corpos e subjetividades dissidentes
entre cultura e natureza
O XII Colóquio de Arte e
Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do
Espírito Santo propõe uma reflexão sobre as intersecções entre arte e ecologias
contemporâneas, de modo a situar o debate nas urgências de um presente atravessado
por múltiplas crises. A proposta temática Arte e ecologias do agora: corpos
e subjetividades dissidentes entre cultura e natureza convoca
pesquisadores, artistas e estudantes a pensar os modos como as práticas
estéticas ocorrem e atuam na reconfiguração das relações entre humano e
não-humano, material e imaterial, gesto e tecnologia, natureza e cultura. Nesse
sentido, consideramos a proposta de um espaço de reflexão no qual a arte emerge
como operadora conceitual e sensível, capaz de tensionar tais fronteiras que
atravessam o agora.
O campo das ecologias
contemporâneas na arte se estabelece a partir da compreensão de que a crise
ambiental não se reduzà degradação física
do planeta. Conforme proposto por Félix Guattari, em “As três ecologias” (1990), a articulação entre ambiental, social e
mental constitui uma perspectiva ampliada que enfatiza a indissociabilidade
dessas dimensões. A ecosofia guattariana oferece um marco conceitual para
pensarmos como a arte contemporânea pode desenvolver-se na produção de novos
territórios existenciais, na reorientação dos modos de vida e na criação de
outras sensibilidades perante o mundo do caos climático e tecnológico e das
resistências ancestrais.
Ao permear tais
horizontes, as práticas artísticas contemporâneas têm demonstrado capacidade
singular de articular questões ecológicas com processos de subjetivação,
especialmente quando acionam corpos e subjetividades que resistem aos
enquadramentos normativos. A noção de corpos dissidentes remete àqueles que ultrapassam as hierarquias de gênero, raça,
classe e espécie, com a produção de modos de existência contestadores das
separações historicamente construídas entre cultura e natureza. Essas
corporalidades insurgentes desafiam a epistemologia colonial que sustentoue sustenta a separação entre sujeito e objeto,
humano e animal, orgânico e maquínico, e desvelam espaços para outros modos de
relação e de presença no mundo.
A arte aparece como
potência restaurativa, na medida em que propõe outras relações possíveis entre
elementos historicamente dicotomizados. Entre o concreto e o conceitual, a
produção artística contemporânea explora as materialidades das coisas, ao mesmo
tempo em que investe na criação de afetos e sensações que escapam à captura dos
sistemas de controle. Nas brechas entre o ato de deliberar flusseriano e a
velocidade de automação algorítmica, observa-se a emergência de práticas que
não opõem técnica e sensibilidade, mas que reconhecem, nas recentes mudanças,
possibilidades de criação de agenciamentos e antagonismos positivos. A arte
investiga zonas liminares, nas quais o sensível se constitui na tensão entre
presença e ausência.
Pensar o sensível na arte
contemporânea implica reconhecer que as obras não apenas representam o mundo,
mas produzem experiências que afetam os corpos e transformam percepções. A
criação artística ocorre na produção de perceptos e afetos que excedem as vivências
individuais, de modo a apontar para o que Deleuze e Guattari denominam, no
referencial “O Anti-Édipo” (2010), como máquinas desejantes. Eles nos lembram
de que toda a máquina deseja e todo o desejo é fruto de uma maquinação. Nós e
nossas máquinas não nos limitamos à transmissão de informações ou à comunicação
de mensagens, pois funcionamos como dispositivos de abertura para outras formas
de sentir e existir. O sensível na arte se constitui na relação entre obra e
espectador, na produção de zonas de indiscernibilidade, nas quais os limites
entre sujeito e objeto se tornam porosos.
Em continuidade às
discussões sobre o sensível e as corporalidades dissidentes, pensar o corpo, a
matéria e a finitude aponta para a reflexão sobre a vulnerabilidade como
dimensão estruturante das existências. A arte contemporânea tem explorado a
precariedade da existência e da resistência dos corpos, sua exposição à dor, ao
envelhecimento e à morte, e essas abordagens não se restringem ao corpo humano,
elas se estendem como condição compartilhada por múltiplas formas de vida.
