Coordenação Geral: Antenor Ferreira Corrêa; Carina Ochi Flexor; Cleomar Rocha e Suzete Venturelli
Curadoria da Exposição EmMeio#18: Malu Fragoso; Suzete Venturelli e Tania Fraga
Curadoria da Exposição On-Line: Taina Luize Martins Ramos e Nycacia Delmonde
Coordenação Educativo (UnB): Rosana de Castro
A abertura do evento contará com a importante palestra de Regina Silveira, artista pioneira que perpassa suas obras pela arte, ciência e tecnologia. O 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia celebra, em setembro de 2026, um quarto de século de experimentação estética, investigação crítica e convergência entre pesquisadores, artistas e cientistas que interrogam, expandem e reinventam as fronteiras entre cultura, ciência e sociedade. Realizado simultaneamente no Museu Nacional da República e no Sesi Lab, em Brasília, o encontro assume neste ano o tema GA.IA, evocando diferentes tradições de pensamento que nos convidam a imaginar mundos possíveis para além das divisões entre natureza, técnica e humanidade.
A escolha do título GA.IA não é apenas uma alusão ao conceito de James Lovelock, cujo modelo da Terra como um sistema autorregulador — vivo, sensível e em constante adaptação — marcou profundamente a compreensão contemporânea do planeta. Ele também dialoga com uma sensibilidade expandida que atravessa a arte contemporânea e a filosofia ecológica, convocando novas percepções sobre interdependência, coabitação e responsabilidade planetária. Lovelock nos oferece um modo de ver o planeta como agente, não como cenário; como força ativa e relacional que molda e é moldada pela presença humana.
Ao lado dessa visão sistêmica, o pensamento de Ailton Krenak ilumina o encontro com sua crítica profunda ao modelo civilizatório que separa humanos e natureza, instaurando a necessidade urgente de adiar o fim do mundo por meio de práticas de cuidado, imaginação e reconexão. Sua provocação — de que a humanidade precisa reaprender a sonhar, e de que rio, floresta, pedra e vento também são parentes — destaca uma ética da relação que se torna central para este evento. GA.IA, assim, também é convite para reconhecer cosmopolíticas invisibilizadas, saberes tradicionais e modos outros de existência que ampliam o horizonte da arte e tecnologia.
A reflexão de Lúcia Santaella, por sua vez, acrescenta ao debate uma leitura aguda das metamorfoses tecnológicas e comunicacionais que configuram a sensibilidade contemporânea. Seus estudos sobre ecologias da informação, transestética e tecnocultura reforçam a importância de compreender os ambientes digitais como extensões de percepção, cognição e ação. Assim, GA.IA desdobra-se não apenas como planeta, mas como ecologia complexa de linguagens, meios e sistemas inteligentes que reconfiguram a experiência humana. A articulação entre biológico, artificial e simbólico forma a espinha dorsal deste encontro, que se abre para investigações sobre IA generativa, bioarte, realidade mista, arte algorítmica, sensores ambientais, redes distribuídas e práticas especulativas.
O 25º Encontro propõe, portanto, uma aproximação entre Gaia como Terra viva e Gaia como matriz de inteligências múltiplas — naturais, artificiais e híbridas. Tal aproximação não busca metáforas fáceis, mas tensões produtivas: como compreender IA não apenas como ferramenta, mas como parte de um ecossistema ampliado de agentes? Como criar obras que traduzam, criticamente, os fluxos de energia, informação e vida que perpassam nosso tempo? Como reimaginar a tecnologia a partir de cosmologias indígenas, práticas ecológicas e epistemologias não hegemônicas? E, sobretudo, como restituir à arte um papel ativo na reinvenção do sensível em um planeta sob emergência climática?
Os dois espaços que acolhem o encontro — o Museu Nacional da República e o Sesi Lab — reforçam essa perspectiva de dupla ancoragem. O Museu, marco arquitetônico da capital, convida à reflexão histórica e simbólica, servindo como território de exposições, performances e mesas que interrogam o lugar da arte em meio às mutações do mundo contemporâneo. O Sesi Lab, por sua vez, com sua infraestrutura dedicada à experimentação interativa, educação científica e tecnologias emergentes, oferece o ambiente ideal para laboratórios, oficinas, demonstrações e processos colaborativos. Juntos, configuram uma ecologia de criação onde pensamento, prática e experimentação se entrelaçam. O encontro também celebra seu histórico de internacionalização, reunindo artistas e pesquisadores de diferentes países, múltiplas línguas e diversas tradições culturais. Em consonância com o tema GA.IA, esta edição fortalece redes latino-americanas, diálogos interdisciplinares e parcerias institucionais que apontam para uma visão compartilhada de futuro.
Diante de um mundo marcado por instabilidade climática, complexidade tecnológica e transformações sociopolíticas profundas, a arte e a tecnologia tornam-se instrumentos essenciais para pensar, sentir e agir de novas maneiras. O 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia convida todos os participantes a somar-se a esta travessia: imaginar com o planeta, criar com o planeta, sonhar com o planeta. Em GA.IA, a arte não é apenas testemunha — é força ativa de recomposição e de invenção do comum.
Apoios: Museu Nacional da República, Brasília, DF; Media Lab / UNB; Media Lab / BR; UnB/PPg Artes Visuais; Capes, CNPq; Fundação Itaú; Sesi Lab; Associação Nacional de Arte e Tecnologia; Universidade Anhembi Morumbi e ANIAV.
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25th International Meeting of Art and Technology: GA.IA
Celebrating a quarter-century of aesthetic and scientific intersection, the 25th International Meeting of Art and Technology (#25.ART) will take place in September 2026 in Brasília. Hosted simultaneously at the National Museum of the Republic and Sesi Lab, the event features a keynote by pioneer artist Regina Silveira, highlighting her career at the nexus of art, science, and technology.
The meeting explores the productive tensions between biological, artificial, and symbolic systems. It delves into contemporary issues such as generative AI, bio-art, algorithmic art, and climate emergency, seeking to decolonize technology through non-hegemonic epistemologies.
By uniting the symbolic space of the National Museum with the interactive, scientific environment of Sesi Lab, the event fosters an international ecology of creation. Supported by major Brazilian institutions like UnB, CNPq, and CAPES, #25.ART positions art not just as a witness to global change, but as an active force in inventing a common, sustainable future.