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Apresentação
Levar o III Congresso da Organização Paulista de Arte Educação para Bauru significou muito mais do que realizar uma nova edição do ConOPAE. Significou fazer a OPAE avançar pelo estado, alcançar outros territórios e colocar em prática aquilo que sempre defendemos: a Arte Educação precisa circular, reunir pessoas e fortalecer as diferentes experiências construídas nas escolas, nas universidades, nos espaços culturais e em tantos outros lugares onde a arte acontece.
Realizado entre os dias 29 de agosto e 1º de setembro de 2024, o III ConOPAE teve como tema “Arte no centro da vida”. A escolha de Bauru, localizada no centro do estado de São Paulo, deu ainda mais sentido a esse tema. Estávamos, de maneira simbólica e concreta, levando a Arte Educação para o centro e afirmando que as discussões sobre o ensino de Arte não podem permanecer concentradas na capital. Elas precisam percorrer o estado, aproximar profissionais de diferentes regiões e reconhecer os saberes produzidos em cada território.
O Congresso aconteceu em parceria com o curso de Artes Visuais da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design da Unesp de Bauru, que naquele ano celebrava seus 50 anos. Comemorar essa trajetória junto ao III ConOPAE foi muito significativo. O curso de Artes Visuais faz parte da história da formação de artistas, professoras, professores e pesquisadores no interior paulista. Ao reunir a história da OPAE com os 50 anos do curso, celebramos não apenas uma data, mas a continuidade de um trabalho coletivo dedicado à arte, ao seu ensino e à formação de novas gerações.
A programação foi construída entre os espaços da FAAC/Unesp e do Sesc Bauru, parceiro fundamental para a realização do encontro. Foram quatro dias de conferências, mesas de debate, fóruns, exposições, apresentações artísticas, lançamentos de livros, oficinas, reuniões e encontros entre estudantes, docentes, pesquisadores, artistas e profissionais da educação e da cultura.
O Fórum Arte, Educação e Saúde ampliou uma discussão ainda pouco presente nos congressos de Arte Educação e nos permitiu refletir sobre as relações entre criação artística, formação humana, cuidado e direito à vida. A programação contou também com exposições, performances, intervenções e apresentações do Coral da Unesp, do Projeto Guri, do Muguenkyo Bauru Wadaiko, do Coletivo As Rutes, das Bazucas Poéticas, dos Parangolés, da Cia. Mariza Basso Formas Animadas e do Maracatu Abayomi, entre outras ações que fizeram com que o Congresso não apenas falasse sobre arte, mas fosse atravessado por ela.
Foi um privilégio termos a professora Ana Mae Barbosa conosco na conferência “Arte para Querer Viver”, mediada pela professora Maria Christina de Souza Lima Rizzi. A presença de Ana Mae, referência fundamental para a história da Arte Educação brasileira, tornou aquele momento especialmente marcante. Sua conferência deu ainda mais força ao tema do Congresso e nos lembrou de que defender a arte no centro da vida é defender o direito de todas as pessoas à criação, à expressão, ao pensamento crítico e à experiência estética. Na mesma noite, a entrega do Prêmio Ana Mae Barbosa ao professor João Cardoso Palma Filho reconheceu uma trajetória comprometida com a educação e com a defesa do ensino de Arte.
Se eu precisasse dizer onde o Congresso aconteceu de modo mais intenso, eu diria: nas Rodas de Conversa. Foram 63 trabalhos distribuídos em sete eixos temáticos, envolvendo as infâncias, as memórias, as histórias, a saúde, a formação, as políticas territoriais, as linguagens contemporâneas e os diferentes saberes produzidos no ensino de Arte. Mais do que apresentar pesquisas e relatos de experiência, as rodas criaram condições para que as pessoas conversassem, fizessem perguntas, encontrassem aproximações entre seus trabalhos e reconhecessem dificuldades e possibilidades comuns.
As apresentações não foram pensadas como falas isoladas, mas como parte de uma construção coletiva. Em cada sala, os trabalhos se abriam ao diálogo e provocavam novas questões. Muitas conversas continuaram nos corredores, nos intervalos, durante as atividades artísticas e nos demais momentos do Congresso. Essa troca foi uma das maiores riquezas do III ConOPAE, porque mostrou que produzir conhecimento em Arte Educação também envolve escutar, compartilhar experiências e permitir que uma pesquisa transforme e seja transformada pelo encontro com outras pessoas.
As oficinas realizadas nos espaços da FAAC também tiveram um papel importante nessa programação. “Jogos e brincadeiras dançantes na infância”, “Escrever para não esquecer”, “Oficina Coral”, “Música em Ação”, “Música como linguagem: teoria e práticas para a Educação Infantil”, “O uso da história em quadrinhos na sala de aula” e “Modelando com o lado direito do cérebro” possibilitaram que os participantes experimentassem diferentes linguagens e procedimentos artísticos. As salas e os ateliês tornaram-se lugares de criação, movimento, escrita, canto, escuta, desenho, modelagem e partilha. Nessas atividades, teoria e prática não apareceram separadas, mas como partes de um mesmo processo de formação.
Os artigos completos reunidos nestes Anais dão continuidade aos trabalhos apresentados no Congresso. Neles, as autoras e os autores puderam aprofundar seus fundamentos, explicitar seus percursos metodológicos, refletir sobre suas práticas e registrar os resultados e as questões produzidas por suas pesquisas. A publicação permite que aquilo que foi discutido em Bauru não permaneça somente na memória de quem esteve presente, mas alcance outras pessoas, instituições e territórios.
Estes textos revelam a diversidade e a força da Arte Educação produzida em nosso estado. São pesquisas, relatos de experiência e reflexões que partem de diferentes contextos, mas que compartilham o compromisso com uma educação mais sensível, crítica, democrática e atenta às diferenças. Ao publicá-los, reafirmamos que professoras e professores de Arte também produzem conhecimento a partir de suas práticas, de suas investigações e das relações que constroem com estudantes, comunidades e territórios.
Nada disso teria sido possível sem a parceria da FAAC/Unesp, do curso de Artes Visuais e do Sesc Bauru, assim como sem o trabalho das comissões organizadora e científica, das equipes técnicas, das instituições e dos grupos culturais envolvidos. Agradeço especialmente às pareceristas e aos pareceristas, às pessoas que ofereceram oficinas, conferências e atividades artísticas e, principalmente, às autoras e aos autores que confiaram seus trabalhos ao Congresso. Cada participação ajudou a construir esse encontro.
O III ConOPAE tornou-se um marco na história da OPAE. Ao chegar a Bauru, a associação ampliou sua presença no estado e fortaleceu seu compromisso de estar próxima das diferentes regiões e realidades da Arte Educação paulista. Colocar a Arte no centro da vida foi, para nós, uma afirmação política, pedagógica e também afetiva: não há formação humana plena quando a arte é colocada à margem.
Que estes Anais mantenham vivas as conversas iniciadas em Bauru e façam surgir outras perguntas, pesquisas, práticas e encontros. Que os textos aqui publicados possam chegar às escolas, às universidades, aos espaços culturais e a todos os lugares em que alguém continue lutando para que a arte ocupe o lugar que lhe pertence: o centro da vida.
Boa leitura!
Fernando Bueno Catelan
Coordenador-geral da Comissão Científica do III ConOPAE
Presidente da OPAE
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Responsável
Fernando Bueno Catelan
fernandocatelan@yahoo.com.br; opae@opae.com.br
(11) 9 9317-0540
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