Nessa perspectiva, a finitude deixa de ser compreendida como limite negativo e
passa a constituir-se como condição de possibilidade para pensarmos modos e
formas de cuidado, interdependência e reconhecimento da fragilidade mútua que
atravessa todos os viventes.
Outra dimensão relevante
diz respeito às relações existentes entre o vegetal, o maquínico e o animal,
tais confluências têm orientado práticas artísticas voltadas a tensionar as
fronteiras entre organismos, máquinas e outras formas de vida. Essas experimentações,
muitas vezes marcadas por processos de cultivo e hibridização tecnológica,
deslocam o humano de seu lugar central e afirmam uma visão ecológica mais
ampla. Nesse sentido, podemos nos inspirar tanto na abordagem therolinguística
de Ursula K. Le Guin (2012) quanto na “Autobiografia de um polvo”, de Vinciane
Despret (2022), para expandirmos nossos campos de investigação através da
adoção do termo plural “ecologias”. Dessa forma, tais perspectivas ampliam a
compreensão das ecologias do agora, ao proporem outros modos de coexistência e
de partilha sensível.
Em continuidade às
discussões sobre sensibilidade e corporalidade, pensar as pulsões afetivas na
arte e na sociedade contemporâneas implica reconhecer as dimensões do Eros
marcuseano (1975) e da psicologia dos afetos nos processos de criação. Práticas
artísticas que exploram a afetação dos materiais, investigam as zonas de
intensidade entre corpos e propõem experiências de fruição que excedem a
normatividade dos códigos, constituem territórios de resistência às formas
hegemônicas de regulação do desejo. Nesse sentido, a arte instaura-se na
produção de outros modos de relação com o prazer, que não se restringe aos
circuitos mercantilizados da satisfação, mas investem na criação de
experiências singulares de afeto, presença e partilha.
O Colóquio de Arte e
Pesquisa do ano de 2026 se propõe como espaço de confluência entre diferentes
abordagens teóricas e práticas artísticas que compartilham a compreensão de que
a arte não se separa da vida, mas surge na proposição de formas de existenciais.
As ecologias do agora convocam a pensar modos decomo
as práticas estéticas podem contribuir para a criação de outros mundos
possíveis, para a reconfiguração das relações entre viventes e para a invenção
de territórios em que as diferenças não sejam reconhecidas como ameaça, mas
como potencial criador. Dessa forma, os corpos e subjetividades dissidentes que
habitam essas ecologias não se definem por identidades fixas, mas por processos
de devir que mantêm aberta a possibilidade de transformação.
A proposta deste colóquio
se inscreve na urgência de pensar coletivamente os desafios contemporâneos que
atravessam, simultaneamente, a crise ecológica, as desigualdades sociais e os
processos de subjetivação. A arte, portanto, não oferece soluções imediatas,
mas atua na articulação de problemas que nos convocam a pensar de outros modos,
a sentir de outras maneiras e a inventar formas de coexistência que resistam
aos processos de captura e homogeneização. Compreende-se, assim, que as
ecologias do agora constituem ao mesmo tempo, um diagnóstico das condições
presentes e projeção de futuros possíveis, territórios nos quais a diferença e
a multiplicidade podem se manifestar em toda a sua potência criadora.
Referências
DELEUZE, Gilles. GUATTARI, Felix. O Anti-Édipo:
capitalismo e esquizofrenia 1. São Paulo: Editora 34, 2010.
DESPRET, Vinciane. Autobiografia de um polvo: e
outras narrativas de antecipação. Tradução de Milena P. Duchiade. Rio de
Janeiro: Bazar do Tempo, 2022.
GUATTARI, Félix. As três ecologias. Tradução
Maria Cristina F. Bittencourt. Campinas: Papirus, 1990.
LE GUIN, Ursula. The
unreal and the real II (outer space,inner lands). Easthampton: Small Beer Press, 2012.
MARCUSE, Herbert. Eros e civilização: uma
interpretação filosófica do pensamento de Freud. Rio de Janeiro. Zahar
Editores, 1975.
