Conheça as oficinas práticas
O evento possui 20 oficinas práticas, sendo alocadas dez em cada dia do evento. As vagas por oficina são LIMITADAS. Os resumos das oficinas podem ser consultados a seguir ou por meio deste link: VEJA OS RESUMOS
Roziane Marinho Ribeiro (UFCG),
Eduardo Lopes Piris (UESC)
Resumo: Esta oficina prática tem como objetivo capacitar
professores da educação básica para o ensino da argumentação na modalidade oral
em sala de aula, promovendo uma vivência reflexiva sobre o ato de argumentar e
seus mecanismos linguageiros. Ao assumir o ensino de argumentação nas práticas
de letramentos que exigem dos participantes a capacidade de discutir questões
sociais controversas, recorre aos aportes da concepção interacional de
argumentação (Plantin, 2008; Grácio, 2011), dos estudos da interação conversacional
(Marcuschi, 2001; Kerbrat-Orecchioni, 2006), à proposta de ensino de debate
como gênero oral do argumentar (Dolz; Schneuwly; de Pietro, 2004; Ribeiro,
2009; Copolla; Dolz, 2020) capaz de promover cidadania, agência e emancipação
humana (Egglezou, 2020; Azevedo et al., 2023; Azevedo; Piris, 2023;
Piris; Alves-Lima, 2025). Os participantes serão convidados a engajar-se em um
microdebate sobre um tema controverso relevante para o contexto educacional,
vivenciando, na prática, as etapas de preparação (definição de tese, seleção de
argumentos e contra-argumentos), execução (fala, escuta ativa e réplica) e
avaliação. Após a atividade, será conduzida uma reflexão coletiva para analisar
os mecanismos argumentativos mobilizados, os desafios da oralidade e da
interação argumentativa e as possibilidades de adaptação da estratégia didática
para diferentes níveis de ensino. A oficina privilegia a aprendizagem pela ação
e pelo diálogo, demonstrando como criar situações de interação que desenvolvam
nos estudantes a capacidade de argumentar com clareza, respeitar opiniões
divergentes e construir conhecimento de forma colaborativa.
Palavras-chave: Formação de Professores. Argumentação oral.
Debate em sala de aula. Letramento argumentativo.
Washington Elias Paes (UFF), Ana Maria Prior Vieira (UFF)
Resumo: Esta oficina tem como objetivo
demonstrar as contribuições de uma análise argumentativa das narrativas
literárias para o ensino de leitura na Educação Básica a partir de obras
infantis e juvenis que abordam temas sociais, como desigualdades e preconceitos.
A proposta é compartilhar mecanismos que estimulem a criticidade e a
aprendizagem reflexiva no ensino de Língua Portuguesa e Literatura. Para isso,
recorreremos a linguistas como Patrick Charaudeau (2019), Ruth Amossy (2020) e
Beatriz Feres (2021, 2023). Destinada a educadores da Educação Básica, a
oficina utilizará o estudo de textos aliado à análise em grupo, favorecendo a
interação, o diálogo e a mediação textualmente orientada. O trabalho se
articula às competências previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC),
especialmente aquelas voltadas à análise de posicionamentos argumentativos e à
identificação de peculiaridades estilísticas e estruturais de diferentes
gêneros literários. Durante a oficina, serão analisados os livros ilustrados Os
Pombos, de Blandina Franco e José Carlos Lollo; O Carrinho da Madame
Miséria, de Lise Melinand; Super, de Jean-Claude Alphen; e Bom
Dia, Todas as Cores, de Ruth Rocha. Em seguida, as ideias principais serão
registradas, e os textos analisados serão trocados entre os grupos, de modo que
cada grupo realize uma nova leitura crítica. Na etapa final, as interpretações
serão compartilhadas em debate coletivo, destacando-se recorrências e
contrastes nas análises. Dessa forma,
pretende-se reconhecer como as narrativas, por meio de suas estruturas e de
seus conteúdos simbólicos particulares, buscam atuar sobre o leitor e reverberar no
tecido social, constituindo importantes espaços de (in)visibilidade de tensões
da realidade brasileira.
Palavras-chave: Leitura argumentativa. Organização
narrativa. Literatura infantil e juvenil. Educação Básica.
Winola Weiss Pires Cunha (USP)
Resumo: A oficina objetiva promover uma vivência e a
reflexão sobre as estratégias didáticas utilizadas para preparar estudantes
para a redação ENEM. Isso será feito por meio de uma oficina elaborada no
contexto de pesquisa de Doutorado em andamento, direcionada para estudantes de
um cursinho popular da cidade de São Paulo. O objetivo neste contexto é
desenvolver o repertório pessoal dos estudantes por meio de práticas críticas
de diálogo, leitura e escrita. Já no Seminário, o público-alvo será
professoras, professores, pesquisadoras e pesquisadores da área. Dessa forma,
buscaremos, por meio da aplicação da oficina, refletir criticamente sobre as
práticas voltadas para o desenvolvimento de capacidades argumentativas
(Azevedo; Santos; Calhau; Leal; Piris, 2023) a partir de uma perspectiva
crítica, embasando-nos na proposta da Argumentação Emancipadora (Azevedo;
Piris, 2023). Com isso, objetivamos incentivar práticas pedagógicas opositoras
aos processos de subalternização de sujeitos e de grupos sociais (Carneiro,
2023; Ribeiro, 2017; Spivak, 2014), dentre os quais localizamos a perspectiva
bancária (Freire, 2019) que ronda a preparação para os exames vestibulares,
sobretudo as ferramentas de ensino que visam a “facilitar” a escrita de textos
argumentativos (como modelos prontos, repertórios “coringa”, entre outras), mas
que, na prática, alienam estudantes do próprio processo de escrita. Com vistas
a dialogar com essas demandas, o projeto FLUXO promove práticas de
multiletramento (Grupo Nova Londres, 2021; Cope, Kalantzis, 2015) com debates
sobre diversas temáticas, integrando saberes e habilidades de diversas áreas do
conhecimento para a produção de uma redação completa referente a um tema em
estilo ENEM. Busca-se desenvolver, progressivamente, uma cultura argumentativa
(Zarefsky, 2009) pautada pela curiosidade epistemológica; uma perspectiva que
busca aproveitar a preparação para o ENEM para promover um olhar crítico e
verdadeiramente atento às questões sociais brasileiras, engajado com a emersão
da consciência da realidade e com a transformação social.
