CUSTO DA BAIXA ENTROPIA COMO FATOR LIMITANTE DO SISTEMA ECONÔMICO-ECOLÓGICO

Publicado em 05/11/2025 - ISBN: 978-65-272-1821-0

DOI
10.29327/9786527218210.1206453  
Título do Trabalho
CUSTO DA BAIXA ENTROPIA COMO FATOR LIMITANTE DO SISTEMA ECONÔMICO-ECOLÓGICO
Autores
  • João Pereira dos santos
  • Evellyn Aragão Monteiro
Modalidade
Artigo (para Associados AKB)
Área temática
Área 8. Economia Ecológica e Sustentabilidade
Data de Publicação
05/11/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/akb2025/1206453-custo-da-baixa-entropia-como-fator-limitante-do-sistema-economico-ecologico
ISBN
978-65-272-1821-0
Palavras-Chave
Entropia; Resiliência; Estabilidade; Instituição; Sistemas
Resumo
1. Introdução A indústria manufatureira ou de transformação é o segmento do setor industrial que envolve maior complexidade tecnológica, que possibilita e promove a disseminação do maior conteúdo de progresso técnico aos demais setores da economia e que participa com maior peso no valor adicionado do setor industrial (em torno de 58,29% no Brasil em 2024). Além de ser o principal vetor das políticas de desenvolvimento (Cano, 2014). Embora a industrialização seja a essência do desenvolvimento rápido que conduz a rendimentos per capta elevados, a indústria de manufatura ou de processamento consiste no consumo de reservas de recursos não renováveis. Nas palavras de Kaldor (1989, p. 346) "a indústria depende de suprimentos que são produtos da Natureza - amplamente agricultura e mineração - porque a atividade industrial consiste em processar os produtos brutos da natureza”. Assim sendo, o estoque de recursos não renováveis do mundo é um fator que acaba limitando as rendas reais dos países que os utilizam em suas indústrias de transformação. À medida que os recursos de melhor qualidade mais prontamente disponíveis são utilizados primeiro e diminuem gradualmente, mais capital é necessário para extrair a mesma quantidade de recursos da terra. Em seguida, quando esses recursos são esgotados a extração move-se para recursos de qualidade mais baixa, de localização mais distante, mais profundos na terra ou, de qualquer outra maneira, mais caros, em termos dos insumos adicionais necessários para convertê-los em bens intermediários úteis e assim a eficiência do capital diminui (ou seja, mais capital é necessário para produzir uma determinada quantidade de bens acabados) (Georgescu-Roegen, 2012; Meadows et al, 1972) Em condições capitalistas, a decisão de ampliação da produção de matérias primas importantes (como o cobre, por exemplo) é cercada de incerteza pois requer investimento em novas minas com um longo período de gestação. “No caso de materiais rapidamente esgotáveis, como o petróleo, também requer uma decisão (que certamente não é tomada automaticamente pelo mercado) de até que ponto o crescimento do consumo atual deve ser contido em prol do futuro” (Kaldor, 1989, p. 349). A projeção do Clube de Roma era que “dada a taxa de consumo atual de recursos e o aumento projetado dessas taxas, a grande maioria dos recursos não renováveis importantes atualmente serão extremamente custosos daqui a 100 anos”, a ponto de a obtenção de uma unidade adicional de energia exigir o uso de essencialmente toda a energia (Meadows et al, 1972, p. 66). Para reduzir a dependência da indústria de recursos não-renováveis escassos, segundo Kaldor (1989, p. 346), nos últimos duzentos anos houve uma grande aceleração do progresso tecnológico que resultou em rápido crescimento populacional e grande acumulação de capital. Ainda segundo ele, o progresso tecnológico é basicamente de dois tipos; ele economiza trabalho ou economiza terra (ou, mais precisamente, economiza recursos naturais). A maioria das invenções tende a ter elementos de ambos. Em países industriais avançados, as invenções poupadoras de recursos naturais demonstraram uma notável capacidade de baratear a extração de recursos naturais, facilitar a descoberta de recursos anteriormente desconhecidos, e possibilitar a substituição dos recursos que ficaram mais caros por outros insumos. Por outro lado, nos países de industrialização em desenvolvimento predominaram as inovações poupadoras de mão-de-obra que ocasionaram desemprego e redução da renda. Por sua vez, Prebisch (1949) defendeu que a deterioração dos termos de intercâmbio entre o centro e a periferia provinha dos diferentes ganhos de produtividade entre ambos os polos. Do lado dos “países industrializados os ganhos de produtividade se transformam em suplementos de salário, de tal forma que os preços são mantidos ou elevados, já nas economias subdesenvolvidas os ganhos de produtividade se transformam em reduções de preços” (Romo, 2007, p. 299). Ademais, segundo Prebisch (1959), a desigual difusão do progresso técnico gerou grandes disparidades nas densidades tecnológicas dos bens produzidos no centro e na periferia pressionando os preços de exportação e deteriorando os termos de troca dos países periféricos em processo de crescimento. Por sua vez, Saes (2018) afirma que cada país possui suas respectivas necessidades de consumo, tanto materiais como energéticos para seu processo de desenvolvimento econômico. Países desenvolvidos e industrializados necessitam muito mais de insumos para suas atividades se comparados à países em que suas economias orbitam no âmbito do primeiro setor, ocorrendo assim “um fluxo assimétrico de recursos biofísicos em direção a países que já apresentam um padrão de consumo elevado” (SAES, 2018, p. 10). De fato, segundo Meadows et al (1972, p. 73), “há, no entanto, outro efeito colateral do uso de energia, que é independente da fonte de combustível. Pelas leis da termodinâmica, essencialmente toda a energia usada pelo homem deve ser dissipada como calor”. Dessa maneira, o calor gerado pelo uso de combustíveis fósseis resultará no aquecimento da atmosfera. O calor residual atmosférico ao redor das cidades causa a formação de "ilhas de calor" urbanas, dentro das quais ocorrem muitas anomalias meteorológicas. A poluição térmica pode ter sérios efeitos climáticos, em todo o mundo, quando atinge alguma fração apreciável da energia normalmente absorvida do sol pela Terra. (Meadows et al, 1972, p. 73-74). Por sua vez, Minsky (1982) afirma que em uma economia monetária de produção, preços, produto e emprego são determinados pela condição de igualdade entre lucros e investimentos. A decisão de investimento depende do bem de capital que é financiado. A aplicação em um bem de capital, por sua vez, depende de um excesso do preço de demanda por investimento, obtido a partir do mercado de ativos de capital, em relação ao preço de oferta da produção de bens de investimento, que depende dos custos do financiamento que deve ser assumido se a produção for produzida e a mão de obra for contratada (Minsky, 1982; 1986). Em contraposição, Georgescu-Roegen (1978, 2012) critica a aplicação do princípio de descontar o futuro sobre uma economia de recursos insubstituíveis. Em sua opinião, cada geração pode utilizar tantos recursos terrestres e produzir tanta poluição quanto sua oferta decidir. Entretanto, as gerações futuras mais distantes ficam excluídas do mercado atual pela simples razão de não poderem estar presentes. Ao invés do desejo de maior lucro possível, “nossa política em relação aos recursos naturais em relação às gerações futuras deve buscar minimizar os arrependimentos. É precisamente porque sempre maximizámos a utilidade que em breve iremos lamentar profundamente a nossa política passada” (Georgescu-Roegen (1978, p. 167). Dessa forma, os conflitos de interesse surgem em todos os pontos onde a escassez de recursos coloca seus limites de oportunidade sobre o indivíduo. A vontade humana, em ação no meio de um conflito de interesses por um produto escasso, resulta nas transações estratégicas ou de rotina (COMMONS, 1934). Em um going concern, às vezes o indivíduo não usa o intelecto para criar uma ideia sobre as palavras que lhe são dirigidas por outro indivíduo em uma transação, mas sim, age sem pensar, baseado em premissas que ele toma como certas. Neste caso, ele realiza transações de rotina. Entretanto, quando em um going concern começa a haver desconfiança por parte de um indivíduo de que as promessas de outro indivíduo não estão de acordo com a opinião coletiva, significa que um “fator limitante surge e vai ao contrário do que ele estava esperando habitualmente” (COMMONS, 1934, p. 698, tradução nossa). Chame-se a disputa pelo controle do fator limitante de transação estratégica. Desse modo, os indivíduos realizam transações de rotina na certeza de que ambas as partes cumprirão o prometido no contrato, não importando se os termos do acordo estão certos ou errados. Mas pode ocorrer o caso de um indivíduo ficar desconfiado de que outro indivíduo esteja tomando a sua propriedade em uma negociação baseada nas premissas habituais. Neste caso, é necessário que o arbitrador defina, em uma transação estratégica, o que é certo ou errado (working rules) em relação as suposições habituais dos negociadores, de acordo com o costume. Diante do exposto, pode-se destacar que a escassez de baixa entropia e a escassez de capital são categorias importantes na construção de uma teoria e precificação de ativos de capital. Entretanto, a teoria de precificação de ativo de Keynes considera a taxa de juros e a taxa de juros como fatores limitantes do progresso capitalista e abstrai a realidade de que a escassez de recursos naturais limita a renda capitalista. Em razão da degradação dos recursos naturais impulsionada pelo sistema capitalista, o principal objetivo deste trabalho é apresentar uma proposta de precificação de ativos de capital em que o custo da baixa entropia é o fator limitante das decisões estratégicas de investimento de longo prazo e a taxa de juros e a taxa de lucros são fatores complementares. Metodologicamente este trabalho utiliza o conceito de fatores limitantes e complementares de John R. Commons (1934), o conceito de sistema aberto de Scheila Dow (2005), a teoria da precificação de ativos de Capital de John M. Keynes (1936) e a economia ecológica de Nicholas Georgescu-Reogen. Por fim, espera-se que a precificação de ativos de capital inclua a realidade da degradação dos recursos naturais e os planos governamentais de longo prazo levem consideração a estabilidade do sistema econômico-ecológico.
Título do Evento
XVIII Encontro da Associação Keynesiana Brasileira
Cidade do Evento
Curitiba
Título dos Anais do Evento
Anais do XVIII Encontro da Associacão Keynesiana Brasileira
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

SANTOS, João Pereira dos; MONTEIRO, Evellyn Aragão. CUSTO DA BAIXA ENTROPIA COMO FATOR LIMITANTE DO SISTEMA ECONÔMICO-ECOLÓGICO.. In: Anais do XVIII Encontro da Associacão Keynesiana Brasileira. Anais...Curitiba(PR) SCSA/UFPR, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/akb2025/1206453-CUSTO-DA-BAIXA-ENTROPIA-COMO-FATOR-LIMITANTE-DO-SISTEMA-ECONOMICO-ECOLOGICO. Acesso em: 09/06/2026

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