CAMINHOS DE FORMAÇÃO SOLIDÁRIA IDENTIFICADOS PELAS DEMANDAS DIÁRIAS DE GRUPO POPULAR E SOLIDÁRIO EM FEIRA DE SANTANA-BA

Publicado em 24/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1552-3

Título do Trabalho
CAMINHOS DE FORMAÇÃO SOLIDÁRIA IDENTIFICADOS PELAS DEMANDAS DIÁRIAS DE GRUPO POPULAR E SOLIDÁRIO EM FEIRA DE SANTANA-BA
Autores
  • Ana Clara Souza Monteiro
  • Flávia Almeida Pita
Modalidade
Resumo Expandido - Relatos de experiências
Área temática
Tecnologia Social, Economia Solidária e Educação: desafios e perspectivas no nordeste
Data de Publicação
24/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/etsnordeste/1151267-caminhos-de-formacao-solidaria-identificados-pelas-demandas-diarias-de-grupo-popular-e-solidario-em-feira-de-san
ISBN
978-65-272-1552-3
Palavras-Chave
Economia Solidária; Tecnologias Sociais; Metodologias Participativas; Autogestão
Resumo
A Incubadora de Iniciativas da Economia Popular e Solidária (IEPS) da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) é uma Incubadora universitária que apoia, atualmente, três grupos solidários, a saber, coletivos que produzem e vendem alimentos em duas cantinas e uma feira semanal, nas dependências da referida universidade. Desenvolvem-se, ainda, atividades com diversos outros parceiros, como sindicatos de trabalhadores rurais e cooperativas produtivas da região de Feira de Santana, estimulando o desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias sociais sob novas concepções nas relações de trabalho, na perspectiva da Economia Popular e Solidária (Ieps, 2025). Desde as primeiras teorizações na modelagem do conceito de Economia Popular e Solidária até chegar-se às formulações contemporâneas, suas ideias e princípios foram sistematizados e identificados. Desde Claude Saint-Saimon (1760-1825), Charles Fourier (1772-1873), Pierre Proudhon (1808-1865) e Robert Owen (1773-1858) até autores contemporâneos, como Paul Singer, essa sistematização desenvolveu-se e amplificou-se e, ainda que seja recente a tentativa de seu marco regulatório através da Lei nº 15.068/24, sua concepção se maximiza para além de uma relação de trabalho singular ao ser entendida como movimento social no século XXI (Jorge, 2015). A Economia Solidária, além de ser entendida como uma forma diferenciada das relações de trabalho, produção e comercialização, indo na contramão das relações materialistas do capitalismo e até competindo com ele, pode ser classificada em vários âmbitos, como sendo um movimento social, política pública e também tecnologia social (Oliveira, 2018). Os processos que permeiam o dia a dia de um grupo produtivo, seja qual for a sua produção, intelectual ou material, exigem metodologias, processos e ferramentas para sistematização da produção e vivência dos princípios solidários, no qual a tecnologia social se insere como aplicável, justamente por se diferenciar da tecnologia convencional típica do sistema capitalista (Dagnino, 2014). Neste resumo, objetiva-se apresentar reflexões produzidas a partir de levantamento inicial das demandas do grupo solidário feminino intitulado “Sabores de Vila Feliz”, participante do projeto Cantinas Solidárias V. O levantamento vem sendo realizado a partir de rodas de conversa realizadas com o grupo, no contexto do subprojeto Regras de Convivência, em que se visa explicitar e refletir sobre os arranjos normativos produzidos na vivência coletiva, e que tornam possível a experiência de trabalho autogestionário. A partir de tais momentos formativos, as demandas diárias apresentadas e discutidas pelas integrantes conjuntamente com a equipe da IEPS foram listadas e organizadas a partir de determinados critérios significativos, que auxiliam na prospecção das informações necessárias à execução de plano de trabalho de iniciação extensionista intitulado Tecnologias Sociais nas Cantinas Solidárias da Universidade Estadual de Feira de Santana- UEFS, que se encontra em seus momentos iniciais. Do ponto de vista metodológico, as