Palavras-chave: argumentação; ENEM; roda de conversa; leitura.
Alexandra Alves da Silva (UERJ),
Giselle de Souza Reis Coutinho (UFF)
Resumo: A proposta tem como base os estudos de Patrick
Charaudeau (2016) e José Luiz Fiorin (2023) sobre a Argumentação. O objetivo
geral é explicitar as possibilidades do ensino da sustentação argumentativa
entre os mais diversos gêneros textuais, como a publicidade e a dissertação, a
fim de ampliar ferramentas pedagógicas utilizadas pelos docentes de Produção
Textual e de oferecer novos recursos para trabalhar textos argumentativos e
dissertativos. O público-alvo principal, então, são os professores da educação
básica e formandos do curso de Letras. A oficina será dividida em três etapas
para conseguir abarcar as metodologias principais do ensino do texto
argumentativo. Assim, no primeiro momento, a partir da exposição do conceito
teórico de Argumentação, suscitaremos uma pequena reflexão sobre essa prática,
principalmente em relação à docência. No segundo, explicitaremos as ferramentas
pedagógicas que podem ser utilizadas, por meio da análise de textos-base e da
aplicação da teoria de argumentação, para o aperfeiçoamento do pensamento
crítico dos estudantes a partir da adequada mediação do professor. Por último,
no terceiro, proporemos uma atividade de correção de diferentes gêneros, em que
os docentes possam perceber e identificar problemas quanto à coerência textual.
Espera-se, com essa oficina, que os professores de Língua Portuguesa possam
experienciar, aprender e trocar informações sobre o ensino crítico da
argumentação nas salas de aula do 9º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do
Ensino Médio. A oficina tem como objetivo geral, então, possibilitar que os
docentes reflitam sobre a prática do ensino de argumentação e compreendam que a
dimensão argumentativa se constrói tanto em relação ao desenvolvimento
estrutural, à progressão textual, quanto à marca de autoria - seleção de
repertório, defesa de ponto de vista, interpretação do tema entre outros.
Palavras-chave: Discurso. Argumentação. Produção textual.
Prática docente.
Murilo Falcirolli Amorim (USP),
Ana Paula Jahn (USP)
Resumo: Os objetivos desta oficina são: (1) perceber que
a produção de argumentações em matemática exige não apenas o conhecimento do
conteúdo teórico, mas também um saber-fazer de ordem procedimental: não basta
conhecer uma propriedade para saber usá-la como argumento; (2) reconhecer que
(e por que) a prática argumentativa na matemática da Educação Básica não
precisa estar subordinada às regras da matemática acadêmica; (3) refletir sobre
o valor didático de situações de argumentação no contexto escolar. A oficina
será conduzida de forma interativa e participativa numa sequência de três
tarefas. (1) Vivência de dificuldade na argumentação escolar: Simularemos, com
os participantes, uma dificuldade experienciada por estudantes quando se
deparam com tarefas de argumentação. Os participantes deverão provar
(argumentar com o objetivo de validar) uma proposição com base em uma definição
dada. Essa definição será modificada três vezes. Cada modificação exigirá que
os participantes elaborem novas argumentações para a mesma proposição.
Discutiremos sobre a origem das dificuldades dos participantes na realização da
tarefa. (2) Reflexão sobre argumentos formais e informais: Apresentaremos três
provas (argumentações) diferentes para uma mesma proposição, duas “formais” e
uma informal. Discutiremos sobre o tipo de argumentação que desejamos validar e
encorajar em contexto escolar. (3) Simulação de um debate entre estudantes:
Simularemos uma interação de sala de aula envolvendo interpretação de
definições, debate e refutação, na qual os participantes atuarão como se fossem
estudantes da Educação Básica, exemplificando uma possível estratégia
metodológica para promover situações de argumentação na sala de aula. O
público-alvo são professores que ensinam matemática, o que inclui professoras e
professores dos Anos Iniciais. Professores(as) e licenciandos(as) de outras
áreas específicas são bem-vindos, e podem nos ajudar a avaliar a pertinência
das nossas propostas para a docência em suas áreas do conhecimento.
Palavras-chave: Matemática escolar. Argumentação. Autonomia.
Formalismo.
