POLÍTICA DE JUROS E DINÂMICA EMPREENDEDOR–RENTISTA EM UM MODELO KALECKIANO COM DÍVIDA PÚBLICA

Publicado em 26/10/2026 - ISBN: 978-65-272-2867-7

Título do Trabalho
POLÍTICA DE JUROS E DINÂMICA EMPREENDEDOR–RENTISTA EM UM MODELO KALECKIANO COM DÍVIDA PÚBLICA
Autores
  • Julio Fernando Costa Santos
  • Carlos Eduardo Drumond
  • Hiroyuki Yoshida
Modalidade
Resumo Expandido (para Associados AKB) / Extended Abstracts (AKB members)
Área temática
Área 6. Economia Monetária e Financeira e Dinâmica Inflacionária
Data de Publicação
26/10/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/akb2026-697763/1573606-politica-de-juros-e-dinamica-empreendedorrentista-em-um-modelo-kaleckiano-com-divida-publica
ISBN
978-65-272-2867-7
Palavras-Chave
Kaleckian macroeconomics, modified Taylor rule, public debt, satisficing dynamics, capitalist heterogeneity
Resumo
Este artigo investiga as condições de estabilidade macroeconômica em uma economia kaleckiana marcada por excesso persistente de capacidade produtiva, inflação por conflito distributivo, dívida pública explícita e heterogeneidade no comportamento dos capitalistas. O ponto de partida é a constatação de que a taxa de juros, em modelos heterodoxos de inspiração Kalecki-Keynes, não pode ser interpretada apenas como instrumento de política monetária destinado ao controle da inflação. Ela também constitui o retorno real dos títulos públicos, afeta o custo de financiamento do investimento produtivo, altera a dinâmica da dívida e influencia a escolha entre condutas empresariais e rentistas. Desse modo, a política monetária baseada em regras de juros deve ser analisada como parte de um sistema mais amplo de interações reais, financeiras, fiscais e comportamentais. O modelo desenvolvido combina quatro elementos centrais. Primeiro, adota-se uma estrutura de demanda efetiva, na qual a utilização da capacidade produtiva se ajusta no curto prazo para equilibrar investimento e poupança agregada. Segundo, a acumulação de capital segue uma especificação híbrida Kalecki-Keynes: responde positivamente à utilização e à lucratividade distributiva, mas negativamente à taxa real de juros, que representa tanto custo financeiro quanto alternativa de aplicação em títulos públicos. Terceiro, a inflação é modelada como resultado de conflito distributivo, associando pressões salariais, utilização da capacidade e mark-up das firmas. Quarto, a economia incorpora uma distinção entre empreendedores, que realizam investimento produtivo, e rentistas, que mantêm sua riqueza sob a forma de títulos públicos. A análise é organizada em três horizontes. No curto prazo, a composição da classe capitalista, a dívida e a taxa de juros são tomadas como dadas, enquanto a utilização da capacidade se ajusta ao equilíbrio do mercado de bens. Essa etapa permite mostrar que os efeitos da taxa de juros sobre a demanda são ambíguos. Por um lado, juros mais altos reduzem o investimento produtivo. Por outro, quando há dívida pública e a renda de juros recebida pelos rentistas não é integralmente poupada, o pagamento de juros pode gerar um efeito expansionista sobre a demanda agregada. No caso de referência em que toda a renda capitalista é poupada, esse canal rentista se neutraliza e a taxa de juros torna-se inequivocamente contracionista. No médio prazo, a taxa real de juros e a razão dívida pública-capital tornam-se variáveis dinâmicas. A autoridade monetária ajusta os juros em resposta aos desvios da inflação em relação à meta, enquanto a dívida evolui de acordo com o déficit primário, os pagamentos de juros aos rentistas e o crescimento do estoque de capital. Nessa configuração, a estabilidade depende de uma margem crescimento-juros: a acumulação produtiva precisa ser suficientemente forte para compensar o custo dos juros sobre os títulos públicos. Assim, a dívida não é instável por definição, mas sua sustentabilidade depende da relação entre investimento, composição de classe, tributação e serviço da dívida. No longo prazo, a composição da classe capitalista passa a ser endógena. Em vez de uma dinâmica replicadora baseada na imitação automática da estratégia mais rentável, o artigo propõe uma regra de satisficing. Os capitalistas comparam retornos empreendedores e rentistas com níveis de aspiração e ajustam gradualmente sua conduta. Essa formulação permite que empreendedores e rentistas coexistam no equilíbrio sem exigir igualdade exata entre retornos produtivos e financeiros. A participação empreendedora torna-se, portanto, uma variável de estado influenciada pela própria taxa de juros usada para estabilizar a inflação. O resultado principal é que uma regra de juros do tipo Taylor modificada não é automaticamente estabilizadora nem necessariamente desestabilizadora. Sua eficácia depende de duas margens estruturais. A primeira é a margem da dívida, que requer que a acumulação produtiva domine o peso dos juros pagos aos rentistas. A segunda é a margem monetária-comportamental, que exige que o efeito contracionista dos juros sobre o investimento seja suficientemente forte para conter a amplificação gerada pela mudança satisficing entre condutas empreendedoras e rentistas. Quando ambas são positivas, o equilíbrio interior é localmente estável; quando uma delas falha, a política monetária pode reforçar a financeirização rentista, deteriorar a dinâmica da dívida e afastar a economia de uma trajetória estável de acumulação. A contribuição do artigo consiste em mostrar que a estabilização monetária em uma economia kaleckiana depende de condições estruturais que ultrapassam a simples resposta dos juros à inflação. Uma política de juros viável requer compatibilidade entre serviço da dívida, investimento produtivo, conflito distributivo e composição comportamental da classe capitalista. Nesse sentido, a “eutanásia do rentista” não aparece como consequência automática de baixos juros ou da ação da autoridade monetária, mas como uma possibilidade dinâmica condicionada pela capacidade do sistema de sustentar a acumulação produtiva sem reproduzir incentivos persistentes à conduta rentista.
Título do Evento
XIX Encontro da Associação Keynesiana Brasileira
Cidade do Evento
São Cristóvão
Título dos Anais do Evento
Anais do XIX Encontro da Associação Keynesiana Brasileira
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTOS, Julio Fernando Costa; DRUMOND, Carlos Eduardo; YOSHIDA, Hiroyuki. POLÍTICA DE JUROS E DINÂMICA EMPREENDEDOR–RENTISTA EM UM MODELO KALECKIANO COM DÍVIDA PÚBLICA.. In: Anais do XIX Encontro da Associação Keynesiana Brasileira. Anais...Aracaju(SE) Hotel Del Mar, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/akb2026-697763/1573606-POLITICA-DE-JUROS-E-DINAMICA-EMPREENDEDORRENTISTA-EM-UM-MODELO-KALECKIANO-COM-DIVIDA-PUBLICA. Acesso em: 06/11/2026

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