PATRIMÔNIO ALÉM DO MÁRMORE: LÍNGUAS MARGINAIS E A REINVENÇÃO DO COMUM

Publicado em 30/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2357-3

Título do Trabalho
PATRIMÔNIO ALÉM DO MÁRMORE: LÍNGUAS MARGINAIS E A REINVENÇÃO DO COMUM
Autores
  • João Pedro Otoni Cardoso
  • Sônia Regina Rampim Florêncio
  • Leonardo Barci Castriota
Modalidade
ARTIGO
Área temática
4. As Perspectivas da conservação desde o Sul Global: Patrimônio para todos: democracia e justiça social / Reflexões sobre patrimônio: narrativas plurais e memórias silenciadas / Novas perspectivas e abordagens na gestão, valorização e conservação do patrimônio.
Data de Publicação
30/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/8-simposioicomosbrasil/1271567-patrimonio-alem-do-marmore--linguas-marginais-e-a-reinvencao-do-comum
ISBN
978-65-272-2357-3
Palavras-Chave
Patrimônio Cultural Queer, Pajuba, Patrimonio LGBTQ+, Patrimônio Transnacional
Resumo
O patrimônio cultural queer, ainda marginal nas instâncias oficiais de consagração, constitui um campo de investigação que evidencia tanto a exclusão de narrativas dissidentes quanto o potencial de reconfiguração crítica do conceito de patrimônio. Ao transcender fronteiras nacionais, esse patrimônio manifesta-se de forma transnacional, articulando práticas sociais, linguísticas e políticas que, em sua pluralidade, questionam a centralidade do Discurso Autorizado do Patrimônio (Smith, 2006). Mais do que bens materiais ou monumentos, trata-se de processos culturais dinâmicos, capazes de articular reconhecimento, pertencimento e mobilização social em contextos de invisibilidade e violência. Nesse sentido, as chamadas lavender languages oferecem uma entrada privilegiada para compreender o patrimônio queer enquanto prática transnacional de herança intangível. O Polari, no Reino Unido, o Pajubá, no Brasil, o Lubunca, na Turquia, o Swardspeak, nas Filipinas, e o isiNgqumo, na África do Sul, exemplificam como comunidades queer em diferentes regiões elaboraram sistemas linguísticos próprios como estratégias de proteção, identificação e sociabilidade. Essas expressões, longe de serem meros registros lexicais, constituem patrimônios linguísticos que se inscrevem em redes globais de resistência, revelando como grupos historicamente subalternizados produzem e transmitem suas próprias formas de herança cultural. A análise evidencia ainda como práticas patrimoniais queer podem ser compreendidas a partir da noção de queering heritage (Lixinski, 2024), isto é, da mobilização de perspectivas da teoria queer para deslocar os modos tradicionais de conceber e legitimar o patrimônio. Tal abordagem permite não apenas reconhecer o caráter político dessas práticas, mas também propor o patrimônio como recurso de transformação social, a partir do qual grupos marginalizados afirmam-se como protagonistas na criação de valores culturais. Ao problematizar a tendência de enquadrar patrimônios dentro de categorias hegemônicas e eurocentradas, o trabalho destaca que a patrimonialização queer não se restringe a processos de conservação do passado, mas opera como dispositivo de reinvenção, mobilização e projeção de futuros inclusivos. Assim, compreender o patrimônio queer implica deslocar o foco das categorias convencionais de preservação para práticas de mobilização social que desafiam narrativas hegemônicas e projetam futuros inclusivos. O estudo das lavender languages, e em especial do Pajubá, evidencia como o patrimônio queer desafia os limites institucionais do reconhecimento, reposicionando o patrimônio como prática viva e orientada ao presente, que reivindica a pluralidade das experiências humanas como parte legítima da herança cultural comum.
Título do Evento
8º Simpósio Científico do ICOMOS-Brasil: 60 Anos do ICOMOS + 60
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Simpósio Científico ICOMOS Brasil
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CARDOSO, João Pedro Otoni; FLORÊNCIO, Sônia Regina Rampim; CASTRIOTA, Leonardo Barci. PATRIMÔNIO ALÉM DO MÁRMORE: LÍNGUAS MARGINAIS E A REINVENÇÃO DO COMUM.. In: Anais do Simpósio Científico ICOMOS Brasi. Anais...Belo Horizonte(MG) UFMG, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/8-simposioicomosbrasil/1271567-PATRIMONIO-ALEM-DO-MARMORE--LINGUAS-MARGINAIS-E-A-REINVENCAO-DO-COMUM. Acesso em: 06/07/2026

Trabalho

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