FRONTEIRAS DO PATRIMÔNIO: HIERARQUIZAÇÃO CULTURAL, TERRITORIALIDADES E DISPUTAS SIMBÓLICAS EM MARIANA (MG)

Publicado em 30/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2357-3

Título do Trabalho
FRONTEIRAS DO PATRIMÔNIO: HIERARQUIZAÇÃO CULTURAL, TERRITORIALIDADES E DISPUTAS SIMBÓLICAS EM MARIANA (MG)
Autores
  • Ana Maria Martins da Costa
Modalidade
ARTIGO
Área temática
4. As Perspectivas da conservação desde o Sul Global: Patrimônio para todos: democracia e justiça social / Reflexões sobre patrimônio: narrativas plurais e memórias silenciadas / Novas perspectivas e abordagens na gestão, valorização e conservação do patrimônio.
Data de Publicação
30/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/8-simposioicomosbrasil/1338924-fronteiras-do-patrimonio--hierarquizacao-cultural-territorialidades-e-disputas-simbolicas-em-mariana-(mg)
ISBN
978-65-272-2357-3
Palavras-Chave
Patrimônio Cultural, Territorialidade, Fronteiras simbólicas, Justiça territorial, Memória social
Resumo
Este artigo analisa criticamente os processos de patrimonialização em Mariana (MG), discutindo como fronteiras simbólicas, hierarquizações culturais e disputas territoriais que moldam a memória urbana. Na cidade de Mariana, a narrativa oficial privilegia referências coloniais, religiosas e artísticas, consolidando o imaginário de “cidade-museu” e operando silenciamentos sobre experiências dissonantes. Esse modelo, sustentado por políticas verticalizadas de tombamento e pela lógica do turismo cultural, exclui práticas e memórias periféricas. A cidade, portanto, é interpretada como campo de forças simbólicas em que se definem fronteiras entre o visível e o invisibilizado, o preservável e o descartável. Fundamentado em autores como Pierre Nora, Laurajane Smith e Henri Acselrad, o estudo articula memória coletiva, políticas patrimoniais e disputas urbanas, evidenciando a necessidade de reconfigurar o patrimônio como processo inclusivo e participativo. No estudo de caso, observa-se que a patrimonialização de Mariana, iniciada com o tombamento de 1945, privilegiou uma memória seletiva voltada ao turismo, reforçando a estetização do passado colonial. Esse processo, ao privilegiar monumentos e narrativas hegemônicas, marginalizou experiências comunitárias, como apontam Bosi e Pollak ao tratar dos esquecimentos sociais. A expansão da mineração intensificou contradições: ao mesmo tempo em que impulsionou a economia, gerou deslocamentos, fragmentação de laços sociais e destruição de paisagens. O rompimento da barragem de Fundão em 2015 simbolizou a culminância de uma lógica extrativista que subordinou vidas e territórios a interesses produtivos, reforçando injustiças ambientais. A resposta institucional, contudo, permaneceu presa a uma ideia estetizada de patrimônio, ignorando memórias doloridas e vivas das comunidades atingidas. Nesse contexto, emergiram contra-narrativas que reivindicam pertencimento, justiça e reconhecimento, materializadas em memoriais espontâneos, práticas artísticas e iniciativas de educação patrimonial de base comunitária. Por fim, é apontado que o caso de Mariana explicita os limites de um modelo patrimonial hegemônico, fundamentado no “discurso autorizado do patrimônio” (Smith), que cristaliza silenciamentos e exclusões. A cidade revela a necessidade de políticas culturais mais democráticas, sensíveis às vozes subalternizadas e abertas à pluralidade de memórias. Mariana não deve ser reduzida a vitrine monumental, mas compreendida como espaço vivo de disputas, resistências e reconstrução de vínculos. Reconhecer a potência das territorialidades insurgentes implica adotar um patrimônio de baixo para cima, participativo e plural, que valorize a diversidade de experiências urbanas e se comprometa com a reparação simbólica e material. Assim, o patrimônio pode atuar não como instrumento de exclusão, mas como ferramenta de emancipação coletiva e justiça territorial.
Título do Evento
8º Simpósio Científico do ICOMOS-Brasil: 60 Anos do ICOMOS + 60
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Simpósio Científico ICOMOS Brasil
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

COSTA, Ana Maria Martins da. FRONTEIRAS DO PATRIMÔNIO: HIERARQUIZAÇÃO CULTURAL, TERRITORIALIDADES E DISPUTAS SIMBÓLICAS EM MARIANA (MG).. In: Anais do Simpósio Científico ICOMOS Brasi. Anais...Belo Horizonte(MG) UFMG, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/8-simposioicomosbrasil/1338924-FRONTEIRAS-DO-PATRIMONIO--HIERARQUIZACAO-CULTURAL-TERRITORIALIDADES-E-DISPUTAS-SIMBOLICAS-EM-MARIANA-(MG). Acesso em: 29/05/2026

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