ANÁLISE DA REPRIMARIZAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS, ENCADEAMENTOS E EMPREGOS DAS ATIVIDADES EXPORTADORAS ENTRE 2000 E 2019

Publicado em 26/10/2026 - ISBN: 978-65-272-2867-7

Título do Trabalho
ANÁLISE DA REPRIMARIZAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS, ENCADEAMENTOS E EMPREGOS DAS ATIVIDADES EXPORTADORAS ENTRE 2000 E 2019
Autores
  • Gabriel de Jesus Pereira
Modalidade
Artigo (Público Geral/Não Associados AKB) / Full papers (Non AKB members)
Área temática
Área 5. Comércio Internacional, Taxa de Câmbio e Desenvolvimento Econômico
Data de Publicação
26/10/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/akb2026-697763/1576694-analise-da-reprimarizacao-das-exportacoes-brasileiras-encadeamentos-e-empregos-das-atividades-exportadoras-entr
ISBN
978-65-272-2867-7
Palavras-Chave
reprimarização, exportações, emprego, encadeamentos
Resumo
A economia brasileira foi historicamente marcada por um direcionamento ao exterior. Essa inserção externa se deu pela exportação de produtos primários, característica que remonta ao período colonial e permanece até os dias atuais, refletindo uma trajetória fortemente vinculada à exploração de recursos naturais. O processo de industrialização ao longo do século XX, ao redirecionar o centro dinâmico da economia para dentro, favorecendo a diversificação da estrutura produtiva, promoveu o início de uma mudança relativa da pauta exportadora, com maior participação de bens manufaturados. No entanto, ao longo da década de 1990, houve um movimento de reversão dessa tendência, impulsionado pela abertura comercial e financeira com o objetivo de aumentar o fluxo de capitais. Em primeiro lugar, a indústria nacional se enfraqueceu, iniciando um processo de desindustrialização; em segundo, mecanismos de incentivo à exportação favoreciam bens primários. A partir dos anos 2000, o retorno ao padrão primário exportador se consolidou com o boom de preços das commodities causado pela reorganização do comércio internacional, especialmente pela ascensão da China, inclusive tornando-se o principal parceiro comercial do Brasil. A reprimarização das exportações é caracterizada pelo crescimento de bens primários na pauta exportadora em detrimento de produtos manufaturados. Nesse contexto, o trabalho propõe analisar os efeitos da reprimarização sobre os encadeamentos produtivos gerados pelas atividades exportadoras, o que permite observar a dimensão e as relações dos setores produtivos. Mais especificamente, o trabalho buscou investigar se a reversão da pauta exportadora para produtos primários implica uma redução da capacidade de dinamismo dessas atividades. Em relação aos empregos, é importante verificar se essa mudança qualitativa no conteúdo das exportações afeta a geração de postos de trabalho nas atividades produtivas. Nesse sentido, o objetivo do estudo foi analisar o processo de reprimarização das exportações brasileiras no período de 2000 a 2019, considerando três aspectos fundamentais: (i) a evolução da composição da pauta exportadora; (ii) os encadeamentos produtivos das atividades exportadoras; e (iii) os postos de trabalho gerados a partir das exportações. Assim, é possível não apenas descrever a mudança na composição das exportações, mas compreender seus efeitos sobre a dinâmica econômica interna. Foi utilizada uma abordagem de insumo-produto, que possibilita uma análise integrada das relações intersetoriais da economia. Foram estimados exclusivamente os encadeamentos produtivos, que refletem a capacidade de uma atividade de induzir demanda sobre os demais setores a montante, uma vez que se trata de atividades exportadoras. Para a análise dos empregos, adotou-se duas abordagens, conforme proposto por Castilho (2011), a primeira busca estimar os empregos gerados a partir das exportações de uma determinada atividade, a segunda capta os empregos gerados em cada atividade a partir das exportações totais. Também foram discutidos os multiplicadores de emprego. A base de dados para a pauta exportada é composta pelas estatísticas de comércio exterior do MDIC. Para os encadeamentos e estimação dos empregos, foram utilizadas as matrizes elaboradas pelo IBGE e as matrizes estimadas pelo GIC-IE/UFRJ, uma vez que os dados do IBGE estão disponíveis até 2015. Não foi considerado o ano de 2020 para evitar os efeitos da pandemia de Covid-19, que impactou severamente o comércio internacional. Desse modo, é possível uma análise consistente das transformações estruturais ocorridas. Os resultados evidenciam mudanças significativas na composição das exportações brasileiras ao longo do período. Observou-se um aumento expressivo da participação de atividades primárias, como o Cultivo de Cereais (predominantemente produtor de soja) e Extração de Petróleo e Minério de Ferro, enquanto atividades de manufatura perderam relevância, como aquelas associadas à produção de aviões e veículos. Além disso, verificou-se um aumento significativo no grau de concentração das exportações. Em 2000, as