“QUEM CONTROLA O PASSADO CONTROLA O FUTURO: QUEM CONTROLA O PRESENTE CONTROLA O PASSADO” – A ESCOLHA PELA CONSERVAÇÃO DA MATÉRIA VÍVIDA EM DETRIMENTO DA PRESERVAÇÃO DA IMATERIALIDADE VIVIDA

Publicado em 30/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2357-3

Título do Trabalho
“QUEM CONTROLA O PASSADO CONTROLA O FUTURO: QUEM CONTROLA O PRESENTE CONTROLA O PASSADO” – A ESCOLHA PELA CONSERVAÇÃO DA MATÉRIA VÍVIDA EM DETRIMENTO DA PRESERVAÇÃO DA IMATERIALIDADE VIVIDA
Autores
  • Getúlio Alves de Souza Matos
Modalidade
ARTIGO
Área temática
4. As Perspectivas da conservação desde o Sul Global: Patrimônio para todos: democracia e justiça social / Reflexões sobre patrimônio: narrativas plurais e memórias silenciadas / Novas perspectivas e abordagens na gestão, valorização e conservação do patrimônio.
Data de Publicação
30/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/8-simposioicomosbrasil/1239298-quem-controla-o-passado-controla-o-futuro--quem-controla-o-presente-controla-o-passado--a-escolha-pela-conser
ISBN
978-65-272-2357-3
Palavras-Chave
Gestão do Patrimônio, Teoria da Agência, Valor Público, Escolha Pública, Ouro Preto
Resumo
O patrimônio material em sítios históricos encontra-se em um meio a uma crescente tensão entre suas diferentes partes interessadas. Os conflitos resultantes da modificação dos costumes e de usos das cidades por diferentes grupos se contrapõem às decisões de órgãos oficiais e aos interesses econômico-financeiros de membros da sociedade que disputam os bens patrimoniais como ativos a serem explorados. Noutro giro, há muito se sabe que conflitos de Agência – aqueles provenientes das diferenças entre os interesses de proprietários e de gestores – podem ter consequências negativas para todas as partes envolvidas, inclusive para aqueles indiretamente afetados por esta relação. Nesta conturbada trama, o presente artigo objetiva analisar, sob diferentes teorias administrativas privadas e públicas, o atual cenário dos conflitos que têm se acirrado ao redor do Patrimônio em Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil. Busca-se, especificamente, examinar as relações que se estabelecem ante ao patrimônio constituído para as decisões tomadas, e ampliar a compreensão sobre as relações exercidas entre diferentes atores envolvidos nesta "questão patrimonial". Tal qual a referência feita a George Orwell no título, a cidade patrimônio mundial da humanidade testemunha casas que deixam de ser lares para hospedar turistas aos finais de semana. Sua principal Praça anualmente proíbe a presença dos próprios moradores para servir de cenário aos visitantes que protagonizam a solenidade do feriado de Tiradentes. Se, na mesma Praça, é motivo de orgulho e regozijo duplicar a população da sede municipal para assistir a uma apresentação de orquestra, o mesmo usufruto não pôde ser percebido quando se tratou de um show de pagode: alegado risco de incêndio e dano ao patrimônio, houvera sido negado o direito de um cantor ali se apresentar. Tempos depois, também sob risco de consequências irreversíveis, removeu-se da Praça o tradicional Festival de Inverno, muito embora, menos de um mês depois, um festival de jazz não representasse ameaças relevantes ao ter como fundo de palco o recém-reformado Palácio dos Governadores. Desta forma, testemunham-se duas situações possíveis: a primeira alternativa é a segregação do acesso a espaços públicos, este somente permitido quando determinados perfis – por convites ou pela predileção cultural – não se perceberão tolhidos do uso. A segunda possibilidade é o apagamento do conflito de interesses, em que a preocupação com a materialidade supera as necessidades e o binômio direitos-deveres de quem vivencia o patrimônio em sua totalidade, em clara opção pela subótima condição de museu a céu aberto. Por fim, cumpre salientar que este texto não advoga pela renúncia da preservação da materialidade dos bens. Em contrário, a salvaguarda é indiscutivelmente necessária. Entende-se, contudo, que o apego à materialidade só é justificável pela existência do seu componente humano subjacente, e que a ela seja capaz de atribuir sentidos e usos dignos das suas existências.
Título do Evento
8º Simpósio Científico do ICOMOS-Brasil: 60 Anos do ICOMOS + 60
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Simpósio Científico ICOMOS Brasil
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MATOS, Getúlio Alves de Souza. “QUEM CONTROLA O PASSADO CONTROLA O FUTURO: QUEM CONTROLA O PRESENTE CONTROLA O PASSADO” – A ESCOLHA PELA CONSERVAÇÃO DA MATÉRIA VÍVIDA EM DETRIMENTO DA PRESERVAÇÃO DA IMATERIALIDADE VIVIDA.. In: Anais do Simpósio Científico ICOMOS Brasi. Anais...Belo Horizonte(MG) UFMG, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/8-simposioicomosbrasil/1239298-QUEM-CONTROLA-O-PASSADO-CONTROLA-O-FUTURO--QUEM-CONTROLA-O-PRESENTE-CONTROLA-O-PASSADO--A-ESCOLHA-PELA-CONSER. Acesso em: 22/05/2026

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