HISTÓRIA ORAL: MÉTODO E FONTE PARA A REESCRITA DA HISTÓRIA DAS MULHERES NEGRAS

Publicado em 09/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2135-7

Título do Trabalho
HISTÓRIA ORAL: MÉTODO E FONTE PARA A REESCRITA DA HISTÓRIA DAS MULHERES NEGRAS
Autores
  • Vanda Lúcia Praxedes
Modalidade
Minicurso
Área temática
Minicurso: História oral
Data de Publicação
09/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/4-sege-seminario-efeitos-genero/1427927-historia-oral--metodo-e-fonte-para-a-reescrita-da-historia-das-mulheres-negras
ISBN
978-65-272-2135-7
Palavras-Chave
História Oral; mulheres negras; reescrita da história.
Resumo
O trabalho História Oral: método e fonte para a reescrita da História das mulheres negras, apresentado no 4o Seminário Efeitos de Gênero - SEGE no formato de Minicurso. Trata-se de uma reflexão sobre a História Oral enquanto método, técnica e fonte e suas potencialidades para a reescrita da história das mulheres negras, bem como de grupos invisibilizados ao longo da história. O minicurso teve como suporte as narrativas de mulheres negras, descendentes de escravizados, donos da fazenda Mata Cavalo, na atual cidade de Morro do Pilar – MG. Por meio da História Oral foi possível recuperar a trajetória dos negros no pós-abolição, a luta pela terra e sua perda ao longo da primeira metade do século XX. Introdução O trabalho História Oral: método e fonte para a reescrita da História das mulheres negras, foi apresentado no 4o Seminário Efeitos de Gênero - SEGE no formato de Minicurso. Procurou-se desenvolver a ideia da História Oral como um movimento potente, entendendo-a como um método, uma técnica e fonte, além de apresentar suas potencialidades para a reescrita da história das mulheres negras, bem como de grupos invisibilizados ao longo da história. A História Oral pode ser entendida como um movimento social uma vez que ao trabalhar a memória viva, resgata identidades e histórias, ultrapassando o plano das histórias individuais para as histórias coletivas. É, também, uma Metodologia, porque ela reúne, propõe e contém um conjunto de princípios teórico-epistemológicos que fundamentam e norteiam a construção da pesquisa, a investigação dos fenômenos da vida humana e social. É, portanto, uma das modalidades dos chamados Estudos Qualitativos, ancorados por alguns pressupostos teórico-epistemológicos, dentre eles o de que os sujeitos ou atores sociais são seres de memória, de cultura e de história. São seres de ação e intencionalidades (Teixeira; Praxedes, 2006). E nessa direção considera-se que é uma Técnica, uma vez que ela propõe um conjunto de estratégias para o trabalho investigativo, sempre centrado na oralidade e nas variadas formas de se apreendê-la e de registrá-la. Por esse motivo as entrevistas livres, estruturadas, semiestruturadas ou narrativas gravadas e/ou filmadas, torna-se o mais importante instrumento ou estratégia de abordagem dos sujeitos de pesquisa. A partir desse momento a História Oral é também definida, por alguns autores, como Fonte. As fitas de áudio e os filmes em vídeo das entrevistas e depoimentos e suas respectivas transcrições, tornam-se, então, documentos. Transformam-se em fontes para a pesquisa histórica e/ou para outros tipos de estudo. Apesar dos avanços teórico-metodológicos do campo, ainda persiste criticas sobre a subjetividade da fonte. No entanto, em sua obra A voz do passado Thompson (1992, p. 137) defende a tese de que o uso da metodologia da história oral, quando afirma que “a evidência oral pode conseguir algo mais penetrante e mais fundamental para a história. [...] transformando os „objetos‟ de estudo em sujeitos”. O minicurso teve como suporte as narrativas de mulheres negras, descendentes de escravizados, antigos donos da fazenda Mata Cavalo, na atual cidade de Morro do Pilar – MG. As entrevistas foram realizadas durante o ano de 2014 com o objetivo de recuperar a história e trajetória de um grupo de famílias negras que se tornaram herdeiros de uma das mais importantes fazendas, situada na zona rural da cidade de Morro do Pilar e como perderam essas terras para grandes fazendeiros da região. O episodio provocou a dispersão de uma comunidade negra Considerações finais Por meio das narrativas orais foi possível recuperar a história e a trajetória dos negros no pós-abolição, a luta pela terra e sua perda ao longo da primeira metade do século XX. Bem como compreender a inserção paradoxal da população negra na sociedade brasileira. Essas histórias, contadas de diferentes maneiras corroboram as fontes documentais primária e, mais, demonstram que apesar dos diferentes textos e contextos, ao largo de uma sociedade que se modernizava, os negros e seus descendentes foram sendo relegados ao seu próprio destino, desterrados em suas próprias terras, banidos de seus territórios enquanto lugar e enquanto espaços identitários, pela força das armas e das leis, que lhes eram desconhecidas Desse modo procurou-se evidenciar a potencialidade do uso da história oral para recuperar histórias que ficaram soterradas e invisibilizadas durante longo tempo, sobrepostas por narrativas eurocêntricas e centradas apenas em documentos escritos produzidos pela elite brasileira. Referências PRAXEDES, V. L. O povo morrense nos cenários da cidade em diversas temporalidades In: Morro do Pilar: cultura, memória, sustentabilidade e a antecipação do futuro.1 ed. Morro do Pilar - MG : Instituto Espinhaço, 2014, v.1, p. 138-197. TEIXEIRA, Inês Assunção de Castro; PRAXEDES, V. L. História Oral e Educação: tecendo vínculos e possibilidades pedagógicas In: História Oral: teoria, educação e sociedade.1 ed. Juiz de Fora - MG : Ed. UFJF/ABHO, 2006, v.1, p. 155-172. THOMPSON, Paul. A voz do passado. São Paulo: Paz e Terra, 1992.
Título do Evento
4º SEGE (Seminário Efeitos de Gênero)
Cidade do Evento
Montes Claros
Título dos Anais do Evento
Anais do 4º SEGE (Seminário Efeitos de Gênero)
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PRAXEDES, Vanda Lúcia. HISTÓRIA ORAL: MÉTODO E FONTE PARA A REESCRITA DA HISTÓRIA DAS MULHERES NEGRAS.. In: Anais do 4º SEGE (Seminário Efeitos de Gênero). Anais...Montes Claros(MG) Unimontes, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/4-sege-seminario-efeitos-genero/1427927-HISTORIA-ORAL--METODO-E-FONTE-PARA-A-REESCRITA-DA-HISTORIA-DAS-MULHERES-NEGRAS. Acesso em: 21/06/2026

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