O VI Encontro Regional Norte da Associação Brasileira de Etnomusicologia (ABET) e a I Jornada de Etnomusicologia do Maranhão acontecerão em São Luís/MA nos dias 24 a 26 de junho de 2026.
R. da Palma, 316 - São Luís - Maranhão - Brasil
Realização: 24 a 26 de junho de 2026
O VI Encontro Regional Norte da Associação Brasileira de Etnomusicologia (ABET) e a I Jornada de Etnomusicologia do Maranhão acontecerão em São Luís/MA nos dias 24 a 26 de junho de 2026.
Tema: Perspectivas para a Etnomusicologia frente ao avanço do imperialismo na Pan-Amazônia
Palestra de Abertura:

JOSÉ JORGE DE CARVALHO
No mapa da Etnomusicologia no Brasil de 2016, apenas os Estados do Pará e Amazonas dispunham de cursos de etnomusicologia em suas instituições de ensino superior, estando de fora todos os demais estados da Amazônia Legal: Acre, Amapá, Mato Grosso, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão, conforme dados do livro "Etnomusicologia no Brasil". Hoje, o cenário é outro, com a quase totalidade da região possuindo cursos e disciplinas de Etnomusicologia em suas universidades. Um forte indício desta expansão é a realização deste VI Encontro Regional Norte da Associação Brasileira de Etnomusicologia - ABET e da I Jornada de Etnomusicologia do Maranhão, eventos que ocorrerão na cidade de São Luís nos dias 24, 25 e 26 de junho de 2026, colocando definitivamente o Maranhão no mapa da Etnomusicologia brasileira.
O evento faz parte de um esforço conjunto do Laboratório de Etnomusicologia e Percussão Maranhense da Universidade Estadual do Maranhão (LEPM-UEMA), do Laboratório de Educação Musical Dialógica da UEMA, do Laboratório de Etnomusicologia da Escola de Música do Estado do Maranhão (LABETNO-EMEM), e do Grupo de Pesquisa em Práticas Musicais no Maranhão (GPMUSI-UFMA), que programaram as datas para que fosse realizado justamente em período junino, período privilegiado para conhecer as ricas tradições culturais do Maranhão.
O encontro convida estudantes, professores, mestres das culturas tradicionais e interessados em geral a submeterem trabalhos de pesquisa, projetos e produtos, em andamento ou concluídos, que de alguma forma dialoguem com a Etnomusicologia. De um modo mais específico, o evento tematiza a relação entre a etnomusicologia e o imperialismo, provocando reflexão sobre o papel da área frente ao crescente avanço de forças internacionais nas regiões onde se concentram as principais riquezas naturais do planeta, como é o caso da Pan-Amazônia. Pretende-se discutir o alcance do trabalho etnomusicológico diante das questões macro-políticas que afetam diretamente a vida dos povos historicamente oprimidos que fazem música na região. O imperialismo oprime a América Latina desde a colonização e a sua faceta mais recente é o imperialismo estadunidense. Dessa maneira, refletir sobre o imperialismo conecta a temática do encontro com a construção histórica latino-americana. Essa temática permeia os pontos principais em discussão na atualidade e impacta, assim como no passado, a cultura, a música e a pesquisa etnomusicológica. As culturas devem dialogar em pé de igualdade, sem que sejam moldadas e redefinidas por quem domina. Logo, a reflexão sobre os avanços do imperialismo e a construção de uma etnomusicologia anti-imperialista podem contribuir para compreender as interações entre diferentes povos, criando relações dialógicas que tenha o respeito interétnico como valor fundamental.
Como exemplo desta ingerência imperialista no Brasil, nos últimos dez anos, podemos citar: o golpe de estado de 2016; a prisão, em 2018, de ex-presidente da república com a maior aprovação da história, o que levou a eleição de presidente "protofascista" no mesmo ano (2018), e que, por consequência, possibilitou a assinatura do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas em 2019, que entregou a Centro de Lançamentos de Alcântara para os Estados Unidos da América; levou a morte de mais de 700.000 brasileiros por falta de política responsável durante a pandemia de covid 19; aprovou a lei que instituiu a independência do Banco Central Brasileiro (2021), entregando a economia brasileira ao capital financeiro internacional; permitiu a privatização da Eletrobrás (2022), empresa estratégica para o crescimento do país; vendeu/privatizou a preço abaixo do mercado refinarias brasileiras, o que aumenta os impactos de conflitos internacionais na economia brasileira etc. Os efeitos devastadores dessa ingerência fizeram que algumas universidades públicas no país, durante os anos do governo protofascista (2019-2022), quase tivessem que paralisar suas atividades por falta de repasse de recursos. As universidades são agente central das pesquisas da Etnomusicologia no Brasil, o que torna evidente a importância de analisar criticamente as consequências dos avanços do imperialismo para a área. A volta de governo progressista (2023-2026), embora tenha avançado em algumas agendas de desenvolvimento econômico e inclusão social, não conseguiu até agora desfazer nenhum dos retrocessos apontados acima.
Etnomusicólogos no Brasil trabalham justamente com os povos mais oprimidos do campo e da cidade, com o objetivo declarado de promover emancipação social desses grupos, o que nos coloca numa posição sensível em relação aos grandes problemas da América Latina frente ao "sistema mundial" de poder, nos termos de André Gunder Frank em "Capitalismo e Subdesenvolvimento na América Latina". Diante deste cenário, quais níveis de radicalidade os etnomusicólogos estariam dispostos a adotar para confrontar forças internacionais associadas às classes dominantes nacionais que vêm promovendo a devastação social, econômica, política e cultural que testemunhamos no país ao longo da história? Quais seriam as propostas metodológicas e novas epistemologias a serem adotadas pela etnomusicologia neste contexto de renovada interferência imperialista? Haveria a possibilidade de rumarmos para a construção de uma etnomusicologia anti-imperialista na América Latina? Essas e muitas outras questões têm o objetivo de instigar nossa imaginação ao mesmo tempo em que nos impõe um rigor intelectual que nos habilite a construir uma etnomusicologia cada vez mais crítica e reflexiva e capaz de responder à crescente complexidade da sociedade brasileira e latino-americana em sua busca por soberania.
Prazo: até 10 de maio de 2026
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Datas: 25 e 26 de julho de 2026 à tarde
Os trabalhos aprovados para comunicação (resumos expandidos ou artigos científicos) poderão ser apresentados através de dois formatos distintos:
a) Comunicação Presencial — autor(as/es) fará/farão a apresentação presencialmente no local do evento, no dia e horário agendados na Programação; ou
b) Comunicação Audiovisual — autor(as/es) poderá/poderão gravar a comunicação em vídeo, que será exibido em uma sala durante a Programação.
Para as Comunicações Presenciais, basta que o(s) autor(as/es) enviem a versão final do trabalho através do sistema de submissões da Even3 e se façam presentes no dia e horário designados para sua apresentação.
Para as Comunicações Audiovisuais, o(s) autor(as/es) devem enviar a versão final do trabalho através do sistema de submissões da Even3, adicionando ao final do arquivo o endereço/link de acesso para a gravação de drive compartilhado (Google, OneDrive, etc.) ou de link não listado (YouTube, Vimeo, etc.). O vídeo deve conter a resolução de 720p (1280x720 na proporção 16:9); se houver textos, eles devem ter tamanho legível na tela. Os arquivos-modelo (templates) dos artigos científicos e dos resumos expandidos trazem ao final um espaço dedicado ao envio do endereço/link de acesso.
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