033 desastres no Brasil, sendo que a região nordeste sofreu o maior número de ocorrência de desastres, e a região sul ficou em segundo lugar, tanto em quantidade, como em prejuízos monetários decorrentes. Estes ultrapassaram os R$ 138 bilhões, o que corresponde a cerca de 32% do total de prejuízos do país (BOURSCHEIDT, 2024; BRASIL/MIDR, 2026). Já em 2023 as ocorrências somaram 5115 eventos, que resultaram em mais de R$ 49 bilhões em prejuízos totais (BRASIL/MIDR, 2026). Os sucessivos relatórios emitidos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) vem alertando sobre a aceleração das mudanças climáticas e sobre suas possíveis causas e consequências (IPCC, 2022) incluindo a forma como organizamos o nosso processo produtivo. Considerando esta problemática, este trabalho visa apresentar e discutir os desastres que ocorreram no estado do Paraná, entre 1995 e 2024, destacando os prejuízos monetários decorrentes deles, a partir de uma análise descritiva. Os dados foram coletados no Atlas Digital de Desastres do Brasil, que é mantido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). SOMATÓRIO DOS PREJUÍZOS OCASIONADOS PELOS DESASTRES NO PARANÁ Resultados preliminares mostram que, o número de desastres no Estado do Paraná não possui uma trajetória linear. Entre 1995 e 2024 identificou-se 2852 desastres, com os anos de 2012, 2005, 2022 e 2014 obtendo maior destaque. Nestes, os valores registrados foram de 231, 218, 197 e 189 desastres respectivamente (BRASIL/MIDR,2026). Gráfico 1 – Quantidade de desastres ocorridos no Paraná entre 1995 e 2024. Fonte: Elaboração própria com base nos dados do BRASIL/MIDR (2026) Estiagem e seca totalizaram 630 ocorrências (22%), seguidos das enxurradas e vendavais e ciclones, e granizos, com 596, 543 e 499 ocorrências respectivamente (BRASIL/MIDR,2026). Estes desastres podem resultar em danos humanos, como óbitos, desabrigados, desalojados, desaparecidos e enfermos e/ou em prejuízos econômicos. O grau dos impactos causados varia de acordo com a intensidade do evento climáticos e variou bastante ao longo do período compreendido entre 1995-2024. O Estado do Paraná registrou, no período de 1995 e 2024, um total de R$ 49.680.493.486,84 em prejuízos econômicos resultantes de desastres (BRASIL/MIDR,2026). Deste total 94% correspondem à prejuízos privados distribuídos entre os setores de agricultura, pecuária, indústria, serviços e comércio. O Gráfico 1 mostra os prejuízos monetários privados resultantes dos desastres para cada setor econômico. Como ilustra a imagem, o setor mais impactado é o da agricultura, que a partir de 2003, registrou sucessivos prejuízos, com destaque para o ano de 2022 que alcançou atingiu R$ 13,23 bilhões, registrando 90% dos prejuízos privados. Gráfico 2 - Prejuízos Privados decorrentes de desastres por setores econômicos no PR (1995 – 2024) Fonte: Elaboração própria com base nos dados do MIDR (2026) Como observado, ao agregar os danos monetários que ocorreram entre 1995 e 2024, o valor superou os R$ 47 bilhões de reais, e destes, cerca de R$ 41 bilhões foram informados pelo setor agrícola. Entre os demais setores percebe-se que a pecuária vivenciou mais de R$ 3,7 bilhões em prejuízos, seguido da indústria com quase R$ 1,5 bilhões, do setor de serviços com mais de R$ 720 milhões, e do comércio com pouco mais de R$ 78,5 milhões de prejuízos. Mesmo correspondendo a prejuízos privados, parte deles acabam por ser socializados, seja sob a forma de subsídios para novos investimentos ou pela redução de juros de dívidas que foram realizadas para investir nestas áreas. Como exemplo no setor agrícola é possível citar o Programa Desenrola Brasil Rural, cujo objetivo inicial foi permitir a liquidação e renegociação de dívidas da agricultura familiar, e também a sua segunda versão: o Programa Desenrola Rural II, lançado em setembro de 2025, que destinou um aporte total de R$ 12 bilhões em linhas de crédito para beneficiar agricultores que foram afetados por desastres climáticos entre 1º de julho de 2020 e 30 de junho de 2025 (BRASIL/MDA, 2025). Quanto aos prejuízos públicos eles totalizaram R$ 2.946.983.939,38 entre 1995 e 2024. O setor de transportes foi o mais impactado, com mais de R$ 1,88 bilhões (63,4%), seguido pelos setores de ensino (10,48%), assistência médica e emergência (7,48%), abastecimento de água potável (5,18%), e de sistemas de esgoto sanitário (5,11%), conforme apresentado na Tabela 1. Tabela 1 – Soma de Prejuízos Públicos Totais por Setores entre 1995 e 2024 Setores Prejuízos Públicos Porcentagem (%) Assistência Médica e emergência R$ 220.299.193,78 7,48 Abastecimento de água potável R$ 152.622.720,88 5,18 Sistemas de esgotos sanitários R$ 150.682.598,14 5,11 Sistema Limpeza e reciclagem lixo R$ 85.518.326,61 2,90 Sistema Controle pragas R$ 7.587.885,67 0,26 Distribuição energia R$ 97.020.692,60 3,29 Telecomunicações R$ 12.611.113,38 0,43 