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Apresentação
Cinquenta anos depois de nascer, para dar nome, método e lugar à paisagem no Brasil, a ABAP celebra uma trajetória que uniu técnica e sensibilidade, desenho e cuidado, cidades e territórios de vida. O 8º CIAP é esse instante de encontro entre gerações e frentes de atuação: quem projeta, pesquisa, ensina, planeja, gere políticas, mobiliza comunidades e inova em tecnologias. Não é apenas um congresso; é uma travessia compartilhada — da experiência concreta dos espaços livres às grandes decisões que moldam o futuro comum.
A paisagem é mais do que cenário: é a forma como a vida se move e nos move. Lemos-a com o corpo e com a memória; atravessamos suas luzes e sons, seus ritmos e texturas; reconhecemos afetos e pertencimentos que não cabem só no desenho técnico. É dessa leitura ampliada — sensível e informada — que emergem soluções capazes de enfrentar ilhas de calor, enchentes e secas, perdas de biodiversidade e desigualdades socioespaciais. Projetar a paisagem é, também, projetar saúde e bem-estar, costurando redes verde-azuis, restaurando ecossistemas urbanos e garantindo acessibilidade física, sensorial, cognitiva e comunicacional.
Há, no entanto, um passo civilizatório ainda por completar: afirmar a função social da paisagem como direito — reconhecível na lei, operável na política e aferível por métricas públicas. O 7º CIAP, ao recolocar essa pauta de modo direto, mostrou que o Brasil carece de um marco que sustente a complexidade do conceito e sua presença na vida pública. Ao mesmo tempo, lembrou que há uma constelação de referências que nos empurra adiante, do Convênio Europeu da Paisagem às cartas latino-americanas recentes. O 8º CIAP assume esse fio e o projeta para frente: do manifesto ao instrumento, do princípio ao protocolo, do discurso à prática.
Nosso desafio é aproximar norma e cotidiano, ciência e rua, sensível e verificável. Isso significa incluir metas e financiamento para a paisagem nos planos e orçamentos; qualificar contratos de manutenção e rotinas de monitoramento; fortalecer formações continuadas e redes locais de gestão capazes de manter, cuidar e inovar. Significa, também, ampliar o diálogo com patrimônios culturais, territórios tradicionais e periferias urbanas, reconhecendo a paisagem como campo de memória, justiça e reparação.
Para dar corpo a esse movimento, o 8º CIAP convoca contribuições que cruzem dimensões humanas, biofísicas e históricas, processos formativos e inovação tecnológica — entendendo que nenhuma dessas frentes caminha sozinha. Queremos ver políticas públicas que incorporem a paisagem, projetos e obras que integrem soluções baseadas na natureza; pesquisas que atualizem métodos de avaliação e impacto; experiências pedagógicas que formem para o comum; protótipos e ferramentas digitais que abram dados, aproximem pessoas e democratizem decisões. Aqui, a técnica ganha sentido quando serve à vida; e a poesia da paisagem se torna compromisso quando vira política.
Celebrar os 50 anos da ABAP é, por fim, renovar uma ética do ofício: fazer da paisagem um bem de todos, com processos mais participativos, transparentes e previsíveis; com critérios que falem de clima, água, biodiversidade, mobilidade, saúde e pertencimento; com desenhos que acolham diferentes corpos, idades e modos de viver. Este congresso é um convite aberto e direto: traga sua prática, sua pesquisa, sua imagem, seu mapa, sua história. Que as vozes se somem para desenhar cidades e territórios mais justos, vivos e acessíveis — onde o cotidiano possa respirar melhor.
ABAP 50 anos. 8º CIAP. Raízes que sustentam. Horizontes que já podemos tocar.
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Responsável
E-mail: abap@abap.org.br
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