Tacyane Lima de Menezes (SEDUC-BA),
João Paulo Attie (UFS)
Resumo: A oficina tem como proposta vivenciar a
argumentação como prática formativa interdisciplinar, aplicada ao ensino, à
pesquisa e à extensão. Destina-se a professores da Educação Básica,
pesquisadores e estudantes de diferentes áreas, buscando articular a teoria da
argumentação a partir de Toulmin (2006), lógica, Perelman e Lucie
Olbrechts-Tyteca (2005), retórica, e Gonçalves-Segundo (2020), dialética, às
concepções de interdisciplinaridade de Fazenda (1979, 1994), Japiassu (1976),
Gadotti (2004), Morin (2000, 2005) e Pombo (2005, 2006). Além disso, ancora-se
em Saviani (2008), cuja pedagogia histórico-crítica entende a educação como
mediação intencional entre saberes e prática social, e em Gasparin (2002), que
sistematiza os cinco passos desse método, inspirando a estrutura do CAA (Ciclo
Argumentativo de Aprendizagem) como instrumento pedagógico que integra
dimensões lógicas, retóricas, dialéticas e interdisciplinares no processo
educativo. A dinâmica será participativa e organizada nos seis momentos do CAA.
No diagnóstico inicial, os participantes analisarão uma situação-problema de
relevância social, ética na inteligência artificial, mudanças climáticas ou
desigualdades, mobilizando saberes prévios e valores. Na problematização,
diferentes hipóteses e perspectivas disciplinares serão discutidas, ampliando o
campo investigativo. O confronto ocorrerá por meio de debate orientado, com
apresentação de argumentos, refutações e contra-argumentos. Na etapa de
instrumentalização, serão incorporadas as estruturas argumentativas: Toulmin
(2006) contribui para a organização lógica, Perelman (2005) para a adesão
retórica e Gonçalves-Segundo (2020) para a mediação dialógica e epistêmica,
sempre em diálogo interdisciplinar. A catarse consistirá em síntese argumentativa
que integra os diferentes saberes em visão crítica e articulada. Por fim, a
aplicação transformadora permitirá avaliar aprendizagens, limites e
possibilidades de aplicação do CAA em contextos pedagógicos e sociais.
Espera-se que a oficina contribua para compreender o CAA como princípio
estruturante de uma formação crítica e interdisciplinar, fortalecendo a
articulação entre escola, universidade e sociedade, e promovendo a argumentação
como eixo de conhecimento e cidadania.
Palavras-chave: Argumentação. Interdisciplinaridade. Pedagogia
histórico-crítica. Ciclo Argumentativo de Aprendizagem (CAA).
Nádia Oliveira (UFPE)
Resumo: A oficina tem como objetivo levar os
participantes a (re)vivenciarem experiências docentes por meio da argumentação
prática, entendida como uma modalidade de raciocínio mobilizada em situações
que exigem análise, defesa e escolha de uma proposta de ação (Fairclough;
Fairclough, 2012). No contexto
da educação, ela possibilita a explicitação dos motivos de uma ação ou intenção
de agir, estando vinculada a processos de tomada de decisão (Fenstermacher;
Richardson, 1994). Tornar a ação explícita permite sua reconstrução,
favorecendo o desenvolvimento de pensamentos mais sofisticados sobre os
desafios da prática docente. Busca-se, assim, oferecer um espaço no qual os
professores possam fortalecer a capacidade de tomar decisões fundamentadas,
críticas e reflexivas. Com essa finalidade, a oficina será estruturada em
quatro momentos: i. Fase de aquecimento: destinada ao relato de situações reais
de sala de aula que demandam rápida deliberação; ii. Estudo de caso: no qual os
participantes deverão deliberar e construir um curso de ação justificado para a
situação apresentada; iii. Momento de perguntas reflexivas: voltado a estimular
a revisão das ações inicialmente propostas; e, por fim, iv. Uma reflexão
coletiva: promovendo a discussão das experiências vividas e o compartilhamento
das revisões realizadas após as perguntas reflexivas. Esse processo de
explicitação e revisão da ação favorece o aprimoramento da prática docente por
meio da articulação entre conhecimentos teóricos e aplicados, capazes de
oferecer respostas aos desafios presentes no cotidiano escolar. Além disso,
espera-se que os participantes reflitam sobre essa experiência como uma
estratégia pedagógica possível de ser adaptada ao seu contexto, favorecendo a
reflexão e o aperfeiçoamento das práticas docentes. A atividade é voltada a
professores da educação básica, formadores e estudantes de licenciatura, e
encontra-se aberta à participação de todos que desejarem integrar esse espaço
de reflexão e aprimoramento da prática docente.
Palavras-chave: Formação docente. Argumentação prática. Tomada
de decisão. Ação pedagógica.
