Pensar uma psicanálise nas margens é aprender com a força da Caatinga: território onde o olhar colonial vê apenas seca e morte, mas onde a vida guarda água, aprofunda raízes e floresce contra toda sentença de abandono. Este curso propõe uma travessia crítica por uma clínica periphérica, capoeirista e insurgente, capaz de deslocar a psicanálise de seus espaços elitizados para escutar sujeitos atravessados pelo racismo, pela violência de Estado, pela precarização da vida, pela colonialidade e pela produção social da morte. Em diálogo com Freud, Ferenczi, Lacan, Winnicott, Lélia Gonzalez, Conceição Evaristo, Guimarães Rosa, Leda Maria Martins e o pensamento negro-periférico, investigaremos como trauma, inconsciente, corpo, sintoma, linguagem e ancestralidade podem sustentar uma escuta que reconhece, nas margens, não apenas dor, mas memória, saber, resistência e vida insistindo onde tudo parecia destinado ao fim.