atividades seguem a lógica das metodologias participativas, a meio caminho entre pesquisa e extensão. A técnica da Roda de Conversa, característica dessa opção metodológica, auxilia a percepção do grupo sobre a prática da autogestão e, de forma emancipada, auxilia as trabalhadoras a criarem caminhos autogestionados para o seu autoconhecimento, atendimento de suas demandas, organização de suas ideias e resolução de conflitos. Trata-se de uma metodologia passível de aplicação e análise de seus resultados, personalizável e que pode originar tecnologias sociais adaptadas pelo/para o grupo. Foram consideradas para o levantamento as reuniões realizadas no período de outubro de 2024 a março de 2025, sendo identificadas e individualizadas 18 demandas gerais, que foram classificadas a partir das diferentes naturezas: autogestionária, organizacional, tecnológica alimentar, auto-educativa intragrupal e demandas oriundas por problemas de infraestrutura da própria universidade. Identificou-se que cerca de 45% dessas demandas têm natureza autogestionária, 45% organizacional, 23% relacionadas às tecnologias de manipulação de alimentos, 23% autoeducativas, e com cerca de 17%, oriundas de problemas com a infraestrutura da universidade. Algumas demandas possuíram mais de uma natureza, portanto, pontuaram para todas aquelas ao qual foi relacionada. A interpretação dos dados aponta para uma maior oportunidade de orientação das tecnologias sociais ao princípio solidário da autogestão (ferramentas, processos, etapas, voltadas à política organizacional do grupo, que em suma, partem também da autogestão) além de suas ramificações, a saber: autonomia, auto-organização e auto-aprendizagem. Os resultados deste estudo servirão para compilar materiais de visualização e apresentação que auxiliem as trabalhadoras a identificar as tecnologias sociais que são organicamente por elas utilizadas e desenvolvidas. Mencionam-se, por exemplo, a identificação de formas autônomas de resolução dos seus próprios conflitos, estratégias de divisão justa do trabalho e dos ganhos e ainda formas de realização das atividades (de preparo e comercialização dos alimentos) que respeitem as características do grupo (considerando gênero, idade, experiências anteriores, saberes etc). Referências DAGNINO, R. A tecnologia social e seus desafios. In: Tecnologia Social: contribuições conceituais e metodológicas [online]. Campina Grande: EDUEPB, p. 20. 2014. IEPS, Incubadora de Iniciativas da Economia Popular e Solidária. A Incubadora. Incubadora da Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS, Feira de Santana. Disponível em: http://incubadorauefs.blogspot.com/p/cantina.html. Acesso em: 16 abr., 2025. JORGE, D. F. O processo de (pré) incubação na Economia Solidária: O caso de um grupo de mulheres inseridas na indústria da construção civil. Dissertação (Memória Social e Bens Culturais). Centro Universitário La Salle. Canoas, p. 28. 2015. OLIVEIRA, T. C. S de. Gestão de Empreendimentos Econômicos Solidários: a experiência das Incubadoras Tecnológicas de Economia Solidária. Dissertação (Tecnologia para o Desenvolvimento Social) – Centro de Tecnologia (CT). Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, p. 51. 2018.
Título do Evento
I Encontro de Tecnologia Social do Nordeste
Cidade do Evento
Maceió
Título dos Anais do Evento
Anais do I Encontro de Tecnologia Social do Nordeste
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MONTEIRO, Ana Clara Souza; PITA, Flávia Almeida. CAMINHOS DE FORMAÇÃO SOLIDÁRIA IDENTIFICADOS PELAS DEMANDAS DIÁRIAS DE GRUPO POPULAR E SOLIDÁRIO EM FEIRA DE SANTANA-BA.. In: Anais do I Encontro de Tecnologia Social do Nordeste. Anais...Maceió(AL) UFAL - Universidade Federal de Alagoas, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ETSNordeste/1151267-CAMINHOS-DE-FORMACAO-SOLIDARIA-IDENTIFICADOS-PELAS-DEMANDAS-DIARIAS-DE-GRUPO-POPULAR-E-SOLIDARIO-EM-FEIRA-DE-SAN. Acesso em: 30/05/2026

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