As discussões sobre o patrimônio cultural como eixo de amplo
conhecimento e estratégico nos diversos campos da vida humana tem, desde 1965,
o apoio do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), uma
organização global ligada à UNESCO e braço consultor do Comitê do Patrimônio
Mundial, que reúne especialistas multidisciplinares contribuindo ativamente
para a discussão e difusão de teorias e técnicas científicas na área do
patrimônio em sua diversidade.
O ICOMOS Brasil reúne anualmente sua rede de especialistas e
de forma ampla, aberta à comunidade científica e à sociedade em geral em
simpósio internacional, aborda temas relevantes para as discussões do campo
patrimonial reunindo profissionais como arquitetos e urbanistas, arqueólogos,
historiadores, engenheiros, geógrafos, geólogos, turismólogos, museólogos, arte
educadores e outros campos de formações, para trocar conhecimentos, discutir,
ampliar e aplicar as melhores práticas e reflexões no campo teórico-conceitual
e científico da conservação-restauração, preservação e difusão da memória em
sua ampla diversidade e perspectivas contemporâneas.
Em 2024, celebrando os 60 anos da Carta de Veneza, o
encontro e Assembleia Geral do ICOMOS ocorreu no Brasil, refletindo em sua
temática o Plano Científico Trienal do ICOMOS que versava sobre o
"Patrimônio Resiliente a Desastres e Conflitos: Preparação, Resposta e
Recuperação", que demonstra a necessidade de abordar os desafios no campo
do patrimônio no contexto de desastres e conflitos no século XXI, o que também envolve
a preocupação internacional quanto às questões climáticas no planeta.
Em 2026, quando da realização da Conferência das Partes no
Brasil, a COP 30, em plena Amazônia, o ICOMOS participou ativamente das
discussões e estabeleceu um compromisso de dar continuidade à reflexão,
acompanhamento e desdobramentos dos desafios e perspectivas para uma agenda
verde do patrimônio cultural.
Com esse compromisso o ICOMOS Brasil realizará em Belém (PA)
entre os dias 25 à 28/08/2026, pela primeira vez na região norte do
país, seu encontro anual com a realização do 9° Simpósio Científico ICOMOS
Brasil e Assembleia Geral do ICOMOS/Brasil.
EIXOS TEMÁTICOS
Os eixos temáticos refletem a complexidade das relações entre patrimônio cultural, mudanças climáticas e sustentabilidade, considerando a diversidade de contextos territoriais, sociais e culturais do Brasil e do mundo. A reflexão considera cinco eixos temáticos, a seguir discriminados:
1. Patrimônio Biocultural, Saberes e Ação Climática
A relação indissociável entre natureza e cultura como patrimônio vivo e base para futuros sustentáveis a partir do respeito aos Direitos intrínsecos da Natureza. O eixo aborda sistemas bioculturais, conhecimentos tradicionais e práticas locais de conservação do patrimônio como instrumentos para mitigação e adaptação climática, com destaque para paisagens culturais bioculturais e modos de vida de comunidades indígenas, ribeirinhas, costeiras e tradicionais. Considera as paisagens culturais como sistemas socioecológicos dinâmicos, portadores de memória, identidade e práticas sustentáveis. Inclui vulnerabilidades socioambientais, estratégias de resistência e o papel da educação patrimonial e da justiça climática na valorização desses saberes.
Palavras-chave: Sistemas socioambientais; Conhecimento indígena e de comunidades tradicionais; Adaptação climática baseada na cultura; Justiça climática; Patrimônio vivo; Resiliência comunitária; Gestão territorial tradicional; Antropologia do patrimônio; Ecologia cultural; Direitos culturais e territoriais;Direitos da Natureza.
2. Conservação-Restauração do Patrimônio Cultural: Materiais, Técnicas e Inovação
Aborda a conservação-restauração e manutenção de bens culturais imóveis, móveis e integrados, considerando todas as tipologias arquitetônicas (tradicionais, vernaculares, modernas e contemporâneas), bem como bens culturais inseridos ou materialmente vinculados a suportes naturais, incluindo contextos geológicos e arqueológicos. Inclui estudos sobre materiais históricos e modernos, técnicas construtivas e modos de fazer, sistemas estruturais, ciência dos materiais, diagnóstico, patologias, intervenções, monitoramento e gestão da conservação. Contempla as soluções baseadas na cultura e na inovação tecnológica, eficiência energética, sustentabilidade, desenvolvimento de materiais compatíveis com o patrimônio e a integração entre saberes tradicionais e tecnologias contemporâneas. Abrange as intervenções em acervos móveis e integrados, estratégias de conservação preventiva e gestão de riscos associados às mudanças climáticas e a outros fatores ambientais e antrópicos.
