BETWEEN LOS INTERSTICIOS: O EMPREGO EPISTEMOLÓGICO DA ALTERNÂNCIA DE CÓDIGO EM "BORDERLANDS/LA FRONTERA: THE NEW MESTIZA" (1987) DE GLORIA E. ANZALDÚA

Publicado em 09/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2135-7

Título do Trabalho
BETWEEN LOS INTERSTICIOS: O EMPREGO EPISTEMOLÓGICO DA ALTERNÂNCIA DE CÓDIGO EM "BORDERLANDS/LA FRONTERA: THE NEW MESTIZA" (1987) DE GLORIA E. ANZALDÚA
Autores
  • Pedro Victor Antunes Guerra
Modalidade
Resumo
Área temática
08. História das mulheres: literatura, imprensa, mídias e trabalho | Presencial
Data de Publicação
09/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/4-sege-seminario-efeitos-genero/1361293-between-los-intersticios--o-emprego-epistemologico-da-alternancia-de-codigo-em-borderlandsla-frontera--the-new
ISBN
978-65-272-2135-7
Palavras-Chave
Alternância de Código, Gloria Anzaldúa, Borderlands/La Frontera
Resumo
Esta pesquisa em andamento propõe uma estrutura transdisciplinar para analisar a mudança de código (code-switching) na obra de Gloria Anzaldúa, Borderlands/La Frontera: The New Mestiza (1987), argumentando que sua prática linguística não é apenas uma escolha estilística, mas uma intervenção metodológica e epistemológica deliberada. Por meio de lentes literárias e históricas, o estudo demonstra que o movimento de Anzaldúa entre o inglês, o espanhol, o espanhol chicano e o náuatle constitui a própria arquitetura estrutural de sua teoria da consciência mestiça: a forma que encarna o conteúdo. Identificamos até o momento sete categorias interconectadas ou tipos de mudança de código que operam ao longo de Borderlands/La Frontera: (i) o Deslocamento Epistemológico, que articula conceitos intraduzíveis sem violência epistêmica; (ii) o Deslocamento Afirmativo, que performa a identidade cultural por meio da resistência linguística; (iii) a Voz Comunitária e Familiar, que preserva a linguagem íntima e imediata do lar e da memória; (iv) o Deslocamento Espiritual/Conocimiento, que invoca práticas sagradas sincréticas e descoloniza a espiritualidade; (v) o Deslocamento Poético e Ritualístico, que cria espaços literários liminares; (vi) o Deslocamento Polêmico e de Resistência, que marca locais de conflito cultural; (vii) e o Deslocamento Metalinguístico, através do qual Anzaldúa teoriza sua própria prática. Central para essa estrutura está o reconhecimento de que essas categorias frequentemente se sobrepõem e operam simultaneamente, espelhando a natureza híbrida e transfronteiriça da própria identidade mestiça afirmada por Glória E. Anzaldua. Especialmente significativo é o Deslocamento Espiritual/Conocimiento: a recuperação da espiritualidade feminina indígena por meio de uma linguagem que recusa a tradução colonial. Termos como “Coatlicue”, “nepantla” e “la facultad” funcionam como invocações (confirmaçőes de um espaço espiritual) e não meras descrições, realizando uma transformação e afirmação espiritual e ancestral nas páginas do livro. Buscamos também contextualizar a resistência linguística de Anzaldúa dentro da trajetória mais ampla das políticas linguísticas nas fronteiras entre os Estados Unidos e o México. Desde os violentos apagamentos linguísticos do Tratado de Guadalupe Hidalgo, passando pelos movimentos de “English-only” do século XX e pela recuperação linguística do Movimento Chicano, a mudança de código de Anzaldúa emerge como herança e intervenção, em suma, uma prática que recupera vozes suprimidas enquanto cria novas formas de expressão. Sua obra funciona como um contra-arquivo, preservando e transmitindo formas de conhecimento que as histórias oficiais em língua inglesa marginalizaram ou apagaram. Por meio de uma análise textual minuciosa das seções em prosa e poesia, este estudo revela como a mudança de código reflete a prática historiográfica de Gloria E. Anzaldúa: reescrevendo ativamente a história das fronteiras por meio da soberania linguística. A recusa de Anzaldúa em traduzir, seu uso estratégico de múltiplos registros linguísticos e a criação de um espaço textual híbrido constituem atos de descolonização que desafiam o leitor a atravessar tanto fronteiras linguísticas como epistemológicas.
Título do Evento
4º SEGE (Seminário Efeitos de Gênero)
Cidade do Evento
Montes Claros
Título dos Anais do Evento
Anais do 4º SEGE (Seminário Efeitos de Gênero)
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GUERRA, Pedro Victor Antunes. BETWEEN LOS INTERSTICIOS: O EMPREGO EPISTEMOLÓGICO DA ALTERNÂNCIA DE CÓDIGO EM "BORDERLANDS/LA FRONTERA: THE NEW MESTIZA" (1987) DE GLORIA E. ANZALDÚA.. In: Anais do 4º SEGE (Seminário Efeitos de Gênero). Anais...Montes Claros(MG) Unimontes, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/4-sege-seminario-efeitos-genero/1361293-BETWEEN-LOS-INTERSTICIOS--O-EMPREGO-EPISTEMOLOGICO-DA-ALTERNANCIA-DE-CODIGO-EM-BORDERLANDSLA-FRONTERA--THE-NEW. Acesso em: 29/07/2026

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