Entre infância, perda e memória, a conferência propõe um mergulho sensível na relação poética entre
Alberto da Costa e Silva e seu pai, o também poeta Da Costa e Silva,
revelando como a literatura pode se tornar espaço de continuidade
afetiva, memória e recriação. A partir da leitura de poemas de ambos, o
encontro evidencia os fios que entrelaçam suas obras: a presença
marcante da infância, a experiência da perda, a sombra constante da
morte e, sobretudo, a saudade como matéria poética.
Mais
do que um estudo comparativo, a palestra destaca o diálogo íntimo entre
as vozes dos dois poetas - um diálogo que atravessa o tempo e
transforma a herança literária em gesto vivo. Observa-se como o lirismo
de Da Costa e Silva, marcado por musicalidade e imaginação simbólica,
ecoa e se reinventa na poesia de Alberto, que incorpora memória,
reflexão e um olhar contemporâneo sobre o passado.
Ao
explorar aproximações e diferenças de estilo, a apresentação também
reflete sobre o legado deixado por pai e filho à literatura brasileira:
uma obra que, ao mesmo tempo em que se ancora na tradição, abre caminhos
para novas formas de expressão poética.
Entre permanência e
transformações, a palavra herdada revela-se como um elogio profundo
entre gerações - e como uma forma de resistência ao esquecimento.