SOTERRAMENTO DO LARGO DO ROSÁRIO PELA CIDADE PLANEJADA: A RETOMADA DE UM PATRIMÔNIO NEGRO NO CENTRO DE BELO HORIZONTE.

Publicado em 30/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2357-3

Título do Trabalho
SOTERRAMENTO DO LARGO DO ROSÁRIO PELA CIDADE PLANEJADA: A RETOMADA DE UM PATRIMÔNIO NEGRO NO CENTRO DE BELO HORIZONTE.
Autores
  • Ana Lívia Ferreira da Costa
Modalidade
ARTIGO
Área temática
4. As Perspectivas da conservação desde o Sul Global: Patrimônio para todos: democracia e justiça social / Reflexões sobre patrimônio: narrativas plurais e memórias silenciadas / Novas perspectivas e abordagens na gestão, valorização e conservação do patrimônio.
Data de Publicação
30/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/8-simposioicomosbrasil/1339898-soterramento-do-largo-do-rosario-pela-cidade-planejada--a-retomada-de-um-patrimonio-negro-no-centro-de-belo-hori
ISBN
978-65-272-2357-3
Palavras-Chave
Largo do Rosário, patrimônio negro, Arraial do Curral del Rey.
Resumo
A construção da nova capital de Minas Gerais é desdobramento de um projeto político orientado pelo ideário de “progresso”, no qual a remoção do Arraial do Curral del Rey foi embasada por preceitos higienistas para justificar a chegada da “civilização” (Angotti-Salgueiro, 2020). A Comissão Construtora assumiu uma postura de tábula rasa, desconsiderando a ocupação prévia e o espaço vivido configurado pelas relações sociais dos moradores originais – dos quais 69,87% eram pessoas pretas e pardas, conforme Recenseamento do Brasil em 1872 (Pereira, 2019), retrato da predominância da população africana em diáspora e dos seus descendentes antes da destruição do Arraial, deliberadamente expulsos para as periferias em constituição. Um dos fragmentos soterrados por esse projeto “civilizatório” é o Largo do Rosário, composto pela Capela de Nossa Senhora do Rosário e pelo Cemitério dos Pretos, construídos em 1819 pela Irmandade dos Homens Pretos do Curral del Rey em terras devolutas da Igreja Católica e destruídos em 1897. Apesar da construção em 1819, o Largo remonta a 1807, quando da solicitação de autorização à Dom João VI para construção da Capela (Silva, 2024). O Largo surge como expressão da ocupação majoritariamente negra do Arraial, conformando um espaço sagrado e de sociabilidade da cultura afro-brasileira. Nessa linha, “a construção de uma Capela dedicada a uma devoção específica significava um importante passo na luta por representação pública dos negros” (Ibidem, p. 19). Na contemporaneidade, o Largo do Rosário está situado à esquina da Rua da Bahia com a Rua Timbiras, tendo recebido parecer favorável à abertura de registro enquanto patrimônio imaterial de Belo Horizonte pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural no ano de 2021, além da instituição de um Comitê Definitivo de Salvaguarda em 2023, após mais de um século oculto nas narrativas da história oficial. A partir de sobreposição do mapa contendo os traçados do Curral del Rey e do proposto pela cidade planejada com cadernetas topográficas de campo da Comissão Construtora, concluiu-se que a Capela do Rosário esteve localizada aproximadamente no número 1340 da Rua da Bahia, trecho no qual foi realizado diagnóstico geofísico vinculado a um projeto arqueológico (COSTA et al, 2024). A despeito da ínfima representação através de um totem de informação, iniciativas do Projeto NegriCidade têm buscado “dar evidência às histórias e narrativas pretas que ficaram sob o asfalto cinza da cidade dos brancos” (Silva e São Pedro, 2024, p. 50), a exemplo da 3º Ocupação NegriCidade, que consistiu em “um ato simbólico de retomada do Largo do Rosário pelo povo preto e suas manifestações religiosas” (Ibidem, p. 50), contemplando uma ação cultural, política e religiosa. Em síntese, o presente trabalho busca tensionar o apagamento desse patrimônio negro, mobilizando memórias historicamente silenciadas por meio de uma escrita urbana a contrapelo da história oficial, em uma artesania de tempos e narrativas.
Título do Evento
8º Simpósio Científico do ICOMOS-Brasil: 60 Anos do ICOMOS + 60
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Simpósio Científico ICOMOS Brasil
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

COSTA, Ana Lívia Ferreira da. SOTERRAMENTO DO LARGO DO ROSÁRIO PELA CIDADE PLANEJADA: A RETOMADA DE UM PATRIMÔNIO NEGRO NO CENTRO DE BELO HORIZONTE... In: Anais do Simpósio Científico ICOMOS Brasi. Anais...Belo Horizonte(MG) UFMG, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/8-simposioicomosbrasil/1339898-SOTERRAMENTO-DO-LARGO-DO-ROSARIO-PELA-CIDADE-PLANEJADA--A-RETOMADA-DE-UM-PATRIMONIO-NEGRO-NO-CENTRO-DE-BELO-HORI. Acesso em: 29/05/2026

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