LIMITES DO MANEJO FARMACOLÓGICO NA DUPLA CÂMARA VENTRICULAR DIREITA (DCVD) ASSOCIADA A MÚLTIPLAS CARDIOPATIAS EM CANINO: RELATO DE CASO

Publicado em 03/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2550-8

Título do Trabalho
LIMITES DO MANEJO FARMACOLÓGICO NA DUPLA CÂMARA VENTRICULAR DIREITA (DCVD) ASSOCIADA A MÚLTIPLAS CARDIOPATIAS EM CANINO: RELATO DE CASO
Autores
  • Isabele de Araújo Melo
  • Robério Ferreira Fiuza
  • Vivian Aguiar Viana
  • Mayra Ferreira Gomes Matos
  • Lara Vetricia Oliveira Sampaio
  • Lia Mara Ambrósio De Oliveira Frota
  • Luis Felipe Lopes Magalhães
Modalidade
Relato de Caso
Área temática
Clínica Médica de Pequenos Animais
Data de Publicação
03/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/1sepa-717829/1564152-limites-do-manejo-farmacologico-na-dupla-camara-ventricular-direita-(dcvd)-associada-a-multiplas-cardiopatias-em
ISBN
978-65-272-2550-8
Palavras-Chave
Cardiopatias associadas, Dupla câmara ventricular direita (DCVD), Hemodinâmica, Insuficiência cardíaca congestiva, Terapia diurética
Resumo
A Dupla Câmara Ventricular Direita (DCVD) é uma cardiopatia congênita rara caracterizada pela presença de bandas fibromusculares que subdividem o ventrículo direito (VD) em uma câmara proximal de alta pressão e outra distal de baixa pressão, promovendo obstrução fixa ao fluxo de saída, sobrecarga pressórica, hipertrofia concêntrica e progressão para insuficiência cardíaca direita (ICD). Este trabalho tem como objetivo demonstrar, até que ponto o manejo farmacológico intensivo é capaz de compensar uma obstrução intracardíaca estrutural complexa, evidenciando seus limites frente à associação de múltiplas cardiopatias. Relata-se o caso de um canino, Pug, macho, 2 anos, atendido em estado de descompensação hemodinâmica significativa, ascite volumosa e intolerância ao exercício. A avaliação ecocardiográfica evidenciou DCVD associada à estenose aórtica, megaátrio direito e insuficiência tricúspide grave, configurando um quadro raro e de alta complexidade, marcado por sobrecarga pressórica biventricular e importante disfunção valvar. Exames laboratoriais iniciais demonstraram elevação de ALT (141,4 UI/L), compatível com hepatopatia congestiva, e ureia de 83,4 mg/dL, sugerindo azotemia pré-renal secundária à redução do débito cardíaco efetivo. A urinálise e a relação proteína/creatinina urinária (UPC 0,12) não evidenciaram proteinúria significativa, e a densidade urinária reduzida foi compatível com o efeito farmacológico dos diuréticos, sugerindo preservação da função tubular apesar da politerapia. A abordagem terapêutica baseou-se em torasemida (0,2 mg/kg SID), furosemida (1 mg/kg SID) e espironolactona (1,25 mg/kg SID), associadas a suporte hepático e gastroproteção. A fisiopatologia é centrada na obstrução intraventricular direita, que eleva a pressão diastólica final do VD, compromete o retorno venoso sistêmico e culmina em hipertensão venosa com repercussão portal, evidenciada por efusão abdominal hemorrágica, compatível com transudato modificado de caráter crônico. A presença concomitante de estenose aórtica impõe limitação crítica ao manejo, restringindo o uso de vasodilatadores como o sildenafil, cujo efeito poderia agravar a hipoperfusão e desencadear síncopes. Paralelamente, a insuficiência tricúspide grave intensifica a sobrecarga volumétrica do átrio direito, agravando a congestão sistêmica e perpetuando a formação de ascite. Do ponto de vista terapêutico, a torasemida foi determinante para o controle mais eficaz da volemia, enquanto sua associação com a furosemida buscou minimizar a resistência diurética por meio do bloqueio sequencial do néfron. Apesar da gravidade estrutural e das limitações farmacológicas impostas pelas comorbidades, observou-se resposta clínica e laboratorial favorável, com redução da ALT e manutenção da função renal, indicando melhora da perfusão tecidual. A intervenção cirúrgica, embora reconhecida como tratamento definitivo, foi postergada por limitações logísticas, optando-se pela estabilização clínica e acompanhamento contínuo para planejamento futuro. O principal desafio consistiu em equilibrar a redução da volemia, essencial para o controle da congestão, com a manutenção de pressão de enchimento suficiente para garantir fluxo através da obstrução e preservar o débito cardíaco. Conclui-se que, embora o manejo farmacológico seja capaz de promover estabilização clínica significativa, ele atua como medida temporária em um cenário de doença estrutural grave e multifatorial, não modificando sua evolução natural, o que confere ao caso prognóstico reservado e reforça a necessidade de intervenção cirúrgica para melhora da sobrevida a longo prazo.
Título do Evento
1º SEPA – Simpósio de Especialidades em Pequenos Animais
Cidade do Evento
Sobral
Título dos Anais do Evento
Anais do 1º SEPA: Simpósio de Especialidades em Pequenos Animais
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MELO, Isabele de Araújo et al.. LIMITES DO MANEJO FARMACOLÓGICO NA DUPLA CÂMARA VENTRICULAR DIREITA (DCVD) ASSOCIADA A MÚLTIPLAS CARDIOPATIAS EM CANINO: RELATO DE CASO.. In: Anais do 1º SEPA: Simpósio de Especialidades em Pequenos Animais. Anais...Sobral(CE) UNINTA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/1sepa-717829/1564152-LIMITES-DO-MANEJO-FARMACOLOGICO-NA-DUPLA-CAMARA-VENTRICULAR-DIREITA-(DCVD)-ASSOCIADA-A-MULTIPLAS-CARDIOPATIAS-EM. Acesso em: 01/11/2026

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