A crise climática deixou de ser uma ameaça futura para se tornar uma realidade, que redefine paisagens, culturas e modos de vida em todo o planeta. Seus efeitos são sentidos de forma desigual, revelando vulnerabilidades históricas e reforçando a urgência de ações coletivas. Neste contexto, os museus, vistos como espaços de preservação do passado, significação do presente e projeção do futuro surgem como atores importantes no enfrentamento dessas transformações. A 19ª Primavera dos Museus nos convida, portanto, a refletir sobre como essas instituições podem documentar, pesquisar, educar e intervir nas práticas relacionadas aos impactos ambientais, evidenciando suas conexões com a memória, a justiça e a criatividade humana.
O racismo ambiental sobrecarrega as populações marginalizadas, as quais sofrem em maior proporção com os impactos ambientais; as enchentes que castigam todo o território brasileiro revelam a complexa geografia da crise climática no país; a desertificação, por sua vez, avança pouco a pouco, transformando terras férteis em áreas áridas e improdutivas, com impactos devastadores para comunidades rurais, biodiversidade e segurança alimentar; já as queimadas, no Brasil, representam uma grave questão da crise climática, em que incêndios intencionais para agropecuária degradam biomas como Amazônia, Cerrado e Pantanal, destroem a vegetação que regula o clima, alteram padrões de chuva e tornam a vegetação mais vulnerável para outros futuros incêndios.
A 19ª Primavera dos Museus, portanto, é uma oportunidade para reposicionar essas instituições como “patrimônio estratégico para a ação climática“. O Museu do Baixo Tocantins compreendendo a importância deste momento em que se discute novos rumos para o planeta através da temática do clima, possibilitamos ao publico em geral, promover debates, contemplar exposições, performances e participar de trilhas que visibilizem nossa floresta seja por meio do patrimônio natural ou por meio das obras de nossos mestres e artistas da cidade de Abaetetuba que se dedicaram a luta por um mundo sustentável. Nomes como Rai Cardoso e Camilo Viana serão homenageados; os rezadores de Ladainhas do Alto Itacuruçá veem mostrar suas habilidades do canto na defesa da identidade do seu território quilombola.
O artista e pintor Naith Matos celebra suas obras que fazem referência ao cotidiano do povo da vila de Beja. Já o povo Tembé do alto Guamá irá propor um aldeamento do campus em território indígena com cantos, pinturas e mitos. Já a trilha propõe penetrarmos na etno poética da Amazônia das Palmeiras, sugerindo uma educação para a preservação de nosso patrimônio natural que são as Palmeiras. Essa abordagem vem colocar as ações do museu num plano prático e conceitual, que envolve múltiplos conhecimentos, que vão da arte a memória aos fazeres cotidianos, aproximando as gerações de saberes que são ordenadores das mais significativas contribuições ao planeta neste momento de crises climáticas.