DESIGUALDADE ESPACIAL NO NORDESTE: UMA DECOMPOSIÇÃO A PARTIR DO ÍNDICE DE THEIL

Publicado em 26/10/2026 - ISBN: 978-65-272-2867-7

Título do Trabalho
DESIGUALDADE ESPACIAL NO NORDESTE: UMA DECOMPOSIÇÃO A PARTIR DO ÍNDICE DE THEIL
Autores
  • Matheus Rocha Soares Dias
Modalidade
Resumo Expandido (Público Geral/Não Associados AKB) / Extended Abstracts (Non AKB members)
Área temática
Área 1. Desigualdades: Regiões, Renda, Gênero e Raça
Data de Publicação
26/10/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/akb2026-697763/1574940-desigualdade-espacial-no-nordeste--uma-decomposicao-a-partir-do-indice-de-theil
ISBN
978-65-272-2867-7
Palavras-Chave
Desigualdade, Economia Regional, Nordeste
Resumo
INTRODUÇÃO, PROBLEMA DE PESQUISA E OBJETIVO: O Brasil sempre foi marcado pela desigualdade de renda. Pesquisas precursoras, realizadas em meados da década de 1970, já indicavam a profunda desigualdade na distribuição de renda interpessoal do país, que no final da década de 1980 chegou ao ápice da série histórica. A partir de 1993, a desigualdade se manteve relativamente estável e, na virada do século, entra em uma trajetória de queda sustentada e significativa. Esse resultado foi possível somente graças à estabilidade macroeconômica provida pelo Plano Real aliado à expansão do aparato de proteção social e da continuada política de valorização do salário mínimo. Recentemente, a trajetória da desigualdade foi fortemente impactada pela pandemia da covid-19 em 2020 e da criação de novas formas de proteção social. Essas novas políticas sociais foram continuadas após o fim da pandemia em menor escala e sob nova roupagem, mas continuam a impactar a desigualdade. Apesar de a desigualdade interpessoal de renda ser, usualmente, o foco das análises, é evidente que, em um país tão desigual e grande quanto o Brasil, a disparidade espacial ou geográfica de renda constitui outro objeto de estudo importante. Conforme vastamente abordado na literatura de desenvolvimento econômico, a simultaneidade de uma urbanização acelerada com um processo de industrialização limitado resultou em baixa densidade econômica e elevada concentração espacial da produção. No entanto, uma análise feita inteiramente a nível nacional tende a ocultar particularidades regionais que persistem. No caso do Nordeste brasileiro, a desigualdade assume contornos geográficos específicos, onde o fosso entre o urbano e o rural cria uma dinâmica de concentração de renda que desafia o padrão nacional. A persistência dessa desigualdade espacial sugere que as estruturas produtivas operam de forma diferenciada no território. Assim, torna-se imperativo investigar não apenas o "quanto" a renda é desigual, mas "onde" essa desigualdade se origina e como as divisões administrativas e territoriais contribuem para o cenário agregado da região. Nessa ótica, o objetivo do presente estudo é analisar a desigualdade espacial de renda por meio da desagregação do índice de entropia de Theil (Theil-T) para o período de 2012-2024, com especial foco no subperíodo 2019-2024, através dos microdados da PNAD Contínua. O foco do trabalho é a desigualdade entre áreas rurais e urbanas nos estados do Nordeste e seus efeitos na desigualdade entre os estados da região. A efeito de ilustração, em 2024 a desigualdade de renda entre domicílios rurais e urbanos no Nordeste, medida pelo Theil-T, foi sete vezes maior do que a desigualdade da região Centro-Oeste e quatro vezes maior que a região Sul. Apesar de significativa, a disparidade rural/urbana no Nordeste tem diminuído de forma consistente desde 2019. Em 2012, no começo da série histórica da PNAD Contínua, essa disparidade equivalia a 5,21% da desigualdade total da região, caindo para 4,86% em 2019 e para 2,41% em 2024. Essa redução acentuada no Nordeste entre 2019-2024 contribuiu para a queda observada no país, onde a desigualdade entre áreas rurais e urbanas recuou de 3,07% para 1,65% – da desigualdade total – entre 2012-2024. No período de queda, 2019-2024, outras medidas de desigualdade também decaíram. No que tange a desigualdade entre os estados do Nordeste, sua participação em relação ao total saiu de 1,23% para 0,82%. Para a desigualdade interpessoal de renda no Nordeste, medida pelo Theil-T, a queda foi de 0,629 para 0,505. Dada a conjuntura descrita acima, surgem duas questões relevantes: (I) o que motivou a queda expressiva da participação da desigualdade entre os domicílios rurais e urbanos na região Nordeste? (II) qual o efeito do declínio das desigualdades entre estados e entre domicílios rurais e urbanos na queda da desigualdade interpessoal no Nordeste? METODOLOGIA: A metodologia do trabalho sustenta-se na decomposição do índice de entropia de Theil. Na física, a entropia representa o nível de desordem