Título do Trabalho
INVISÍVEIS? CRÍTICA A UMA METÁFORA POLÍTICA
Autores
  • Luiz Gustavo Duarte
  • Maira Sayuri Sakay Bortoletto
Modalidade
Relato de Pesquisa
Área temática
Eixo 4 - Investigação e repertórios teóricos para o encontro com os Saberes e Práticas que vem das Margens
Data de Publicação
05/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/1-seminario-internacional-rede-observatorios-micropolitica-cuidado/1319909-invisiveis-critica-a-uma-metafora-politica
ISBN
978-65-272-2187-6
Palavras-Chave
Invisibilidade social, Vulnerabilização, Regimes de saber-poder, Responsabilização institucional, Políticas públicas
Resumo
A metáfora de "invisíveis" ou "invisibilizados", frequentemente aplicada a grupos minoritários como pessoas em situação de rua, com deficiência, negras, indígenas e LGBTQIA+, desloca a análise da produção de vulnerabilidades para uma esfera puramente perceptiva e óculo-cêntrica. Este resumo trata de um relato de pesquisa sobre o desenvolvimento de um ensaio onde mapeamos a recorrência desses termos em textos acadêmicos, legislativos e jornalísticos, demonstrando como tal ênfase não só hierarquiza os sentidos, como também potencialmente sugere que a solução para a opressão seria simplesmente "ser visto". Argumenta-se que a metáfora da invisibilidade desloca o debate para uma esfera meramente perceptiva e óculo-cêntrica, esvaziando a implicação ético-política inerente à convivência com a opressão. A partir de uma perspectiva foucaultiana, a invisibilidade social é interpretada não como uma ausência, mas como um efeito de regimes de saber-poder que produzem ativamente o não reconhecimento. Evidências contraditórias, como a proliferação de políticas de “higienização urbana” e de criminalização da pobreza, revelam que esses grupos não são invisíveis, mas, ao contrário, alvos bem visados por dispositivos de controle. Recorrendo ao conceito de “ruído” ou “terceiro incluído” de Michel Serres, propõe-se que esses sujeitos operam como presenças desestabilizadores da ordem social idealizada e provocam reações repressivas. Ao reconhecer, sem apagar, relatos de vivência de invisibilidade, recentramos o debate na garantia de direitos e na implicação ético-política cotidiana, contribuindo para agendas de pesquisa e políticas públicas orientadas à responsabilização institucional e à defesa da vida. Portanto, propomos que há necessidade de substituir a metáfora sensória por termos que nomeiem explicitamente os processos em curso, como “vulnerabilizadas”, “negligenciadas” ou “criminalizadas”, a fim de reposicionar a responsabilidade e a agência na formulação de políticas públicas e na produção de conhecimento.
Título do Evento
1º Seminário Internacional da Rede de Observatórios de Micropolítica, Cuidado e Saúde Coletiva - Saberes e Práticas de Cuidado Produzidos às Margens: Percorrendo Veredas
Cidade do Evento
Campinas
Título dos Anais do Evento
Anais do 1º Seminário Internacional da Rede de Observatórios de Micropolítica, Cuidado e Saúde Coletiva - Saberes e Práticas de Cuidado Produzidos às Margens: Percorrendo Veredas
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

DUARTE, Luiz Gustavo; BORTOLETTO, Maira Sayuri Sakay. INVISÍVEIS? CRÍTICA A UMA METÁFORA POLÍTICA.. In: Anais do 1º Seminário Internacional da Rede de Observatórios de Micropolítica, Cuidado e Saúde Coletiva - Saberes e Práticas de Cuidado Produzidos às Margens: Percorrendo Veredas. Anais...Campinas(SP) UNICAMP, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/1-seminario-internacional-rede-observatorios-micropolitica-cuidado/1319909-INVISIVEIS-CRITICA-A-UMA-METAFORA-POLITICA. Acesso em: 29/05/2026

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