Palavras-chave: Ciência da conservação; Materiais históricos; Materiais modernos e contemporâneos; diagnóstico e processos de alteração; Conservação preventiva; Monitoramento; Técnicas construtivas tradicionais, moderna e contemporânea; Eficiência energética em edifícios históricos; Sustentabilidade no restauro; Novos materiais compatíveis; Intervenção em bens móveis e integrados; Gestão de riscos ao patrimônio; Conservação de acervos.
3. Territórios e Paisagens Culturais, Assentamentos Humanos e Transição Justa
O papel dos territórios patrimoniais e das paisagens culturais diante dos desafios contemporâneos e das desigualdades socioambientais, abrangendo não apenas cidades históricas, mas também comunidades rurais, territórios tradicionais, sítios arqueológicos e assentamentos humanos diversos. A preservação dos patrimônios cultural e natural na construção de situações do Bem Viver. Discute políticas inclusivas, adaptação climática, gestão de riscos, segurança territorial e estratégias de desenvolvimento sustentável em paisagens urbanas e não urbanas. Inclui monitoramento, documentação, tecnologias digitais (como HBIM e SIG), planejamento territorial e modelos de desenvolvimento comprometidos com a preservação cultural, a integridade das paisagens culturais e a justiça social, e a elaboração de práticas e situações do Bem Viver.
Palavras-chave: Territórios patrimoniais; Cidades históricas; Assentamentos rurais; Sítios arqueológicos; Planejamento territorial; Gestão de risco; Adaptação baseada no território; Desenvolvimento sustentável; Segurança territorial; Patrimônio e planejamento urbano; HBIM e SIG aplicados ao patrimônio; Monitoramento territorial; Comunidades locais; políticas públicas patrimoniais, Bem Viver.
4. Economia da Cultura, Turismo Sustentável e Desenvolvimento Territorial
Reflexões sobre turismo cultural regenerativo e economias de baixo carbono baseadas na cultura. Analisa impactos e oportunidades do turismo patrimonial frente aos desafios contemporâneos, valorizando cadeias produtivas locais, redes de cooperação e iniciativas que promovam benefícios sociais, culturais e ambientais às comunidades envolvidas, em escalas local, regional e internacional. O patrimônio cultural como indutor de desenvolvimento. Os aspectos econômicos da conservação do patrimônio cultural. O papel da economia na conservação e salvaguarda do patrimônio cultural.
Palavras-chave: Turismo regenerativo; Economia criativa; Cadeias produtivas culturais; Patrimônio e desenvolvimento; Impactos positivos e negativos do turismo; Governança cultural; Empreendedorismo cultural; Rotas culturais; Patrimônio e sustentabilidade econômica; economia na conservação e salvaguarda.
5. Desafios Contemporâneos da Preservação do Patrimônio Cultural
Espaço para abordagens emergentes e debates multi, inter e transdisciplinares sobre a preservação do patrimônio cultural e das paisagens culturais na contemporaneidade. Inclui novas perspectivas teóricas, metodologias críticas, inovação conceitual, os desafios da participação, democracia e temas ainda não contemplados nos demais eixos, promovendo pluralidade de enfoques e diálogo entre diferentes campos do conhecimento.
Palavras-chave: Teoria do patrimônio; Abordagens interdisciplinares; Patrimônio e sociedade; Patrimônio digital; Patrimônio imaterial; Memória social; Patrimônio e direitos humanos; Patrimônio em conflito; Patrimônio e diversidade; Novas metodologias; Crítica patrimonial; futuro do patrimônio, Perspectivas decoloniais e contra-coloniais de preservação do patrimônio cultural.
O 9º Simpósio Científico do ICOMOS Brasil receberá propostas de Comunicações Científicas, que deverão estar vinculadas a um dos cinco eixos temáticos do evento.
A seleção das comunicações será realizada mediante submissão de resumo, por meio de formulário disponível na plataforma oficial do evento. O resumo deverá conter entre 1.000 e 3.000 caracteres, incluindo espaços. Caso seja o primeiro acesso à plataforma, será necessário realizar um cadastro prévio.
Os trabalhos cujos resumos forem aprovados pela Comissão Técnico-Científica deverão ser submetidos em sua versão completa (artigo completo) dentro do prazo estabelecido pela organização. O envio do artigo completo dentro do prazo, juntamente com a inscrição confirmada no evento, garantirá a publicação nos Anais do 9º Simpósio Científico do ICOMOS Brasil, em formato digital.
📌 Datas importantes
• Prazo para envio dos resumos: 30 de abril de 2026
• Resultado da avaliação dos resumos: até 15 de maio de 2026
• Prazo para envio dos artigos completos: 21 de setembro de 2026