A Formação do analista – 100 anos de A questão da Análise Leiga

A Formação do analista – 100 anos de A questão da Análise Leiga

presencial Tv. Guadalupe, 148 - Lavras - Minas Gerais - Brasil

Convocatória

Em 1926, Freud publica o trabalho: “A questão da análise leiga: diálogo com um interlocutor imparcial”, em resposta ao processo movido contra Theodor Reik, em Viena, por exercer a psicanálise sem ser médico. Destaca-se, nesse contexto, a recusa de Sigmund Freud diante da tentativa de reduzir a psicanálise a uma técnica terapêutica, o que o leva a discutir a especificidade da formação do analista. A defesa de uma análise leiga foi, em seu tempo, uma defesa contra a apropriação da prática da psicanálise pelo campo médico. Porém, atualmente, essa questão se insere em um horizonte mais amplo e complexo: a captura da psicanálise por dispositivos de regulamentação, por exigências de evidência, por protocolos institucionais e, sobretudo, por uma cultura que exige eficácia, rapidez e adaptação. 

Discussões sobre sua legitimidade como tratamento, sobre seu lugar no campo científico e sobre a formação do analista, atravessam a história da psicanálise desde sua fundação. No Brasil, assistimos recentemente à proposição de projetos de regulamentação da psicanálise como profissão, bem como à criação de cursos universitários de graduação em psicanálise. Como esses caminhos situam-se diante da ética psicanalítica? Que efeitos essas propostas produzem na transmissão da psicanálise e na formação do analista? O que, afinal, provoca tamanho incômodo?

Freud, ao sustentar que o analista não necessita da diplomação em medicina, não defende uma flexibilização de critérios de formação. Na verdade, ele recoloca a exigência de formação em outro lugar: desloca-a do campo de um saber positivista para o campo da ética, a ética do desejo, que não diz respeito à acumulação de saberes ou títulos, e sim refere-se ao campo de um savoir-y-faire – algo de um saber fazer, inerente ao sujeito que se implica e que se move em direção ao trabalho analítico.  O analista não é aquele que somente reúne conhecimentos, mas aquele que permite atravessar algo de sua própria divisão subjetiva no percurso de sua formação. Desse modo, a análise pessoal é o pilar do processo. 

Lacan viveu em um contexto em que a formação do analista encontrava na rigidez e na objetividade quantificadora um caminho que não só desconsiderava a singularidade da psicanálise e de cada percurso, mas também se tornava uma via inacessível a muitos entre eles. Ao propor que “o analista se autoriza de si mesmo e de alguns outros”, Lacan (1967) desloca a questão da garantia institucional para o campo da experiência analítica, indicando a formação como indissociável da análise pessoal e do laço com os pares. 

Conforme propomos no Laço Analítico/ Escola de Psicanálise “A Psicanálise foi criada por Sigmund Freud como um novo modo de discurso, aqui considerado no sentido em que Jacques Lacan, em sua retomada da empreitada freudiana, concebe como laço social, e que corresponde a uma práxis inédita no mundo, implicando: a) um modo de saber, de produção de saber e de transmissão de saber irredutível a qualquer outro que o tenha precedido na história do conhecimento; b) um modo de intervir clinicamente, um modo de conceber a relação entre saber e intervenção que subverte as relações tradicionalmente estabelecidas no campo científico entre o que, neste campo, conceitua-se como teoria e prática; c) um modo de definir a relação entre o que é tradicionalmente concebido no campo social como indivíduo e sociedade que suprime a oposição entre estas categorias; d) um novo modo de pensar e fazer que desfaz a oposição dicotômica entre pensar e fazer unindo-as na dimensão do ato, que as subsome.” (Estatutos Sociais, Cap.1, art.2). 

A história da psicanálise no Brasil também nos coloca diante da problemática da análise leiga: Virgínia Bicudo, mulher, negra, primeira psicanalista brasileira e não médica, cuja trajetória interroga os modos de autorização e de reconhecimento no campo psicanalítico, muitas vezes mantendo estruturas engessadas, excludentes, elitistas e avessas à ética da psicanálise.

Retomar a análise leiga – leiga em sua acepção etimológica oriunda do grego laikós (λᾱϊκός), pertencente ao povo”, e não relacionado ao desconhecimento ou à falta de técnica ou formação - é também recolocar a dimensão pública da psicanálise, sua incidência na cidade e seu compromisso com formas de cuidado que não se subordinam a critérios meramente técnicos ou mercadológicos.

Em um momento no qual proliferam ofertas de formação rápida, certificações e dispositivos de validação externos à experiência analítica, reformular a questão da análise leiga implica interrogar o que, hoje, faz de alguém um analista, e quais são as condições de transmissão da psicanálise em nosso tempo.

Se a formação do analista não se reduz a um percurso acumulativo de saberes, mas pressupõe uma transformação subjetiva que se dá na análise, na supervisão e no laço com os pares, de que modo sustentar essa experiência diante das exigências de normatização e padronização contemporâneas? Nessa direção, nossa jornada não busca oferecer respostas conclusivas, mas sustentar um espaço de elaboração coletiva em torno das condições de formação, autorização e transmissão da psicanálise hoje. Assim, convidamos analistas, praticantes da psicanálise, estudantes e interessados na transmissão a tomar parte nessa conversação.

Programação

{{item.titulo}}
{{item.horaInicio}}-{{item.horaFim}}
Calendar

Inscrições

{{'Label_CodigoPromocionalAplicadoComSucesso' | translate}}
{{'Label_Presencial' | translate}} {{'Label_Online' | translate}} {{'Label_PresencialEOnline' | translate}}
{{item.ingressoPrecoAtual.titulo}}

{{item.titulo}}

{{'Label_DoacaoAPartir' | translate}} {{item.valores[0].valor | currency:viewModel.evento.moeda}}

{{item.descricao}}
{{'Titulo_Gratis' |translate}} {{viewModel.configuracaoInscricaoEvento.descricaoEntradaGratis}}
{{entrada.valor | currency:viewModel.evento.moeda}} {{entrada.valor | currency:viewModel.evento.moeda}}  

{{entrada.valorComDesconto | currency:viewModel.evento.moeda}}

{{'Titulo_Ate' | translate}} {{entrada.validoAte |date: viewModel.evento.cultura.formatoData}}
{{'Titulo_Ate' | translate}} {{entrada.validoAte |date: viewModel.evento.cultura.formatoData}}
{{'Label_APartirDe' | translate}} {{entrada.validoDe | date:viewModel.evento.cultura.formatoData}}
Calendar

{{'Titulo_NaoDisponivel' | translate}}

Convidados

{{item.nome}}

{{item.nome}}



Local de Evento

{{viewModel.evento.titulo}}

{{viewModel.evento.responsavelEvento}}