Cronograma
Etapa
Data
Divulgação do edital
10/01/2026
Período para submissão de
comunicações
10/01/2026 - 11/04/2026
Período para submissão de pôsteres
10/06/2026 - 10/08/2026
Avaliação dos resumos expandidos
19/03/2026 - 10/05/2026
Divulgação, via Plataforma Even3, dos resumos aprovados e abertura das inscrições para comunicadores.
20/05/2026
Data limite para pagamento da taxa de inscrição dos comunicadores
10/06/2026
Organização da mesas
30/04/2026 - 10/06/2026
Divulgação da programação preliminar
12/06/2026
Abertura e divulgação de inscrições para ouvintes
15/05/2026
Data limite para envio dos arquivos de apresentação
20/07/2026
Divulgação da programação final
25/07/2026
Realização do 12º Colartes
17 a 19/08/2026
Data limites para o envios do texto de artigos completos
18/09/2026
Publicação dos anais do evento
30/11/2026
Eixos temáticos
a) História e historiografia das
artes
Este eixo
temático convida à reflexão sobre os cânones, métodos e narrativas que
constituem o campo da História da Arte. Serão bem-vindas comunicações que
revisitem períodos, movimentos e artistas a partir de novas perspectivas
teóricas ou fontes documentais inéditas, bem como investigações de caráter
historiográfico que problematizem as próprias estruturas de produção do
conhecimento histórico-artístico. O objetivo é fomentar um debate crítico
acerca das escritas da história, de modo a questionar hierarquias consolidadas
e propor abordagens que incorporem temas como a descolonização do olhar, a
interseccionalidade e os estudos de gênero, com a ampliação dos contornos
interpretativos da disciplina.
b) Poéticas, curadorias e práticas
artísticas contemporâneas:
Este eixo dedica-se a examinar os processos, discursos e contextos que
definem a produção artística na contemporaneidade. Interessa-nos receber
pesquisas que analisem as poéticas de artistas e coletivos, investiguem as
materialidades, imaterialidades e conceitos que orientam suas obras, e reflitam
sobre o papel da curadoria como prática discursiva e estruturante do sistema da
arte. As propostas podem abordar desde as transformações nos suportes tradicionais
até as emergentes formas de criação, de modo a considerar as relações entre
arte, tecnologia, política e os complexos ecossistemas expositivos do presente.
c) Arte no espaço educativo: ensino e
formação de professores de arte:
Este centra-se na interface entre a arte e a educação, com
ênfase nos processos de ensino e aprendizagem e na formação docente. São
esperados trabalhos que discutam fundamentos epistemológicos, metodologias de
ensino, currículos e experiências pedagógicas formais e não formais. O eixo
também acolhe reflexões sobre a construção de identidades docentes, os desafios
da prática em contextos diversos e as políticas públicas que impactam o ensino
de arte. O objetivo é congregar pesquisas que articulem teoria e prática e
contribuam para a qualificação do campo.
d) Teorias, performance e ensino
musical:
Voltado
para a música em suas múltiplas dimensões, este eixo busca comunicações que
explorem as interrelações entre a teoria, a performance e a pedagogia musical.
Serão aceitos estudos que investiguem sistemas teóricos e analíticos, a prática
interpretativa e performática em seus aspectos técnicos, estéticos e culturais,
bem como pesquisas sobre a didática e os processos de ensino e aprendizagem
musical em diferentes níveis e contextos. Estimula-se a submissão de trabalhos
que abordam a música como um fenômeno cultural complexo, integrando
perspectivas históricas, etnomusicológicas, cognitivas e sociológicas.
e) Interartes e novas mídias:
Este eixo propõe um olhar sobre as
zonas de fronteira e os diálogos entre diferentes linguagens artísticas e
midiáticas. Encorajamos a submissão de pesquisas que explorem as hibridizações
entre as artes visuais, a literatura, o teatro, o cinema, a dança e as
produções emergentes das novas mídias. O foco reside na investigação de obras,
movimentos ou fenômenos que ocorrem de forma intrinsecamente interdisciplinar e
apresentem desafios às classificações tradicionais. São de particular interesse
os estudos sobre arte digital, cultura da internet, bioarte, realidade virtual
e outras práticas que reconfiguram as noções de autoria, suporte e recepção na
cena artística atual.