Taís de Oliveira Silva (UFRN),
Dayana Miranda de Souza (UFRN)
Resumo: A educação científica tem
ganhado destaque por priorizar o desenvolvimento de uma postura crítica e
reflexiva nos estudantes. Diante disso, diferentes metodologias vêm sendo
adotadas, entre as quais a argumentação se destaca como uma estratégia capaz de
estimular processos metacognitivos e promover uma aprendizagem problematizadora
(De Chiaro, 2015). Apesar do
potencial da argumentação, sua aplicação no ensino de Ciências ainda enfrenta
desafios. Nesse contexto, esta oficina foi pensada para professores da
educação básica e licenciandos com o objetivo de explorar HQ como estratégia
para promover a argumentação científica entre estudantes, por meio da análise e
criação de narrativas investigativas. Defendemos que,
por meio da argumentação, as HQ articulam contextos naturais e científicos ao integrar recursos linguísticos e visuais,
favorecendo uma compreensão mais analítica da realidade (Kundlatsch; Silveira,
2018; Silva; Leão, 2023). As atividades serão
divididas em dois momentos: um teórico, voltado aos fundamentos da argumentação
e seus processos de negociação e justificação (Leitão, 2011), e outro prático,
dedicado à aplicação em HQ. Na etapa prática, os participantes serão
organizados em grupos e receberão uma HQ com uma temática científica,
organizada com alguns argumentos, mas propositalmente incompleta. A tarefa
consistirá em analisar criticamente as evidências apresentadas na HQ e nos
dados científicos fornecidos, para então elaborar um posicionamento. Como
produto final, os grupos deverão construir uma HQ, utilizando um template no
qual deverão registrar hipóteses, evidências e conclusões do caso. As produções
serão socializadas com o intuito de demonstrar, de forma
prática, como se daria a mediação de uma situação análoga em sala de aula,
destacando as posturas pedagógicas que o professor pode adotar. De modo geral,
acredita-se que esta oficina possa ampliar a compreensão da aprendizagem por
meio da investigação e da debatibilidade proporcionada pela argumentação
articulada às HQ e ainda promover um espaço formativo crítico-reflexivo.
Palavras-chave: Argumentação. História em Quadrinhos. Investigação. Ciência.
Lívia Leite (UFPE), Vancleide
Jordão (UFPE)
Resumo: Pensar a formação de educadores constitui
objetivo central nos diversos campos da educação, permitindo múltiplos olhares
que conduzem à reflexão sobre as práticas pedagógicas. Nesse contexto, a busca
por estratégias potencialmente metacognitivas configura-se como uma meta
urgente para a construção de sujeitos críticos, autônomos e socialmente
atuantes. A oficina proposta visa oferecer aos participantes a vivência prática
de uma estratégia pedagógica centrada na argumentação escolar, promovendo o aprendizado
por meio da experiência, da reflexão e do diálogo. Para tanto, serão utilizados
kits de robótica, de modo a organizar uma ciranda pedagógica que torne o
conteúdo da argumentação mais acessível, vivenciado e refletido. Os
participantes serão instigados a formular, defender, revisar e refinar
argumentos a partir de temas ou problemas propostos, favorecendo processos
colaborativos de construção do conhecimento. A dinâmica será estruturada em
três momentos principais: (1) Introdução, com a apresentação dos
objetivos e a contextualização da importância da argumentação e da robótica na
educação; (2) Vivência prática, na qual os participantes, organizados em
grupos, desenvolverão atividades utilizando recursos de robótica para elaborar
e sustentar argumentos sobre temas relevantes, estimulando o diálogo e a
reflexão coletiva; (3) Discussão e fechamento, momento de socialização
das experiências e aprendizagens, permitindo a construção conjunta de sentidos
e saberes. O referencial teórico-metodológico da proposta ancora-se nas
contribuições de Leitão e De Chiaro, Vygotsky, Paper, buscando assim, fomentar
o desenvolvimento de competências docentes voltadas à elaboração e aplicação de
estratégias pedagógicas baseadas na argumentação, promovendo a metacognição por
meio de práticas reflexivas e dialógicas. Espera-se que a oficina contribua
para o fortalecimento do pensamento crítico, da consciência sobre os próprios
processos cognitivos e da tomada de decisões fundamentadas, aproximando os
participantes da robótica enquanto recurso didático inovador.
Palavras-chave: Argumentação. Metacognição. Robótica Educacional.
Formação de Educadores.
Valter
César Montanher (IFSP)
Resumo: A oficina visa oferecer aos participantes a
experiência prática da aprendizagem baseada em casos (ABC), promovendo a
argumentação escolar e favorecendo a construção do conhecimento por meio da
vivência, reflexão crítica e diálogo. A oficina adota princípios das
metodologias ativas, privilegiando a participação dos docentes como
protagonistas, a aprendizagem pela experiência e o diálogo reflexivo como eixo
central. Pretende-se que os educadores compreendam a potencialidade dos casos
de ensino, formas de integrá-la em seus contextos de ensino, como promover a
argumentação durante as discussões em grupo e como escrever um caso com
potencialidade de ser uma Estratégia Potencialmente Argumentativa EPAs.
Espera-se que os participantes aprendam a reconhecer o papel da argumentação no
processo de ensino-aprendizagem com casos; experimentar a ABC como estratégia
de ensino para fomentar a argumentação em sala de aula; refletir coletivamente
sobre desafios e possibilidades de implementar práticas argumentativas na escola
com essa Estratégia Potencialmente Argumentativa EPAs. A oficina será
estruturada em três momentos interdependentes: vivência prática da ABC; os
participantes serão organizados em grupos reduzidos e receberão um caso
elaborado a partir de situações escolares reais que envolvem dilemas ou
controvérsias conceituais, pedagógicas ou sociais. Os grupos discutirão o caso,
elaborarão argumentos a favor e contra as soluções propostas, considerarão
diversas perspectivas e apresentarão as conclusões do grupo em plenária. A
reflexão será coletiva, focando na identificação das habilidades
argumentativas, análise das potencialidades e desafios da estratégia, e
sugestões de adaptações para diferentes níveis de ensino. A oficina finalizará
com a construção colaborativa de um quadro de estratégias para a ABC. A
metodologia adota princípios de metodologias ativas, destacando a participação
dos docentes, a aprendizagem pela experiência e o diálogo reflexivo. Por fim,
discutiremos como escrever um caso, com propostas de temas controversos pelos
participantes.