Transporte R$ 1.884.276.883,02 63,94 Distribuição Combustíveis R$ 14.899.682,23 0,51 Segurança pública R$ 12.743.045,14 0,43 Ensino R$ 308.721.797,91 10,48 Total Público R$ 2.946.983.939,38 100,00 Fonte: Elaboração própria com base nos dados do BRASIL/MIDR (2026) Estes desastres têm se intensificado e, conforme as publicações compiladas pelo IPCC comprovam, existe relação entre a degradação ambiental, as mudanças climáticas e o aumento dos eventos extremos (IPCC, 2022; 2023). Vale destacar que o Estado do Paraná registrou uma área de desmatamento acima de 21 mil hectares entre os anos 2019 e 2025, com destaque para o ano 2021, cuja área desmatada ficou acima de 6.880 hectares, com quedas nos anos seguintes. Em sua maioria, estas áreas correspondem a desmatamentos ilegais (19.949,1 ha) (MAPBIOMAS, 2026). De acordo com Hernandez et al. (2025) os dados demonstram que a conversão do uso da terra e a agropecuária constituem os vetores primordiais das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, atuando como fatores centrais na emergência climática. No ano de 2023, a ação conjunta de ambos os setores concentrou quase 74% do perfil emissor do país, subdividido em mais de 46% para mudanças no uso da terra e florestas, e cerca de 27,5% para o setor agropecuário (SEEG, 2025). Cabe destacar que a supressão de vegetação nativa para a abertura de áreas agrícolas está indexada às métricas de mudança de uso do solo. Em investigações sobre a relação entre a atividade antrópica e a ocorrência de calamidades em outras regiões, constatou-se uma correlação positiva entre a expansão das áreas de lavouras temporárias colhidas na Amazônia Legal e o aumento tanto na incidência de desastres quanto nos impactos financeiros deles resultantes (BOURSCHEIDT; TOMASSEVSKI; PEROZO-SUÁREZ, 2025). Deste modo é importante investigar a relação entre os danos ambientais causados pela degradação ambiental ocasionada pelo sistema produtivo no Paraná, e os prejuízos monetários sofridos por estes mesmos setores. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOURSCHEIDT, Deise Maria DESASTRES NATURAIS: ECONOMIA, VULNERABILIDADE SOCIAL E PERCEPÇÃO AMBIENTAL. Tese de Doutorado em Economia. Universidade de Brasília. BOURSCHEIDT, Deise Maria; TOMASSEVSKI, Elder Antonio; PEROZO-SUAREZ, Daniel. Desastres Naturais na Amazônia Legal: Panorama Geral e Correlações com Atividades Agrícolas. Boletim da Sociedade Basileira de Economia Ecológica, v. 44, p. 20-27, 2025 BRASIL/MDA. Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Governo do Brasil anuncia mais R$ 12 bilhões para aliviar dívidas de pequenos, médios e grandes produtores prejudicados por tragédias climáticas. Brasília, DF: MDA, 2025. BRASIL/MIDR Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. Atlas Digital de Desastres no Brasil Brasília, DF: MIDR, (20256). Disponível em: https://atlasdigital.mdr.gov.br HERNÁNDEZ, Marisela García; BOURSCHEIDT, Deise Maria; STOFFEL, Janete; KRAJEVSKI, Luis Claudio. Questão agrária, crise ambiental e movimentos sociais: novos desafios para a reforma agrária. Germinal: marxismo e educação em debate, v. 17, n. 3, p. 214-228, dez. 2025. IPCC. Summary for Policymakers. In: Climate Change 2023: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Switzerland: [s.n.]. Disponível em:<10.59327/IPCC/AR6-9789291691647.001>. IPCC. Sixth Assessment Report, Climate Change 2022: Impacts, Adaptation and Vulnerability, the Working Group II contribution.[s.l.] Cambridge University Press, 2022. Disponível em: <10.1017/9781009325844>. IPCC. ANNEX I: GLOSSARY IPCC, 2021 MAPBIOMAS. Plataforma MapBiomas Alerta: Sistema de Validação e Refinamento de Alertas de Desmatamento com Imagens de Alta Resolução. Filtros aplicados: jan. 2019 a fev. 2026. Disponível em: https://alerta.mapbiomas.org/ SEEG. Gases de Efeito Estufa no Brasil, 2025. Disponível em: https://seeg.eco.br/. Acesso em: 5 maio de 2026. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC). Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia e Defesa Civil. Capacitação para utilização do S2ID: módulo 1 – registro e reconhecimento: usuário: municipal (pp. 1-2). 2. ed. Florianópolis: CEPED; UFSC, 2023.
Título do Evento
XIX Encontro da Associação Keynesiana Brasileira
Cidade do Evento
São Cristóvão
Título dos Anais do Evento
Anais do XIX Encontro da Associação Keynesiana Brasileira
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BOURSCHEIDT, Deise Maria; TOMASSEVSKI, Elder Antonio; TURCO, José Vitor Monssão. PREJUÍZOS MONETÁRIOS DECORRENTES DE DESASTRES NO ESTADO DO PR (1995-2024).. In: Anais do XIX Encontro da Associação Keynesiana Brasileira. Anais...Aracaju(SE) Hotel Del Mar, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/akb2026-697763/1578806-PREJUIZOS-MONETARIOS-DECORRENTES-DE-DESASTRES-NO-ESTADO-DO-PR-(1995-2024). Acesso em: 06/11/2026

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