a) Podem submeter propostas de comunicação estudantes de pós-graduação stricto sensu, mestres e doutores. Os graduados e graduandos podem submeter os trabalhos desde que em coautoria com seus orientadores e orientadoras (mestres e doutores).
b) Todas as propostas deverão ser submetidas na Plataforma Even3, na forma de resumo expandido (conforme modelo indicado no item h) até a data limite indicada no cronograma deste edital;
c) Cada proposta poderá ser submetida em um único eixo temático;
d) Cada proponente poderá submeter um único resumo expandido, seja de autoria individual ou em coautoria;
e) O envio do resumo expandido deve ser feito em dois arquivos: com e sem
identificação de autoria.
f) Cada comunicação poderá ser assinada por, no máximo, duas pessoas autoras;
g) Não serão consideradas propostas enviadas que não atendam às normas do presente Edital.
h) Os resumos deverão conter entre 1.800 (mil e oitocentos) e 2.500 (dois mil e quinhentos) caracteres com espaço e seguir o modelo em anexo.
i) Os resumos serão avaliados de acordo com os seguintes critérios: (i) alinhamento ao eixo temático; (ii) relevância do tema; (iii) atualidade do tema; (iv) coerência na escrita do resumo; (v) consistência da abordagem e enquadramento teórico-metodológico; (vi) potencialidade de elaboração do texto final para publicação nos Anais
2. Pôster
a) Podem enviar propostas para apresentação de pôsteres estudantes de graduação vinculados à projetos de Iniciação Científica em andamento ou concluídos nos últimos dois anos;
b) Todas as propostas deverão ser submetidas na Plataforma Even3, na forma de resumo simples, acompanhado do arquivo com imagem do pôster que será apresentado, de acordo com as datas indicadas no cronograma deste edital;
c) Os resumos deverão conter entre 1.000 (mil) e 2.000 (dois mil) caracteres com espaço e seguir o modelo em anexo.
d) Os resumos serão avaliados de acordo com os seguintes critérios: (i) alinhamento ao eixo temático; (ii) relevância do tema; (iii) atualidade do tema; (iv) coerência na escrita do resumo; (v) consistência da abordagem e enquadramento teórico-metodológico; (vi) potencialidade de elaboração do texto final para publicação nos Anais
e) O envio do resumo simples deve ser feito em dois arquivos: com e sem identificação de autoria.
f) Se aprovado, o pôster final pode ser o mesmo impresso para a Jornada de Iniciação Científica ou seguir as instruções do modelo em anexo.
Exposiçao "Ecologias do Agora: Reconectando Vínculos"
XII COLARTES 2026
O COLARTES é um importante evento para a visibilidade da produção, circulação e difusão das pesquisas em arte e sobre arte produzidas no Espírito Santo e contará com a realização de exposição de arte.
A exposição Ecologias do Agora: Reconectando Vínculos será realizada como parte constituinte do XII Colóquio de Arte e Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGA/UFES), com abertura no dia 14 de agosto de 2026.
Propomos apresentar trabalhos artísticos que reflitam sobre as interseções entre arte e ecologias contemporâneas, tema que vem ganhando relevância na contemporaneidade devido as novas configurações existenciais presentes nas relações humanas e ambientais, humanas com não humanas.
Em um momento em que a crise ecológica ultrapassa questões ambientais reivindicando atenção aos problemas sociais e subjetivos que estão enraizados em um mesmo problema comum, propomos trazer como ponto de partida para o Simpósio Colartes e a mostra de arte o conceito de Ecosofia, teorizada por Félix Guattari (1990), que defende uma visão abrangente em que não haja a separação entre ser humano e natureza. Guattari aponta a raiz do problema ambiental como parte integrante de três crises ecológicas simultâneas, incluindo uma crise da civilização, principalmente nas relações de poder e formas de convívio, e uma crise da subjetividade, relacionada às formas de sentir, pensar e viver no mundo.
Assim, para enfrentar essa crise, precisamos pensar a ecologia de forma mais abrangente, não em seu modo tecnocrático, mas que englobe concomitantemente uma transformação ética e política. Não se pode pensar em ecologia ambiental tradicional, sem que os modos de convívio, consumo e as relações de poder entre corpos, cultura e tecnologias sejam também avaliados para conter a crise que a atravessa.
