A PRESERVAÇÃO DAS AMBIÊNCIAS URBANAS EM UM CONTEXTO DE EMERGÊNCIA CLIMÁTICA: UM BREVE OLHAR PARA NITERÓI

Publicado em 30/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2357-3

Título do Trabalho
A PRESERVAÇÃO DAS AMBIÊNCIAS URBANAS EM UM CONTEXTO DE EMERGÊNCIA CLIMÁTICA: UM BREVE OLHAR PARA NITERÓI
Autores
  • Gabriel Soares da Costa
  • José Simões de Belmont Pessoa
Modalidade
ARTIGO
Área temática
2. Patrimônio Cultural e os Desafios do Século XXI: O patrimônio na época das mudanças climáticas: A conservação entre novos e velhos riscos / As escalas do patrimônio: local - global / Modelos inovadores de gestão participativa e envolvimento das comunidades locais / Estratégias de financiamento para a conservação..
Data de Publicação
30/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/8-simposioicomosbrasil/1314617-a-preservacao-das-ambiencias-urbanas-em-um-contexto-de-emergencia-climatica--um-breve-olhar-para-niteroi
ISBN
978-65-272-2357-3
Palavras-Chave
Emergência climática; Patrimônio Cultural; Ambiência Urbana; Niterói
Resumo
Como preservar as ambiências urbanas em um contexto de emergência climática? No século XXI, a preservação do patrimônio cultural urbano enfrenta um duplo desafio: responder às pressões das mudanças climáticas e assegurar a continuidade das identidades coletivas que se materializam nas ambiências urbanas. Cidades costeiras, como Rio de Janeiro e Niterói, são impactadas pela elevação do nível do mar, inundações, ondas de calor e outros fenômenos que colocam em risco tanto os bens materiais quanto as dimensões imateriais que estruturam a vida urbana. Neste sentido, a noção de ambiências urbanas permite compreender o patrimônio além da monumentalidade, valorizando as dimensões sensoriais e relacionais dos espaços (THIBAUD, 2018). Trata-se de reconhecer, na linha de Lefebvre (2006), que o espaço urbano é produzido na interação entre o concebido, o percebido e o vivido. Preservar uma ambiência significa, portanto, manter vivos os lugares de memória (NORA, 1993), onde experiências coletivas e identidades se cristalizam. Esse entendimento, já presente em documentos internacionais como a Carta de Veneza (1964), foi ampliado no Brasil pela Constituição Federal de 1988, ao reconhecer o patrimônio cultural em sua natureza material e imaterial. Instrumentos como as Áreas de Preservação do Ambiente Urbano (APAUs) em Niterói e as Áreas de Preservação do Ambiente Cultural (APACs) no Rio de Janeiro, expressam esse avanço ao proteger espacialidades que articulam paisagem, memória e identidade. O estudo de caso de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, explicita os dilemas entre preservação, modernização e vulnerabilidade ambiental. Cidade marcada por longa trajetória histórica e por obras emblemáticas de Oscar Niemeyer, Niterói passou, desde o século XX, por intenso processo de verticalização e transformação da orla marítima. A criação das APAUs em 1992, e posteriormente incorporadas às ZEPACs em 2019, buscou frear a perda de referências urbanas e valorizar paisagens culturais singulares. Nesse sentido, a escala local se conecta inevitavelmente à escala global. A experiência de Niterói dialoga com preocupações internacionais sobre o futuro das cidades e a necessidade de estratégias que conciliem memória, sustentabilidade e qualidade de vida, em consonância com a perspectiva de cidades “vivas, seguras, sustentáveis e saudáveis” (GEHL, 2013). Garantir a permanência dessas referências em um cenário de emergência climática é um desafio que transcende fronteiras nacionais e reforça a importância de articular políticas globais de preservação às práticas locais de planejamento urbano. Assim, discutir o patrimônio cultural em Niterói contribui para refletir sobre a urgência de estratégias de preservação que incorporem a dimensão ambiental às práticas de salvaguarda cultural. Mais do que conservar edifícios ou conjuntos arquitetônicos, trata-se de assegurar a continuidade das ambiências urbanas e das experiências coletivas que dão sentido à vida nas cidades.
Título do Evento
8º Simpósio Científico do ICOMOS-Brasil: 60 Anos do ICOMOS + 60
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Simpósio Científico ICOMOS Brasil
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

COSTA, Gabriel Soares da; PESSOA, José Simões de Belmont. A PRESERVAÇÃO DAS AMBIÊNCIAS URBANAS EM UM CONTEXTO DE EMERGÊNCIA CLIMÁTICA: UM BREVE OLHAR PARA NITERÓI.. In: Anais do Simpósio Científico ICOMOS Brasi. Anais...Belo Horizonte(MG) UFMG, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/8-simposioicomosbrasil/1314617-A-PRESERVACAO-DAS-AMBIENCIAS-URBANAS-EM-UM-CONTEXTO-DE-EMERGENCIA-CLIMATICA--UM-BREVE-OLHAR-PARA-NITEROI. Acesso em: 25/05/2026

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