Palavras-chave: Argumentação. Aprendizagem Baseada em Casos.
Metodologias ativas. Pensamento crítico.
Milene Maciel Carlos
Leite (UERJ), Bárbara Bela Carvalho dos Santos (UERJ)
Resumo: Nesta proposta, objetivamos promover o exercício
de argumentação e contra-argumentação, a partir de um debate regrado de três
temas polêmicos: 1. O aborto deve ser legalizado no Brasil? 2. Jogadores
famosos têm a obrigação de se posicionar contra o racismo? 3. O Estado deve
oferecer apoio financeiro direto para que mulheres pobres possam exercer
plenamente o direito à maternidade? Os presentes serão divididos em 6 grupos. O
primeiro grupo terá que defender que o aborto deve ser legalizado. O grupo 2,
que estabelecerá um debate de ideias com o grupo 1, terá que defender que o
aborto no Brasil não deve ser legalizado. A mesma divisão ocorrerá entre os
grupos 3 e 4 e 5 e 6, a partir dos temas 2 e 3. Os presentes terão um tempo
determinado para realizar pesquisas e se preparar para o debate. Um
representante de cada grupo assumirá a palavra e um mediador controlará o tempo
de fala. Serão permitidas réplicas e tréplicas. A experiência foi elaborada no
Estágio Supervisionado realizado no Instituto de Aplicação da UERJ (CAP-UERJ)
para o Ensino Médio. Na presente proposta, busca-se mostrar como argumentar é
defender um ponto de vista sobre determinada questão. Isto é, para argumentar,
é necessário acionar uma série de dados científicos, históricos, filosóficos,
assim como exemplificações de fatos recentes, experiências pessoais, entre
outras estratégias. É possível argumentar, inclusive, em favor de um ponto de
vista que não é seu. Esse é o valor do contra-argumento: entender as
estratégias argumentativas de quem pensa diferente de você. Entendemos que a
cidadania se constrói também a partir do respeito ao diferente. Por fim, a
atividade busca mostrar, na prática, como argumentar exige ética e
responsabilidade na escolha dos argumentos, já que aquilo que defendemos tem
consequências na vida das pessoas e, consequentemente, na sociedade, em geral.
Palavras-chave: Argumentação. Contra-argumentação. Estratégias
argumentativas. Debate regrado.
Ana Elvira Luciano
Gebara (FGV/SP), Leonor Werneck dos Santos (UFRJ)
Resumo: O objetivo desta oficina é apresentar o papel da
argumentação na constituição dos sentidos, em textos como letras de canção e
poemas, nos quais a estrutura argumentativa, muitas vezes, não está explícita
nem aparece de forma canônica. Para isso, iremos identificar as estratégias de
leitura para esses gêneros, valendo-nos das reflexões a respeito da análise
linguística-semiótica, para discutir e propor formas de abordá-los na educação
básica a partir da arquitetura argumentativa dos textos - cada um em sua
especificidade. A oficina foi pensada para receber, como público-alvo,
professores da educação básica e licenciandos, mas outras pessoas interessadas,
mesmo que não sejam das áreas de Educação, Letras e Linguística, também podem
participar. A oficina enfatizará a abordagem textual-discursiva nos anos finais
do ensino fundamental e no ensino médio. Começaremos com as noções de
argumentação que os participantes da oficina conhecem. A seguir, discutiremos
essas noções, partindo do sentido amplo e, em seguida, de como a argumentação
aparece nos diversos gêneros, exemplificando com os textos selecionados para
análise (“O operário em construção”, de Vinicius de Moraes; “Construção”, de
Chico Buarque; “Espelho”, de Mia Couto; “Retrato”, de Cecília Meireles; “Versos
de Natal”, de Manuel Bandeira). Durante a oficina, os inscritos serão
instigados a levantar hipóteses, debater as estratégias argumentativas e
refletir acerca das possíveis abordagens didático-pedagógicas dos textos
analisados e da temática da argumentação. Espera-se que os participantes
reflitam sobre estratégias múltiplas de argumentação, sobre as especificidades
da argumentação em textos poéticos e sobre a articulação entre os eixos
integradores da BNCC, especialmente leitura e análise linguística-semiótica.
Palavras-chave: Ensino. Argumentação. Letra de Canção. Poema.
Rebeca Emerich Alvarez (UERJ),
Myllena Paiva Pinto de Oliveira (UERJ)
Resumo: A oficina pretende oferecer aos participantes a
vivência prática de ensino da argumentação, tomando a evidencialidade como
categoria linguístico-discursiva fundamental para a sustentação de pontos de
vista. Pretende-se que os participantes experienciem atividades de reflexão/uso
de marcas evidenciais, tais como verbos de percepção, construções reportativas
e construções conformativas, voltadas para o desenvolvimento da argumentação em
textos escritos, principalmente em paradigmas discursivos estabilizados
socialmente, como o ENEM. Consequentemente pretende-se também discutir como
esses recursos podem capacitar a mobilização de diferentes vozes e fontes em
produções escritas. A atividade será organizada em três momentos: (i) vivência
inicial: análise de trechos de redações do ENEM, com foco em marcas evidenciais
na construção de argumentos e sua relação com as competências avaliativas.