de um sistema. No estudo da desigualdade, pode-se traduzir o conceito de entropia para mensurar o nível de desigualdade de uma distribuição genérica. Desse modo, ao aplicar o conceito de distribuição de renda de um país, seja entre indivíduos ou regiões, temos um indicador de desigualdade de renda. A escolha deste indicador, em detrimento de outros mais usuais como o coeficiente de Gini, justifica-se por sua propriedade de decomponibilidade aditiva. Isso significa que, ao agrupar rendas individuais, é possível explorar a capacidade do índice de ser fracionado em componentes exaustivos, o que permite isolar a parcela da desigualdade que advém das diferenças de renda média entre grupos (desigualdade entre) daquela que ocorre dentro de cada subgrupo (desigualdade dentro). No caso de agrupamentos geográficos mutuamente exclusivos, pode-se, por exemplo, agrupar as rendas em relação ao estado proveniente. Assim, chegamos ao valor que reflete a desigualdade observada tanto no interior dos estados (intra-estadual) quanto na comparação entre eles (interregional). Como a decomposição é aditiva, ao somar os dois valores, o resultado é o indicador total, no caso de nosso exemplo, o Theil-T para o Brasil. A mesma lógica se segue para agrupamentos com base na região ou tipo de domicílio (rural e urbano). Além da decomposição tradicional, é possível calcular uma decomposição em dois estágios. Esse método se utiliza de uma hierarquia geográfica para a realização da decomposição. No caso deste trabalho, utiliza-se a hierarquia Nordeste-Estados-Domicílios (rurais/urbanos). Desse modo, temos que a desigualdade total da região Nordeste pode ser desagregada em três parcelas: a desigualdade entre os estados, a desigualdade entre domicílios rurais e urbanos em seus respectivos estados e a desigualdade dentro dos grupos rurais e urbanos. Assim, torna-se viável a análise dos impactos da queda da desigualdade rural-urbana na desigualdade total de renda no Nordeste. PRINCIPAIS RESULTADOS: Quanto à decomposição do Theil-T com base em recorte geográfico para o Brasil, foi calculada a série 2012-2024 para a participação das desigualdades inter-regional, interestadual e entre domicílios rurais e urbanos. Em referência ao Nordeste, para o mesmo período, foi calculada a desigualdade entre domicílios rurais e urbanos para todos os estados da região. Na investigação dos determinantes da queda desse tipo de desigualdade no Nordeste, foram calculadas a participação e a taxa de variação das 9 diferentes fontes de renda discriminadas pela PNAD Contínua. Como resultado tem-se que a partir do ano de 2020, os domicílios rurais no Nordeste se beneficiaram das políticas de transferência de renda adotadas na pandemia ou reforçadas após a pandemia, como é o caso do Programa Bolsa Família. As políticas de transferências de renda se mostram essenciais na diminuição das desigualdades geográficas no Brasil desde o início dos anos 2000. Embora o desenho institucional das políticas de transferência de renda no Brasil seja espacialmente neutro (não se baseando em condicionantes geográficos ex ante), a sua incidência territorial revela um forte caráter redistributivo espacial. Dada a densidade de domicílios em situação de vulnerabilidade e a estrutura do mercado de trabalho em zonas rurais, o Nordeste acaba por absorver uma parcela significativa desses recursos, o que atua como um estabilizador automático da renda regional em períodos de choque, como observado na pandemia. Apesar do valor relativamente baixo do benefício, seu caráter pró-pobre, ou seja, o fato de que é uma transferência de renda diretamente para a base da distribuição, faz com que seu impacto nos indicadores de desigualdade seja significante. Desse modo, os programas tiveram impacto progressivo tanto na desigualdade dentro das regiões rurais, quanto entre regiões rurais e urbanas. Para a análise do impacto da queda das desigualdades entre estados e entre domicílios rurais e urbanos na queda da desigualdade interpessoal no Nordeste, ainda resta a desagregação do Theil-T em dois estágios.
Título do Evento
XIX Encontro da Associação Keynesiana Brasileira
Cidade do Evento
São Cristóvão
Título dos Anais do Evento
Anais do XIX Encontro da Associação Keynesiana Brasileira
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

DIAS, Matheus Rocha Soares. DESIGUALDADE ESPACIAL NO NORDESTE: UMA DECOMPOSIÇÃO A PARTIR DO ÍNDICE DE THEIL.. In: Anais do XIX Encontro da Associação Keynesiana Brasileira. Anais...Aracaju(SE) Hotel Del Mar, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/akb2026-697763/1574940-DESIGUALDADE-ESPACIAL-NO-NORDESTE--UMA-DECOMPOSICAO-A-PARTIR-DO-INDICE-DE-THEIL. Acesso em: 06/11/2026

Trabalho

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