O EFEITO DA INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTE SOBRE AS EXPORTAÇÕES E DÉFICITS COMERCIAIS: UMA ANÁLISE PARA OS ESTADOS BRASILEIROS

Publicado em 02/12/2024 - ISBN: 978-65-272-0872-3

Título do Trabalho
O EFEITO DA INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTE SOBRE AS EXPORTAÇÕES E DÉFICITS COMERCIAIS: UMA ANÁLISE PARA OS ESTADOS BRASILEIROS
Autores
  • Alana Marinho Feitosa
  • Jefferson Fraga
Modalidade
Artigo (não associado AKB)
Área temática
Área 5. Economia internacional
Data de Publicação
02/12/2024
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/akb2024/895447-o-efeito-da-infraestrutura-de-transporte-sobre-as-exportacoes-e-deficits-comerciais--uma-analise-para-os-estados-
ISBN
978-65-272-0872-3
Palavras-Chave
Infraestrutura, Exportação, Déficit comercial
Resumo
Alana Marinho Feitosa† Jefferson S. Fraga †† † Graduanda em economia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), Aracaju, SE, Brasil. E-mail: alanaeconomicas@gmail.com. ††Professor Associado da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Aracaju, SE, Brasil. E-mail: jsfraga@academico.ufs.br. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5203-1755. Resumo Este artigo investiga o efeito do investimento público em infraestrutura de transportes sobre exportações e déficits comerciais para os estados brasileiros e o Distrito Federal, no período 2001- 2020, empregando o GMM-System. I Introdução A manutenção de um estoque adequado de infraestrutura é fundamental para facilitar o comércio e mitigar os déficits comerciais. A infraestrutura eficiente de transporte é essencial para reduzir custos de transação, aumentar a competitividade das exportações e, consequentemente, melhorar o saldo comercial de um país ou região (Resende et al., 2021). Logo, sua disponibilidade permite a conectividade e o crescimento do comércio entre as economias, no entanto, a sua falta promove efeito contrário. Hoekman e Nicita (2008) estimaram que uma redução de 10% nos custos de transporte aumenta o comércio em 6%; já, um crescimento de 10% no investimento geral em infraestrutura alavanca em 5% as exportações destes países. Contudo, a falta de infraestrutura aumenta o custo de produção, reduz a lucratividade e a atividade econômica. As melhorias na infraestrutura de transporte não apenas facilitam o fluxo de mercadorias e serviços, mas também contribuem para a diversificação da pauta exportadora e para a inserção competitiva do país no comércio internacional. De outro modo, melhores redes de transporte aumentam a produtividade e ajudam um país a conectar-se à economia internacional a custos menores (Donaubauer et al., 2018). Portanto, para o contexto brasileiro, essa relação é particularmente relevante devido à vasta extensão territorial e às disparidades regionais em termos de desenvolvimento econômico, de infraestrutura, além da deficiência acentuada desta infraestrutura, conforme apontado em Fraga e Resende 2023. No Brasil, a infraestrutura de transporte tem apresentado desafios significativos que variam entre as diferentes regiões do país. Enquanto algumas regiões, como o Sul e o Sudeste, possuem uma infraestrutura relativamente desenvolvida e diversificada, outras áreas ainda enfrentam sérias deficiências que limitam seu potencial exportador e aumentam seus custos de produção. Dessa forma, fica claro que a baixa taxa de investimento no país e a concentração em setores específicos são reconhecidas como fatores limitantes para o desenvolvimento econômico. Esses desafios sublinham a necessidade de explorar estratégias que possam estimular o crescimento. Portanto, é essencial investigar o efeito da infraestrutura de transporte tanto nas exportações, quanto no déficit comercial para os estados brasileiros. Além disso, as disparidades na infraestrutura de transporte entre as regiões do Brasil também é um ponto relevante a ser investigado, pois revelam desafios dos policy makers para o desenvolvimento econômico. A hipótese central deste estudo é que um aumento significativo no investimento em infraestrutura de transporte está correlacionado positivamente com o aumento das exportações e a redução dos déficits comerciais nos estados brasileiros. A melhoria na infraestrutura de transporte é esperada não apenas por facilitar o fluxo de mercadorias e reduzir os custos logísticos, mas também por fortalecer a competitividade das exportações. Este resumo está estruturado da seguinte forma. Na seção II será discutida o problema de pesquisa. A seção III detalha os objetivos. A seção IV metodologia. Por fim, na seção IV, serão expostos os principais resultados. II Problema da Pesquisa e objetivos Embora a importância da infraestrutura seja amplamente reconhecida, o Brasil enfrenta desafios significativos nesta área. Estudos destacam que a infraestrutura de transporte na América Latina, incluindo o Brasil, é frequentemente insuficiente para atender às crescentes demandas do comércio internacional. Essa insuficiência resulta em gargalos logísticos, que elevam os custos operacionais e reduzem a competitividade das exportações brasileiras. Logo, este estudo torna-se ainda mais importante quando são consideradas