quatro principais atividades (Fabricação de Aviões, Fabricação de Ferro, Fabricação de Veículos e Extração de Minério de Ferro) representavam por volta de 25% do total exportado, em 2019 (Cultivo de Cereais, Processamento de carnes, Extração de Petróleo e Minério de Ferro) essa participação alcançou 44%, evidenciando maior dependência de um menor número de atividades, situação agravada pelas características dos mercados nos quais os produtos são comercializados a preços internacionalmente determinados. Do ponto de vista dos encadeamentos produtivos, os setores que passaram a liderar a pauta exportadora apresentam capacidade reduzida de dinamismo intersetorial quando comparados com aqueles do início do período. Considerou-se que valores abaixo de 2 indicam uma integração relativamente baixa com o restante da economia, em 2000, das quatro principais atividades, duas possuíam encadeamentos inferiores a 2 e eram responsáveis por 12,22% do total das exportações. Já em 2019, observou-se que das quatro principais atividades exportadoras no ano, três possuíam encadeamentos menores que 2 e eram responsáveis por 36,4% do total exportado. Isso sugere uma redução significativa do potencial de propagação dos efeitos das exportações sobre a economia doméstica. No que se refere aos empregos, nota-se um crescimento expressivo do número de postos de trabalho associados às exportações, uma variação de 64%. Na análise das ocupações geradas pela exportação de cada atividade, Agricultura (que inclui Cultivo de cereais) e Alimentos e Bebidas foram as atividades que mais cresceram em postos de trabalho. No entanto, enquanto a primeira elevou a participação na composição, a segunda caiu nesses termos. Um aspecto importante é a mudança na relação entre os empregos da Extração de Petróleo e Gás e do Refino de petróleo: no início do período, o refino concentrava cerca de nove vezes mais postos de trabalho que a extração; porém, com o aumento das exportações de petróleo bruto a partir de 2002, essa relação se inverteu. Em 2019, os empregos na extração cresceram muito mais do que no refino, tornando-se cerca de cinco vezes maior. Em relação as ocupações geradas pelo total exportado em cada atividade, a Agricultura também apresentou maior número de postos de trabalho. No entanto, é importante notar que, em relação à primeira abordagem, a proporção se reduziu. Em outras palavras, em 2000, a quantidade de empregos gerados pelas exportações da própria atividade representava aproximadamente metade daqueles gerados pelo total exportado na atividade. Já em 2019, essa relação diminuiu, indicando uma aproximação entre as duas dimensões, ou seja, as exportações da própria atividade passaram a ter peso relativamente maior na geração de empregos. Isso pode estar associado ao aumento das exportações de produtos com pouco ou nenhum processamento, o que faz com que os efeitos das exportações se concentrem mais diretamente na própria atividade. Por fim, os multiplicadores de emprego diminuíram entre 2000 e 2019, indicando aumento da produtividade. Apesar de possuir altos multiplicadores, ou seja, produtividade relativamente baixa, a Agricultura apresentou a maior queda, explicada principalmente pela mecanização. Em contraste, atividades manufatureiras, como aquelas ligadas à indústria automotiva, registraram pequeno aumento, sugerindo perda relativa de produtividade. Apesar dos ganhos de produtividade na Agricultura e da perda na Indústria Automotiva, comparativamente, a segunda ainda detém uma produtividade significativamente mais alta. Em conjunto com os resultados anteriores, tal evidência pode indicar que a qualidade dos empregos gerados pelas exportações declinou de forma geral, considerando que as atividades com maior produtividade pagam salários maiores. Em síntese, o trabalho conclui que a reprimarização pode ser danosa à economia brasileira. Por um lado, porque reforçar uma inserção externa menos diversificada, voltada a atividades primárias e, consequentemente, mais vulnerável às oscilações do comércio internacional. Por outro lado, a redução da capacidade de dinamismo intersetorial das atividades exportadoras inviabiliza que o setor externo contribua de maneira positiva para a economia interna.
Título do Evento
XIX Encontro da Associação Keynesiana Brasileira
Cidade do Evento
São Cristóvão
Título dos Anais do Evento
Anais do XIX Encontro da Associação Keynesiana Brasileira
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PEREIRA, Gabriel de Jesus. ANÁLISE DA REPRIMARIZAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS, ENCADEAMENTOS E EMPREGOS DAS ATIVIDADES EXPORTADORAS ENTRE 2000 E 2019.. In: Anais do XIX Encontro da Associação Keynesiana Brasileira. Anais...Aracaju(SE) Hotel Del Mar, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/akb2026-697763/1576694-ANALISE-DA-REPRIMARIZACAO-DAS-EXPORTACOES-BRASILEIRAS-ENCADEAMENTOS-E-EMPREGOS-DAS-ATIVIDADES-EXPORTADORAS-ENTR. Acesso em: 06/11/2026

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