Pretende-se também explicitar o que se compreende por evidencialidade e
discutir por que essa categoria, embora relevante, é frequentemente
negligenciada no ensino; (ii) experimentação prática: desenvolvimento e
experimentação de atividades didáticas que explorem a evidencialidade como
estratégia de argumentação; (iii) reflexão coletiva: debate sobre o
desenvolvimento de como a evidencialidade pode ser adaptada ao cotidiano do
Ensino Médio, discutindo desafios e possibilidades de implementação em
diferentes contextos escolares. O público-alvo da oficina são professores da
Educação Básica, licenciandos e/ou formadores interessados em práticas de
escrita argumentativa que aproximem a teoria linguística e a prática
pedagógica. Espera-se que os participantes, ao vivenciar a oficina, desenvolvam
maior consciência sobre o papel da evidencialidade na construção de argumentos
e se sintam motivados a incorporar essa estratégia em suas próprias práticas
docentes.
Palavras-chave:
Evidencialidade; ENEM; Ensino Médio.
Ana Cláudia Machado dos Santos
(UFF), Ana Beatriz Arena (UERJ)
Resumo: O objetivo desta oficina é proporcionar aos
participantes uma vivência prática sobre o papel dos conectores micro e
macrossintáticos na construção do texto e na orientação argumentativa do
discurso sob o enfoque textual-funcionalista. Pretende-se que os envolvidos
aprendam a identificar os diferentes níveis de articulação (microestrutural,
intermediário e global), distinguindo relações lógico-semânticas e
discursivo-argumentativas, sempre em diálogo com os efeitos de sentido que
emergem no uso real da língua. A atividade será conduzida de modo interativo,
combinando análise coletiva de exemplos autênticos — retirados de gêneros
diversos, como artigos de opinião, charges, comentários do leitor editoriais,
postagens digitais, propagandas, tirinhas — com momentos de experimentação
prática. No primeiro momento, a mediação docente apresentará questões
norteadoras para reflexão crítica, estimulando os participantes a perceberem
não somente como um mesmo conector pode atuar de forma distinta em contextos
diferentes, mas também qual é a relação dessa atuação com o nível de
articulação e com o gênero textual em questão Em seguida, haverá dinâmicas em
grupo, nas quais os participantes serão convidados a classificar e discutir
usos de conectores, reescrever trechos modificando a articulação e observar as
consequências argumentativas dessas escolhas. Para encerrar, será realizada uma
roda de conversa em que os participantes compartilharão suas percepções sobre o
papel pedagógico dessa abordagem no ensino da leitura e da produção textual. O
público-alvo prioritário são professores da educação básica, licenciandos e
pós-graduandos, mas a proposta também se abre a pesquisadores e interessados em
estratégias de ensino-aprendizagem voltadas ao fortalecimento da competência
argumentativa no âmbito da língua em uso.
Palavras-chave: Conectores. Argumentação. Ensino. Linguísticas
Textual e Funcional.
Luisa
Rodriguez Doering (UFRGS), Cydara Cavedon Ripoll (UFRGS)
Resumo:
Nesta oficina serão
apresentadas as ferramentas Ábaco físico dos Números Inteiros e Ábaco Virtual
dos Números Inteiros, concebidas como recursos que permitem convidar estudantes
a refletir sobre números inteiros, formular conjecturas e descobrir, por meio
da própria manipulação, as regras de sinais envolvidas nas operações.
Pretende-se discutir propostas que oportunizem desafios decorrentes do uso
desses materiais, destacando a estreita relação entre tais ferramentas e
aspectos elementares da construção formal do conjunto dos números inteiros, bem
como das propriedades de suas operações. São objetivos da oficina: i)
apresentar as ferramentas (concreta e virtual); ii) propor atividades adequadas
aos anos finais do Ensino Fundamental que incentivem a resolução de problemas
por meio desses materiais; iii) discutir a potencialidade pedagógica das
atividades; iv) ressaltar que o Ábaco possibilita reflexão, formulação de
conjecturas e dedução das regras de sinais; v) evidenciar que essas ferramentas
traduzem aspectos fundamentais da construção do universo numérico Z. A oficina
será organizada em dois momentos. No primeiro, serão apresentados os Ábacos
físico (construído com materiais recicláveis) e virtual (disponível em
plataforma digital), explicitando pré-requisitos para seu uso, sua relação com
a BNCC e as diferenças entre ambos. Serão propostas atividades que permitam
explorar múltiplas representações de um número inteiro, operações com inteiros
e a descoberta e dedução das regras de sinais para adição, subtração e
multiplicação. No segundo momento, os participantes serão convidados a refletir
sobre a relação entre a construção formal dos números inteiros e os materiais
manipuláveis, de modo a reconhecer neles elementos estruturantes dessa
construção, aqui entendida como aquela apresentada em disciplinas de
Licenciatura ou Bacharelado em Matemática, cuja ênfase recai na consistência
lógica e não na simbologia. Considera-se que a adequação da oficina ao evento
se justifica pelo fato de que essas ferramentas permitem que estudantes
descubram regras de sinais por meio de argumentação, dispensando a memorização
mecânica.
Palavras-chave: Operações com números
inteiros, Ábaco (Virtual) dos Números Inteiros, Tijolos Táteis, Inclusão,
Deficiência visual.