Inserindo a proposta no contexto brasileiro, é relevante apontar o discurso sobre a desconexão do homem com a natureza dentro do colonialismo, fundamentado pelo pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo). Enquanto para Guattari, a crise ecológica envolve simultaneamente o contexto ambiental, subjetivo e social, para Bispo, essa crise está ligada a processos de desterritorialização do ser humano em relação à natureza, onde há um rompimento de vínculos com suas próprias cosmologias, corpos e territórios.
A partir desses conceitos, a proposta curatorial se orienta pela noção de envolvimento a partir de uma prática relacional opondo-se à lógica da exploração, valorizando formas de existência baseadas na confluência, na circularidade e no cuidado, buscando uma reconfiguração dos vínculos existenciais. Assim, a exposição Reconectando Vínculos assume a arte contemporânea como um campo de experimentação capaz de reativar conexões sociais, ecológicas e ambientais utilizando materiais, corpos e territórios como agentes dessas produções. Práticas artísticas que de maneira análoga à temática se configurem em processo, operando pela experiência e menos pela representação, buscando uma interação entre arte e público.
A realização da exposição reafirma o papel institucional da galeria como espaço dedicado à produção de conhecimento artístico-cultural e à formação crítica em arte contemporânea. A mostra convida todos a um mergulho nas múltiplas expressões artísticas e intelectuais que emergem de diálogos profundos sobre ecologias e processos de subjetivação em consonância com o tema Arte e Ecologias do Agora.
Nesse sentido, o Colóquio e sua mostra buscam ser um espaço de reflexão crítica e de trocas produtivas entre artistas, pesquisadores e o público, proporcionando uma oportunidade aos discentes do Programa de Pós-graduação em Artes de apresentar suas pesquisas em curso, explorar formatos expositivos não estabilizados e refletir sobre questões indissociáveis das transformações ambientais, sociais e subjetivas a partir de um diálogo entre teoria, prática e propostas pedagógicas. Assim, a exposição pretendida se insere de maneira consistente nas diretrizes acadêmicas e institucionais da GAP, contribuindo para a circulação e difusão da produção artística desenvolvida no Espírito Santo.
Chamada para Exposiçao "Ecologias do Agora: Reconectando Vínculos"
Está aberta a chamada para participação na exposição “Ecologias
do Agora: Reconectando Vínculos”, que integra o XII Colóquio de Arte e Pesquisa
(XII COLARTES 2026) do Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade
Federal do Espírito Santo (PPGA/UFES).
A exposição convida artistas a apresentarem trabalhos que
investiguem as relações entre arte, ecologias contemporâneas e modos de
existência, considerando as interações entre corpos, territórios, tecnologias e
ambientes. Em um momento marcado por transformações ambientais, sociais e
subjetivas, a mostra busca reunir práticas artísticas que reflitam sobre formas
de reconexão entre humanos, não humanos e seus territórios. Inspirada nas reflexões sobre ecosofia, de Félix Guattari, e
nas discussões de Nêgo Bispo sobre territorialidade e cosmologia, a proposta
curatorial propõe pensar a arte como campo de experimentação sensível capaz de
ativar novas relações entre cultura, natureza, memória e formas de vida.
Podem participar estudantes, egressos e docentes do
PPGA/UFES, bem como coletivos artísticos que tenham ao menos um integrante
vinculado ao programa. Serão aceitas propostas em diferentes linguagens
artísticas, como instalação, performance, vídeo, pintura, escultura, gravura,
desenho, processos documentais, trabalhos participativos, entre outras práticas
contemporâneas.
A exposição integra as atividades do XII COLARTES 2026 e
busca ampliar a circulação e a difusão da produção artística vinculada à
pesquisa em arte no Espírito Santo, promovendo o diálogo entre artistas,
pesquisadores e público. Todas as informações, critérios e orientações para submissão das
propostas estão disponíveis no edital completoOs interessados deverão preencher o formulário de inscrição, no período de 18 de março a 18 de maio de 2026.
