8º Congresso Nacional do Samba

8º Congresso Nacional do Samba

online Salvador - Salvador - Bahia - Brasil
presencial Com transmissão online

Bem-vindos à Roda


Todo samba começa assim: alguém puxa, alguém responde, e de repente ninguém sabe mais onde termina um e começa o outro. O 8º Congresso Nacional do Samba quer ser um pouco isso, uma grande roda. Ela acontece de 2 a 4 de dezembro de 2026, em Salvador, com gente presente e gente chegando pela tela, no formato híbrido.

E não é uma roda qualquer. Pela primeira vez, o Congresso sai do Rio de Janeiro e pega a estrada, cumprindo sua vocação de itinerância pelo Brasil. Vem para a Bahia, terra do samba de roda do Recôncavo, onde tanta coisa começou. Quem puxa a roda é o Programa Memorável Samba, do Laboratório de Preservação e Gestão de Acervos Digitais (LABOGAD) da UNIRIO, de mãos dadas com o Programa de Pós-Graduação em Música (PPGMUS) e o Coletivo Etnomusicologia Negra, ambos da UFBA.

A abertura cai no Dia Nacional do Samba, e isso não é por acaso. Toda roda tem quem veio antes e abriu caminho, e é para eles que esta edição tira o chapéu:

•     Edison Carneiro. O escritor e etnólogo baiano é autor de Samba de Umbigada, clássico dos estudos sobre o samba, e idealizou o 1º Congresso Nacional do Samba, em 1962, de onde nasceu a Carta do Samba. Sem ele, esta roda não existiria.

•     Kazadi wa Mukuna. O etnomusicólogo congolês escreveu Contribuição Bantu na Música Popular Brasileira, marco fundamental para entender a nossa identidade musical. Foi ele quem nos ajudou a ouvir, no samba brasileiro, o eco das línguas, dos ritmos e das cosmologias do mundo bantu.

•     O centenário da Escola de Samba Estácio de Sá. A escola é herdeira da Deixa Falar, a agremiação que cunhou o termo e o conceito de “escola de samba”, mudou o jeito de fazer carnaval no Rio de Janeiro e, por tabela, influenciou o carnaval do mundo todo. Celebramos os seus 100 anos contados a partir de 1927, data guardada pela história oral, nos depoimentos da velha-guarda e dos baluartes do Estácio. A história oficial, repetida por pesquisadores e escritores, fala em 1928. Aqui, escolhemos ouvir quem viveu e transmitiu essa memória de boca em boca.

Mas, afinal, o que é o samba? De onde ele vem, por onde anda, como ele dura? Para pensar a genealogia, a cartografia e o tempo cíclico do samba, o Programa Memorável Samba criou uma paisagem, meio conceito, meio metáfora, com três figuras: a Árvore, a Grama e a Roda. Cada uma delas dá nome a um eixo da programação.

Eixo 1. O Mundo do Samba: a Árvore e a genealogia

A Árvore guarda a ancestralidade. Suas raízes mergulham fundo na diáspora africana, sobretudo bantu-kongo, e seus galhos se abrem numa família enorme: samba de roda, jongo, partido-alto, samba-enredo, samba-reggae... Neste eixo estão os gêneros da Árvore Genealógica do Samba e os territórios do samba no Brasil:

Eixo 2. Samba no Mundo: a Grama e a cartografia

A Grama é o samba que cresce em rede. Ela não tem tronco principal: se espalha por baixo da terra e brota onde menos se espera, no morro, no terreiro, na avenida, no Japão, na Alemanha, em Moçambique. A mesa “Samba no Mundo” e o GT 3, sobre a expansão internacional do samba, mostram como essa grama atravessou o oceano e segue se enraizando por aí.

Eixo 3. Samba na Universidade: a Roda e o tempo cíclico

A Roda é o tempo. Não o tempo do relógio, que corre em linha reta, mas o tempo cíclico da filosofia bakongo, que gira como o sol: nasce, chega ao auge, se põe, atravessa a Kalunga e volta. Como numa Gira, a memória do samba renasce nas rodas de samba, nos sambas de roda e na vida de cada sambista. Parafraseando Candeia em “Cante o Samba na Universidade”, a gente se pergunta como o saber popular e ancestral pode ocupar a academia. 

Tem ainda conferências de abertura e de encerramento, rodas de samba itinerantes todos os dias no BUSUFBA e participação on-line. É todo mundo junto, pesquisadores, sambistas, mestras e mestres da tradição e estudantes, pensando onde o samba nasce, para onde ele vai e como a universidade pode, e deve, cuidar dessa memória.

E a conversa começa antes de dezembro. Convidamos você a participar da enquete nacional “Família do Samba”: olhe a primeira versão da Árvore Genealógica do Samba, logo abaixo, e conte pra gente se falta algum galho. Tem algum ritmo da sua terra que é parente do samba e ainda não aparece ali?

A inscrição é gratuita e pode ser feita aqui no site. Chega mais! A roda está aberta, e o samba, essa grande invenção cultural brasileira que hoje está no mundo inteiro, precisa da sua voz para continuar girando.

HOMENAGEADOS

Título: Edison Carneiro - Descrição: Imagem de Edison Carneiro

Edison Carneiro

Salvador, 1912 – Rio de Janeiro, 1972

Escritorbaiano, autor de Samba de Umbigada e idealizador do 1º Congresso Nacional do Samba (1962).

Título: Kazadi wa Mukuna - Descrição: Imagem de Kazadi wa Mukuna

Kazadi wa Mukuna

Etnomusicólogo congolês, autor de Contribuição Bantu na Música Popular Brasileira.

Título: Escola de Samba Estácio de Sá - Descrição: Imagem de Escola de Samba Estácio de Sá

GRES Estácio de Sá

100 anos (1927–2027)

Herdeira da Deixa Falar


Família do Samba

Da grande família do samba, quais sambas, sambistas e gêneros são mais familiares a você?

O Congresso tem também o objetivo de provocar uma reflexão sobre a genealogia, a cartografia e a circularidade do samba, que, como sabemos, está presente em muitos ritmos, vertentes e gêneros da diáspora musical africana encontrados em diversas regiões do país. Para tanto, convida todos a participar da enquete “Família Afetiva do Samba”, tendo como referência a representação inicial da Árvore Genealógica do Samba (imagem abaixo). 

A enquete é uma iniciativa do Programa Memorável Samba, que busca desenvolver, uma pesquisa participativa sobre quais sambas, sambistas e gêneros, ritmos ou vertentes do samba existem nas várias regiões do Brasil e são mais familiares para os brasileiros (e também estrangeiros) em suas localidades. Ela está sendo realizada através de formulário online com campos para depoimentos e indicações de videos de samba na web, e tem também o propósito de promover os sambistas, suas obras e a memória social do samba. Objetiva-se também publicar os resultados da enquete ao fim da 8º Congresso Nacional do Samba.

Participe da enquete clicando AQUI

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