Mário Barbosa da Silva (IFSP)
Resumo: As pesquisas em Educação Matemática e os
documentos curriculares em âmbito nacional e internacional, têm enfatizado que
atividades fundamentadas na resolução e proposição de problemas, associadas aos
processos de argumentação, prova e demonstração matemática, e auxiliadas por
recursos tecnológicos, podem contribuir para desenvolver diversas habilidades
cognitivas, bem como para a construção e a compreensão de conceitos e conteúdos
matemáticos e o desenvolvimento do pensamento matemático do estudante da
Educação Básica. No Ensino Médio, não raros os conteúdos de secções cônicas
sejam desenvolvidos de maneira meramente mecânica, superficial e sem promover a
devida compreensão. Ressalte-se que, mesmo após estudarem esses conteúdos,
estudantes ainda apresentam lacunas em sua aprendizagem, sem demonstrar domínio
e nem compreensão adequada. Diante desse cenário, cabe aos professores, cientes
dessa realidade, empregar métodos de ensino que promovam a compreensão e a
construção efetiva desses conceitos. A presente oficina tem por objetivo
desenvolver atividades através da resolução e proposição de problemas,
fomentando a argumentação, a prova e a demonstração das equações das cônicas.
Os participantes construirão um cone duplo intersectado por uma superfície
plana, utilizando o GeoGebra, a fim de compreender como essas curvas são
geradas. Na sequência, receberão atividades fundamentadas na resolução e
proposição de problemas para desencadear a construção e a compreensão dos
conceitos da circunferência, parábola, elipse e hipérbole com o auxílio do
software de geometria dinâmica. A oficina é destinada a estudantes da formação
inicial, professores da Educação Básica em exercício, a formadores e
pesquisadores da área em Educação Matemática. Destaca-se, ainda, que as
atividades foram planejadas para desenvolver gradativamente os aspectos
argumentativo dos participantes com intuito de promover a dedução das equações
de cada cônica.
Palavras-chave: Resolução e Proposição de Problemas;
Argumentação, Prova e Demonstração; GA; GeoGebra.
Sylvia De Chiaro (UFPE), Raquel
Cordeiro Nogueira Lima (UFPE)
Resumo: A argumentação, entendida como prática discursiva
central para a construção crítica do conhecimento, constitui eixo fundamental da
formação cidadã. Preparar professores para trabalhar com argumentação significa
capacitá-los não apenas a reconhecer o valor deste discurso, mas a se tornarem designers argumentativos, capazes de elaborar
e aplicar estratégias didáticas potencialmente argumentativas (EPAs) alinhadas a
seus objetivos pedagógicos. Essa perspectiva amplia a noção de conhecimento de conteúdo
para o conhecimento pedagógico do conteúdo em argumentação, articulando a capacidade
de desenho pedagógico argumentativo com a habilidade mediacional docente. A Oficina
proposta parte da necessidade de oferecer um espaço formativo em que docentes planejem,
experimentem e reflitam sobre estratégias que promovam a emergência da argumentação
e potencializam ambientes pedagógicos dialógicos, reflexivos e críticos, independentemente
do segmento educacional ou da área do conhecimento em que atuam. O objetivo é favorecer
a aprendizagem dos participantes na elaboração de EPAs, a partir da identificação,
compreensão e exercício de cada um dos critérios de potencialidade argumentativa,
a saber: (1) debatibilidade do tema; (2) legitimação da argumentação como caminho
de resolução da questão proposta; (3) estímulo aos elementos constitutivos da argumentação
(argumentos, contra-argumentos e respostas) e aos movimentos discursivos deles decorrentes
(justificação e negociação de significados); (4) grau de estruturação da EPA, considerando
clareza de etapas, tempos e papéis; e (5) previsão de ações discursivas que sustentem
o diálogo argumentativo. O quadro teórico-metodológico ancora-se em Shulman, Leitão,
Rapanta e De Chiaro, bem como nas pesquisas do Grupo de Estudo e Pesquisa em Argumentação
na Educação - GEPAEd. Espera-se que os participantes aprendam a desenhar e aplicar
estratégias autorais de ensino pautadas na argumentação, exercitando diferentes
níveis de estruturação e ações mediacionais. Assim, a Oficina visa fomentar uma
postura docente crítica, criativa e reflexiva, capaz de sustentar práticas educativas
orientadas pela argumentação.
Palavras-chave: Ensino pela argumentação. Estratégia potencialmente
argumentativa. Capacidade de desenho pedagógico em argumentação. Habilidade mediacional
em argumentação.
Samantha Floriano Silva (UFF),
Felipe Franco Pereira Carneiro (UFF)
Resumo: Entre páginas e memórias não se encontram com facilidade
expoentes femininos na história da matemática. Seja que não se conheça, seja que
silenciadas, percebe-se as narrativas contadas apenas por um olhar que se detém
em personagens de mesmas características. Assim que não se conhece, pode parecer
que não exista. Portanto, em esforços que submetam a realidade à consciência crítica,
há a necessidade latente do conhecimento da própria história de maneira integral:
observando cada personagem que assim o construiu. A Oficina Fridas tem como objetivo
promover práticas de argumentação no modelo de Stephen Toulmin (2014) no contexto
das reflexões sobre o perigo da história única - termo estabelecido pela escritora
Chimamanda Ngozi Adichie (2019). Nesta perspectiva, pretende-se possibilitar o desenvolvimento
da contra-argumentação crítica acerca da invisibilização das mulheres na história
da matemática. Deste modo, espera-se que seja oportunizado um momento de reflexão
sobre estratégias pedagógicas que visem respeitar as narrativas plurais e assim
incluir a representatividade na sala de aula. A dinâmica da oficina é ancorada na
utilização do material didático Fridas, que são jogos pedagógicos que visam a divulgação
e popularização dos trabalhos de mulheres e seus legados históricos. O material
foi construído durante o curso de Especialização em Ensino de Matemática, na Universidade
Federal Fluminense, pela primeira autora. Para a contextualização dos participantes
no enredo da oficina, primeiramente serão promovidos debates sobre a representatividade
no âmbito da construção do conhecimento humano e histórico. Estabelecida essa imersão
no eixo temático da oficina, os participantes serão convidados a pensar no processo
de argumentação dialógica e a criar um argumento contundente para que se debata
sobre a relevância deste tema. A Oficina Fridas pretende, então, promover reflexão
coletiva tendo o silenciamento das vozes femininas como um alicerce para se pensar
métodos de argumentação que visem a inclusão no contexto da educação brasileira.
