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Apresentação
Os Anais do 1º Encontro da Rede de Grupos de Pesquisa Subalternidades em Educação Matemática reúnem 31 trabalhos apresentados por 58 participantes, vinculadas a diferentes grupos de pesquisa, universidades, institutos federais e redes de educação básica. Entre esses grupos, destacam-se o MatematiQueer e o inSURgir/Phala, propositores do evento e organizadores desta edição, o NIEMS, o Gecudedis, o Gepac, o LaPraME e o Devires, cuja presença evidencia a constituição de uma articulação acadêmica e política que vem se fortalecendo em torno da problematização das subalternidades no campo da Educação Matemática.
Mais do que um conjunto de textos reunidos em um evento, estes Anais expressam a emergência e a consolidação de uma rede que se organiza a partir de inquietações comuns, ainda que produzidas em contextos institucionais, territoriais e formativos distintos. Trata-se de um movimento que tensiona a ideia de uma Educação Matemática neutra, universal e descolada das condições concretas de vida, ao afirmar a centralidade das relações de poder, dos processos de exclusão, das disputas por reconhecimento e das experiências historicamente colocadas à margem do campo.
A composição das pessoas participantes também é significativa nesse processo. Os dados apontam para uma heterogeneidade marcada por distintas experiências de gênero, sexualidade e raça, o que ajuda a compreender que a Rede não se estrutura apenas como uma associação entre grupos de pesquisa, mas como um espaço político de encontro entre trajetórias, perspectivas e compromissos éticos diversos. Nesse sentido, as pessoas participantes e os trabalhos submetidos não apenas ocupam um espaço acadêmico, mas contribuem para redefinir quais questões importam à Educação Matemática, quem pode formulá-las e a partir de quais lugares elas podem ser enunciadas.
A leitura do conjunto dos trabalhos permite perceber algumas linhas de força que atravessam as produções aqui reunidas. Uma delas é a centralidade das experiências vividas, das narrativas e das trajetórias como formas legítimas de produção de conhecimento. Em muitos trabalhos, a relação com a matemática é investigada a partir das marcas deixadas por processos de exclusão, resistência, permanência e invenção, o que desloca a compreensão da pesquisa para além de modelos abstratos e universalizantes.
Outra linha de força importante é a atenção dedicada à formação docente, tanto inicial quanto continuada, especialmente no que se refere aos limites dos currículos, das práticas pedagógicas e dos processos formativos diante de questões como gênero, sexualidades, raça, classe, território, deficiência e outras dimensões que estruturam a vida social. Os trabalhos sugerem que pensar a docência em matemática exige problematizar não apenas conteúdos e métodos, mas também os regimes de reconhecimento que autorizam certas presenças e silenciam outras.
Também se destaca a presença de pesquisas comprometidas com práticas pedagógicas situadas, desenvolvidas em contextos específicos e atravessadas por problemas concretos da vida social. A matemática aparece, nesses estudos, vinculada a experiências educativas em territórios periféricos, espaços de educação de jovens e adultos, contextos de privação de liberdade, ações extensionistas e outros cenários em que ensinar e aprender matemática implica lidar com questões urgentes de existência, dignidade e direito.
Uma linha igualmente expressiva é a problematização curricular e epistemológica da própria matemática. Os trabalhos aqui reunidos não se limitam a reivindicar inclusão em um campo previamente dado, mas propõem tensionar os modos como esse campo foi historicamente constituído, interrogando quais saberes são legitimados, quais experiências são autorizadas a compor o currículo e quais formas de produção de conhecimento permanecem subalternizadas. Com isso, os Anais ajudam a afirmar que discutir subalternidades em Educação Matemática não significa apenas ampliar temas, mas produzir deslocamentos nas próprias bases do campo.
Além disso, atravessa muitos dos trabalhos uma perspectiva interseccional, na qual diferentes marcadores sociais são compreendidos em articulação, e não de forma isolada. Essa dimensão é particularmente importante porque impede leituras simplificadoras das desigualdades e permite compreender, com maior densidade, como operam os processos de subalternização e também como se constroem resistências, alianças e reexistências em diferentes contextos educativos.
Assim, estes Anais materializam mais do que o registro de um encontro. Eles tornam visível um movimento coletivo de produção de conhecimento que se recusa a tratar as margens como exterioridade e que, ao contrário, as toma como lugares potentes de elaboração teórica, política e pedagógica. Ao colocar em circulação esses trabalhos, o 1º Encontro da Rede de Grupos de Pesquisa Subalternidades em Educação Matemática afirma a potência de pesquisas que investigam, tensionam e reinventam o campo a partir de experiências historicamente desautorizadas, mas profundamente fecundas para pensar outros modos de fazer Educação Matemática.
Que a leitura destes Anais possa mobilizar novas perguntas, fortalecer vínculos entre grupos e ampliar as possibilidades de uma Educação Matemática comprometida com reconhecimento, justiça social e transformação.
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Responsável
matematiqueer@im.ufrj.br
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