O XVIII Seminário Educação e Processo Civilizador (2026), promovido conjuntamente pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), por meio do Grupo de Pesquisa Educação e Processo Civilizador (GPEPC/UEMS), tem como tema central “Controle e Violência: Mulheres, Gênero e Figurações no Processo Civilizador”. O evento se propõe a ser um espaço de debate acadêmico rigoroso, reunindo pesquisadoras de destaque na sociologia processual de Norbert Elias para examinar as dinâmicas de poder e as figurações sociais que estruturam as relações de gênero na contemporaneidade.
A proposta do seminário é investigar como as tensões entre o controle social e o autocontrole evidenciam a persistência de surtos descivilizadores, especialmente aqueles manifestos na violência contra as mulheres, desafiando a estabilidade dos padrões de comportamento e a sensibilidade social moderna (ELIAS, 1993). A abordagem do evento torna-se ainda mais relevante diante da realidade atual, em que a violência de gênero, nas suas dimensões física, simbólica e institucional, escancara contradições profundas do processo civilizador.
Por meio da análise do habitus social e das transformações nas cadeias de interdependência, as palestrantes buscarão desvelar como as assimetrias de poder são mantidas e reproduzidas nas figurações brasileiras. O seminário tensiona a teoria eliasiana diante dos dados contemporâneos de feminicídio e controle dos corpos, questionando a eficácia do monopólio estatal da violência e os limites da contenção das pulsões agressivas em uma sociedade marcada por desigualdades de gênero.
A relevância científica e social do evento reside na capacidade de oferecer uma compreensão processual das estruturas de dominação. Ao destacar o papel da educação e das instituições na formação das figurações de gênero, o seminário reafirma o compromisso institucional da UFGD e da UEMS com a produção de conhecimento crítico e com a transformação social. O convite é para uma reflexão coletiva sobre a necessidade de novos equilíbrios nas relações de poder, estimulando a construção de uma sociedade baseada no reconhecimento mútuo e na superação das violências que ainda obstaculizam o pleno desenvolvimento do processo civilizador.