Palavras-chave: Empoderamento Argumentativo. Modelo Toulmin. Invisibilidade das Mulheres.
História Única.
Maria Eduarda de Brito Cruz
(UFAC), Verônica Tavares Santos Batinga (UFRPE)
Resumo: A oficina tem como objetivo promover discussões sobre
o processo de elaboração de problemas intencionalmente argumentativos como estratégia
didática para o ensino e aprendizagem de ciências em sala de aula, visando o desenvolvimento
da comunicação, argumentação científica, pensamento crítico, autonomia e tomada
de decisões frente a problemas sociocientíficos, que envolvem aspectos de natureza
social, ética, política, econômica, ambiental ou tecnológica. O problema trata de
uma situação que o sujeito ou um grupo quer ou precisa resolver, entretanto, não
dispõe de um caminho rápido e direto que leve a resolução. Compreende-se a argumentação
como uma a atividade de natureza discursiva e social que se realiza pela defesa
de diferentes pontos de vista e a consideração de objeções e perspectivas alternativas,
com o objetivo de aumentar ou reduzir a aceitabilidade dos pontos de vista em questão.
Busca-se ainda que os participantes reflitam sobre as potencialidades pedagógicas
dos problemas argumentativos e concluam a oficina com propostas elaboradas para
futura aplicação em seus contextos profissionais. A atividade será organizada em
dois momentos: o primeiro será voltado à discussão sobre conceituações, objetivos
e modelos de argumentação na perspectiva dialógica, a finalidade dos problemas em
sala de aula, conceituações de problema, tipologias de problemas (problemas científicos,
cotidianos e problemas escolares), etapas da resolução de problemas, características
de problemas intencionalmente argumentativos, e elementos que devem ser considerados
pelos professores para a sua elaboração. O segundo momento será dedicado à prática,
na qual os participantes irão elaborar problemas intencionalmente argumentativos
com a integração de diferentes tipos de conteúdos científicos relacionados às suas
áreas e contextos de atuação. Ao final, os problemas elaborados serão apresentados
ao grande grupo, para promover a troca de experiências, discussão e reflexão coletiva.
A oficina é destinada a professores da Educação Básica e do Ensino Superior e estudantes
de Licenciatura.
Palavras-chave: Professores; Ensino de Ciências, Interação, Controvérsia.
Robson Domingos da Cruz Santos
(UFS), Ana Carla de Oliveira Santos (UFS)
Resumo: A argumentação, como uma atividade discursiva que
se caracteriza pelo confronto de pontos de vista e se realiza pela justificação
destes, torna-se uma prática essencial para debater informações controversas, pois
promove um ambiente favorável à avaliação, à reflexão de ideias e ao potencial para
mudanças de concepções. Sabendo que suscitar a argumentação em sala de aula é uma
tarefa complexa, esta oficina tem por objetivo desenvolver a capacidade dos professores
de elaborar e refinar questões-problema que sirvam como ponto de partida para a
mediação argumentativa, planejando de forma intencional as ações discursivas (pragmáticas,
argumentativas e epistêmicas). A oficina é direcionada a professores da Educação
Básica (especialmente da área de Ciências da Natureza), licenciandos e formadores
de professores. Adotando uma abordagem de aprendizagem ativa inspirada no ciclo
da metodologia Lesson Study, a oficina se inicia com uma etapa prática de
Diagnóstico e Problematização, na qual os participantes, em grupos, recebem questões-problema
e elaboram um mini-planejamento de mediação com base em suas experiências. Após
essa vivência, no segundo momento, de Fundamentação e Imersão, são introduzidos
conhecimentos acerca de ações discursivas, de De Chiaro e Leitão, para instrumentalizar
os participantes, utilizando o referencial para analisar os mesmos exemplos de questões
trabalhados anteriormente pelos grupos. Com essas novas ferramentas, a oficina avança
para o Ciclo Prático de Refinamento, no qual os grupos revisitam seus planejamentos
para aprimorá-los, construindo um novo "planejamento" que contém a questão-problema
e um roteiro de mediação explícito. Em seguida, passam por um momento de apresentações,
recebendo feedback estruturado e colaborativo. Por fim, na etapa de Sistematização
e Compartilhamento, os grupos se reúnem para concluir as alterações e posterior
compartilhamento. Espera-se que os participantes aprimorem não apenas a elaboração
de questões-problema, mas também sua intencionalidade ao planejar as ações discursivas
que guiarão o debate em sala de aula.
Palavras-chave: Argumentação; Planejamento; Ações discursivas; Lesson
Study.