NARRATIVAS, SILENCIAMENTOS E REPARAÇÃO: A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA MEMÓRIA NO CENTRO ANGLOGOLD ASHANTI

Publicado em 30/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2357-3

Título do Trabalho
NARRATIVAS, SILENCIAMENTOS E REPARAÇÃO: A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA MEMÓRIA NO CENTRO ANGLOGOLD ASHANTI
Autores
  • Yasmin Albertina Lopes Martins
Modalidade
ARTIGO
Área temática
4. As Perspectivas da conservação desde o Sul Global: Patrimônio para todos: democracia e justiça social / Reflexões sobre patrimônio: narrativas plurais e memórias silenciadas / Novas perspectivas e abordagens na gestão, valorização e conservação do patrimônio.
Data de Publicação
30/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/8-simposioicomosbrasil/1339096-narrativas-silenciamentos-e-reparacao--a-institucionalizacao-da-memoria-no-centro-anglogold-ashanti
ISBN
978-65-272-2357-3
Palavras-Chave
Museologia, Memória institucional, bens culturais.
Resumo
Patrimônios institucionais que se apropriam da memória como recurso tendem a reforçar reputações pautadas por legitimação enviesada, como no Centro de Memória AngloGold Ashanti, em Nova Lima (MG). Esses silenciamentos tensionam a ideia de patrimônio como direito democrático e espaço de justiça social, mostrando como a institucionalização da memória pode também operar como mecanismo de exclusão. Assim, a memória em si atua como mecanismo de lembrança e esquecimento, sujeita à latência e reparação. A expografia não apresenta perspectivas além das gerenciais, silenciando sobre o trabalho escravo desde a instalação da mineração e sobre condições insalubres como silicose e arsenicismo, que afetaram operários mesmo após a abolição e leis trabalhistas. Dois acidentes graves marcaram a Mina de Morro Velho: em 1867, incêndio e desabamento mataram 17 escravos e um inglês; em 1886, ocorreu outro desastre com “numerosas vítimas”, segundo fontes imprecisas. A ausência de tais fatos na exposição revela uma abordagem superficial para um “lugar de memória”. O discurso exalta a trajetória empresarial e discursos hegemônicos, omitindo os trabalhadores que sustentaram a operação que ali ocorria. Frente a isso, há o risco da “história única” — narrativa que privilegia versões convenientes e marginaliza outras realidades. Instituições de memória possuem potencial tanto para perpetuar silenciamentos quanto para promover reparações históricas, sendo crucial reconhecer e agir sobre essas escolhas narrativas. Portanto, se hoje a memória se recusa a calar e os parâmetros museológicos existem para reformá-la, é crucial expor e questionar os limites e complexidades da construção de memórias dentro desses espaços. Só assim será possível romper com discursos unilaterais e afirmar o patrimônio como bem comum, em diálogo com a necessidade atual de pensar processos de descolonização.
Título do Evento
8º Simpósio Científico do ICOMOS-Brasil: 60 Anos do ICOMOS + 60
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Simpósio Científico ICOMOS Brasil
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MARTINS, Yasmin Albertina Lopes. NARRATIVAS, SILENCIAMENTOS E REPARAÇÃO: A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA MEMÓRIA NO CENTRO ANGLOGOLD ASHANTI.. In: Anais do Simpósio Científico ICOMOS Brasi. Anais...Belo Horizonte(MG) UFMG, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/8-simposioicomosbrasil/1339096-NARRATIVAS-SILENCIAMENTOS-E-REPARACAO--A-INSTITUCIONALIZACAO-DA-MEMORIA-NO-CENTRO-ANGLOGOLD-ASHANTI. Acesso em: 29/05/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes