O 8º FNAC – Fórum Negro de Arte e Cultura Negra é um encontro dedicado às artes negras, às epistemologias afro-referenciadas e às práticas artísticas comprometidas com perspectivas antirracistas, contracoloniais e decoloniais no campo das Artes Cênicas. O evento será realizado entre os dias 18 e 20 de março de 2026, em Salvador (BA).
Nesta edição, o Fórum propõe a reflexão:
“Como nasce um quilombo hoje? Confluências e encruzilhadas entre as Artes Cênicas ”
A partir dessa pergunta, o evento busca compreender o quilombo como tecnologia viva de existência, criação e organização coletiva, conectando saberes ancestrais, práticas artísticas contemporâneas e experiências de comunidades tradicionais.
Durante três dias de programação, o FNAC reunirá artistas, pesquisadoras(es), mestras(es) de saberes tradicionais, lideranças quilombolas, estudantes e público interessado em um espaço de encontro, reflexão e criação coletiva. A programação inclui:
• Mesas de debate com artistas, pesquisadores e mestres de tradição
• Oficinas formativas voltadas às práticas corporais afro-diaspóricas
• Rodas de conversa e trocas de saberes
• Apresentações artísticas e performances
• Encontros entre universidade e comunidades tradicionais
O fórum busca fortalecer redes de criação, pesquisa e formação artística negra, ampliando as possibilidades de diálogo entre arte, território, memória e futuro.
Público-alvo
O evento é destinado a:
• estudantes de graduação e pós-graduação
• artistas e pesquisadoras das artes
• integrantes de comunidades tradicionais
• mestres e mestras de saberes afro-diaspóricos
• educadoras(es) e agentes culturais
• público interessado em artes negras e pensamento decolonial
O evento oferecerá certificado de participação para pessoas inscritas.
Realização
Fórum Negro de Arte e Cultura Negra – FNAC
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia
Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
O FNAC nasceu em 2017, na Escola de Teatro da UFBA, sob o nome de Fórum Negro de Artes Cênicas, e desde então vem desenvolvendo ações integradas entre pesquisa, ensino e extensão no âmbito da UFBA e outras universidades afiliadas. A segunda edição, em 2018, tinha por tema “Poéticas, Estéticas e Epistemologias afrodiaspóricas”, uma homenagem a Mestre King. Já em 2019, quando ocorre a terceira edição, este fórum ampliou a sua abrangência para outras unidades da UFBA, sendo elas as Escolas de Belas Artes e de Dança, e o Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC), passando a se intitular Fórum Negro de Arte e Cultura, denominação que permanece até hoje - tema: “Xirê dos Saberes: (Re)conhecer e existir”.
No ano de 2022 lançamos o livro “Artes Negras em Pauta: memórias do IV Fórum Negro de Arte e Cultura”, organizado por: Dra. Amélia Conrado [PPGDAN/UFBA], Dra. Evani Tavares Lima [PPGAC/UFBA] e Dr. Tássio Ferreira [PPGAC/UFSB], Editora Mente Aberta (Salvador-Ba), como exercício de alinhavar e potencializar as discussões acerca das estéticas, pedagogias e poéticas negras em diáspora, da memória do IV FNAC (2019) com a temática “Mulheres Insubordinadas: uma saudação às grandes ancestrais”.
A quinta edição (2021) teve por tema “Sabenças: sabores e saberes de Mestres e Mestras das culturas Afro-Ameríndias brasileiras”. Neste caminhar é compartilhado com o grande público: mesas temáticas, oficinas, mostra artística, lançamentos de livros concernentes à temática anual, feira de produtos que incentivam os/as produtores/as negros/as e a possibilidade de compartilhamento em roda de resultados de pesquisas científicas imersas nas distintas realidades étnico-raciais em todo o país; bem como a reunião de estudantes, artistas, especialistas no âmbito das Artes e Culturas Negrodescendentes, amplificando as estratégias da luta antirracista no país.
A sexta edição (2022), logo após os retornos as atividades presenciais com o tema de “Ibejiró: Arte e Cultura das Infâncias”, no qual trouxe para a roda de discussão a pluversalidade das estéticas negras no universos das infâncias, aqui inspirado poeticamente na divindade ibeji, do panteão mitológico e ancestral da cultura Iorubá, evidenciando epistemes, práxis artísticas, pedagógicas e políticas públicas desenvolvidas por universidades, coletivos artísticos, instituições e agentes da sociedade civil que promovam a infância negrorreferenciada, suleados em torno da infância negra e estratégias antirracistas para transformação dos currículos, produção de saberes e práticas dos cursos de Arte e suas perspectivas político-culturais.
A sétima edição (2023) espelhou a memória na emblemática e mítica figura do pássaro ancestral Sankofa, como síntese filosófica de retornar ao passado, para que este jamais seja esquecido, e, para além disto, que este seja a forja, seja o vento do impulso a seguir com as atitudes no presente em movimento contínuo. Com o tema "SANKOFAR: Artes, Memórias, Militâncias Negras e outras Poéticas", firmando- se na perspectiva filosófica de retornar ao passado, a compreensão de um destino individual e a afirmação de uma identidade cultural do coletivo como luta. Neste sentido, celebra-se aqui com festa a memória do coletivo, como impulso de continuidade, como movimento ancestral de nossa [re]existência é dançada, cantada, contada, batucada, escrita, performada, filosofada e expandida, em roda, através de círculos complexos e horizontais, como bem lembram os nossos ancestrais. Nesta encruzilhada quilombola para assentar afetos e afetações, percursos e dissidências, aflorando em nossa egbé (família, do Yorubá) este espaço coletivo de luta, abrindo caminho para um novo ciclo que se inicia aqui e agora.