O TOMBAMENTO DO TEATRO OFICINA (1980–1984): A CONSERVAÇÃO COMO PROCESSO CULTURAL DINÂMICO

Publicado em 30/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2357-3

Título do Trabalho
O TOMBAMENTO DO TEATRO OFICINA (1980–1984): A CONSERVAÇÃO COMO PROCESSO CULTURAL DINÂMICO
Autores
  • Malu Rodrigues Kühl
  • André Augusto de Almeida Alves
  • Aline Passos Scatalon
  • Annabia Ferreira Sperandio
Modalidade
ARTIGO
Área temática
4. As Perspectivas da conservação desde o Sul Global: Patrimônio para todos: democracia e justiça social / Reflexões sobre patrimônio: narrativas plurais e memórias silenciadas / Novas perspectivas e abordagens na gestão, valorização e conservação do patrimônio.
Data de Publicação
30/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/8-simposioicomosbrasil/1340259-o-tombamento-do-teatro-oficina-(19801984)--a-conservacao-como-processo-cultural-dinamico
ISBN
978-65-272-2357-3
Palavras-Chave
Patrimônio cultural, Lina Bo Bardi, Tombamento, Resistência Urbana
Resumo
O Teatro Oficina, localizado no Bixiga em São Paulo, é um exemplo paradigmático de disputa pela preservação cultural, revelando como memória coletiva e vitalidade artística se articulam frente às pressões da especulação imobiliária. Fundado em 1958, consolidou-se como uma das companhias mais inovadoras do país, referência teatral e arquitetônica. Na década de 1980, diante do risco de venda e demolição do imóvel, pressionado pela expansão especulativa do Grupo Silvio Santos, José Celso Martinez Corrêa, diretor da companhia, solicitou ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT) o tombamento do espaço, já integrado à história da companhia há mais de 20 anos. Paralelamente, é iniciado um novo projeto para o Oficina, conduzido por Lina Bo Bardi e Marcelo Suzuki. No fim de 1982, o tombamento estadual foi aprovado, apoiado no parecer de Flávio Império, arquiteto ligado à história do Teatro, afirmando que o tombamento não deveria significar seu congelamento formal, mas garantir a mutabilidade necessária ao fazer teatral da companhia. Essa concepção abriu caminho para uma abordagem ancorada na ideia de patrimônio em permanente transformação. Após o tombamento, em 1984, Lina retoma o projeto, agora em parceria com Edson Elito, propondo extrapolar os limites do edifício, ao transformá-lo em extensão da própria cidade. Elementos como o palco passarela, a plateia em galerias laterais, o janelão envidraçado, a cobertura retrátil, materializavam a expansão radical do espaço cênico, dissolvendo fronteiras entre palco, plateia e meio urbano. Consolidando-se como manifestação arquitetônica de resistência frente à verticalização e o emparedamento especulativo. O Teatro Oficina evidencia como o tombamento e o projeto pode ser mobilizado não só como medida técnica, mas como ferramenta política e cultural. A cronologia entre o pedido de tombamento e o projeto de intervenção revela a inseparabilidade entre luta institucional e criação arquitetônica, transformando a preservação em ato coletivo. Diferentemente das práticas hegemônicas, o Oficina aponta novas perspectivas de preservação no patrimônio, que não equivale ao congelamento do bem tombado, mas garante condições para que o patrimônio e a memória continuem vivos, mesmo que em constante reinvenção. O artigo apresenta a crônica do tombamento do Teatro Oficina e sua relação com o projeto de Lina Bo Bardi e Edson Elito. As fontes incluem, o processo de tombamento pelo CONDEPHAAT e seis croquis de Lina Bo Bardi, analisados para compreender as relações entre o projeto, o processo de tombamento e a preservação do espaço. Como resultado, espera-se compreender como concepção projetual incorporou o contexto de luta pela preservação a partir da não fixação do espaço, ilustrando como a preservação pode assumir formas de resistência cultural, em contraste com abordagens catalizadoras do patrimônio.
Título do Evento
8º Simpósio Científico do ICOMOS-Brasil: 60 Anos do ICOMOS + 60
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Simpósio Científico ICOMOS Brasil
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

KÜHL, Malu Rodrigues et al.. O TOMBAMENTO DO TEATRO OFICINA (1980–1984): A CONSERVAÇÃO COMO PROCESSO CULTURAL DINÂMICO.. In: Anais do Simpósio Científico ICOMOS Brasi. Anais...Belo Horizonte(MG) UFMG, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/8-simposioicomosbrasil/1340259-O-TOMBAMENTO-DO-TEATRO-OFICINA-(19801984)--A-CONSERVACAO-COMO-PROCESSO-CULTURAL-DINAMICO. Acesso em: 29/05/2026

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