as disparidades regionais. O objetivo geral deste trabalho é buscar entender o efeito da infraestrutura de transporte nas exportações e no déficit comercial dos estados brasileiros para os anos de 2001 a 2020, com um foco especial nas disparidades regionais e no impacto das melhorias na infraestrutura sobre o comércio internacional e o equilíbrio econômico. III Fonte dos dados e Metodologia Para estimar o efeito da infraestrutura sobre o comércio exterior dos estados brasileiros e do distrito no período de 2001 a 2020, utilizamos as seguintes variáveis e suas respectivas fontes de dados: exportações e déficit comercial em reais constantes (dados do WDI), investimento em infraestrutura de transporte, PIB per capita e taxa de câmbio (IPEA), rendimento escolar como meedida do capital humano e taxa de escolarização como indicador de qualidade institucional (extraídos do IBGE). o GMM (Generalized Method of Moments) foi escolhido como metodologia principal devido à sua eficácia em lidar com problemas de endogeneidade e heterogeneidade, especialmente em estudos com dados de painéis curtos, como os disponíveis neste trabalho, que cobrem o período de 2021. IV Principais Resultados 4.2 Análise Descritiva A partir da apresentação dos dados, observou-se que a distribuição média das importações e das exportações por estado no Brasil. Para ambas as variáveis, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná juntos representam mais de 50% do total, em comparação aos outros estados brasileiros. São Paulo, por sua vez, se destaca de forma significativa, com 38% das importações e 29,11% das exportações. Este destaque reforça a posição de São Paulo como o principal centro econômico do país, devido à sua infraestrutura avançada e capacidade industrial. O Rio de Janeiro também mostra relevância, contribuindo com 10,24% das importações e 10,36% das exportações, enquanto Minas Gerais participa 5,92% das importações e 12,02% das exportações. Observou-se também a correlação positiva entre o investimento em infraestrutura e desempenho comercial nos estados. Esses dados refletem uma concentração das atividades econômicas nos estados Sul e Sudeste do país, regiões com melhor infraestrutura. Isso evidencia a importância dos investimentos em infraestrutura, dado que a sua melhoria não apenas facilita o fluxo de mercadorias, mas também potencializa a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. 4.1 Análise Econométrica Os resultados do GMM-System comprovam a hipótese de que há uma relação significativa entre a infraestrutura de transporte e as variáveis de interessem (exportações e déficit comercial). Os dados demonstram que um aumento de 1% nos investimentos de infraestrutura está associado a um aumento aproximado de 0,17% nas exportações dos estados brasileiros e um aumento em média de 0,034% nos déficits comerciais, no entanto, sendo o efeito absoluto sobre as exportações. O que nos indica que um melhor acesso aos mercados pode ajudar a equilibrar o comércio exterior para os estados brasileiros. A desvalorização cambial promove aumento nas exportações e reduções no déficit comercial dos estados, o crescimento da renda promove o mesmo impacto. O teste de Arellano-Bond, por exemplo, mostra que não há problemas de autocorrelação de segunda ordem, além disso, os testes de Sargen e Hansen indicam que os conjuntos dos instrumentos utilizados são válidos. V Considerações finais Nossos resultados sugerem que os investimentos públicos em infraestrutura de transporte são importantes para a expansão do comércio e redução dos déficits comerciais para os estados brasileiros. Referências Fraga, J. S.; Resende, M. F. C. Infraestrutura, expectativas e investimento: evidências empíricas para a América Latina. Economia e Sociedade, v. 32, n. 1 (77), p. 79-102, janeiro-abril 2023. Donaubauer J, Glas A, Meyer B, Nunnenkamp P (2018) Disentangling the impact of infrastructure on trade using a new index of infrastructure. Rev World Econ. 154:745–784. Hoekman B, Nicita A (2008) Trade policy, trade costs and developing country trade. World Bank Policy Research Working Paper Series No. 4797. World Bank, Washington, DC. Resende, M. F. C.; Fraga, J. S.; Strachaman, E.. (2021) Eduardo Strachman Infraestrutura, exportações e déficit comercial: evidências empíricas para países da América Latina. In: 49° Encontro Nacional de Economia. Area 7: Economia internacional.
Título do Evento
XVII Encontro da Associação Keynesiana Brasileira
Cidade do Evento
Maceió
Título dos Anais do Evento
Anais do XVII Encontro da Associação Keynesiana Brasileira
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FEITOSA, Alana Marinho; FRAGA, Jefferson. O EFEITO DA INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTE SOBRE AS EXPORTAÇÕES E DÉFICITS COMERCIAIS: UMA ANÁLISE PARA OS ESTADOS BRASILEIROS.. In: Anais do XVII Encontro da Associação Keynesiana Brasileira. Anais...Maceió(AL) FEAC-UFAL, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/akb2024/895447-O-EFEITO-DA-INFRAESTRUTURA-DE-TRANSPORTE-SOBRE-AS-EXPORTACOES-E-DEFICITS-COMERCIAIS--UMA-ANALISE-PARA-OS-ESTADOS-. Acesso em: 07/06/2026

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