Em tempo:
A comissão estabelece que, exclusivamente para esta edição da exposição, poderão ser consideradas válidas para avaliação curatorial as inscrições de participantes com vínculo institucional comprovado em grupos de pesquisa e/ou extensão relacionados ao PPGA/UFES, ainda que não possuam vínculo discente formal como mestrandos, doutorandos ou alunos especiais do programa.
RETIFICAÇÃO Nº 01
EDITAL DE CHAMADA PARA EXPOSIÇÃO
"Ecologias do Agora: Reconectando Vínculos" XII COLARTES 2026
A Comissão Organizadora da exposição "Ecologias do Agora: Reconectando Vínculos", integrante da programação do XII Colartes 2026, torna pública a presente Retificação nº 01 do Edital.
No item 8 – Cronograma, onde se lê:
"Divulgação da exposição com nome dos artistas: A partir do dia 1 de julho de 2026"
Leia-se:
"Divulgação da exposição com nome dos artistas: A partir do dia 8 de julho de 2026"
E onde se lê:
"Prazo de pagamento da taxa de inscrição: 18 de junho a 30 de junho de 2026"
Leia-se:
"Prazo de pagamento da taxa de inscrição: 18 de junho a 07 de julho de 2026"
A presente retificação tem como objetivo adequar o cronograma administrativo da exposição e ampliar as condições de participação dos artistas selecionados.
Permanecem inalteradas todas as demais disposições do edital.
Vitória/ES, 18 de junho de 2026.
Comissão Organizadora
Exposição "Ecologias do Agora: Reconectando Vínculos"
XII COLARTES 2026
PPGA/UFES
Programação
Programação de Mesas (Preliminar)
18 de agosto
Mesa 01. 9h–10h30. História e historiografia das artes
Arte colonial em desdobramento: regimes figurativos e construção do olhar sobre o corpo negro
Rhuan Cruz Barros
Desvios do cânone: a historiografia da arte e suas margens
Fabiana Pedroni, Janete Souza de Oliveira
Paisagens mestiças no Antropoceno: subjetividade diaspórica e o gesto artístico como investigação sensível
Isabel Alegria Falconi Nunez
Identitarismo: para começo de uma possível conversa
Hernani Guimarães Mendes
Mesa 02. 9h–10h30. História e historiografia das artes
Fotografia, gênero e regimes de visibilidade
Erika Maria Mariano Ribeiro, Renata Gomes Cardoso
O horror corporal pautado pelos códices da aparência feminina em Cindy Sherman
Bianca Gomes Barros, Alexandre Emerick Neves
Entre a experiência e a imagem técnica: deslocamentos historiográficos na leitura do cinema de Lygia Pape
Eraní Ferreira Soares
Coleta de espécimes locais: ecosofia, subjetivação e dissidência na ação artística urbana
Ana Rita Lustosa, Stela Maris Sanmartin
Mesa 03. 9h–10h30. História e historiografia das artes
Cultura, memória e esquecimento: práticas de arquivamento e construção de narrativas históricas
Juno Nunes Coutinho
Arte de Guerrilha na ditadura militar: a obra de Antonio Manuel, Artur Barrio e Cildo Meireles
Roney Jesus Ribeiro, Almerinda da Silva Lopes
Martírio eternizado: Padre Jerzy Popielusko e Gabriel Maire, Histórias de resistência e os monumentos na Arte pública
Giuliano de Miranda, Fabíola Fraga Nunes, José Cirillo
Mesa 04. 9h–10h30. Poéticas, curadorias e práticas artísticas contemporâneas
A Suspensão do Rosto e a Produção de Subjetividade Dissidente: processo de criação da Máscara de Cabelo
Samylla Oliveira Mendes
Argila, modelagem e experiência
Cláudia Maria França Da Silva, Greicy Kelly Teixeira dos Santos
Repetir, variar, persistir: gesto e memória nas práticas manuais
Iasmim Dala Bernardina Rodrigues
Mesa 05. 11h–12h30. História e historiografia das artes
A expressividade simbólica da materialidade no processo criativo do Monumento das Braúnas de Rosana Paste
Romelho de Paulo Entringer Contreiro, José Cirillo
Poéticas ecológicas na trajetória artística de Regina Vater
Emilly Cani Vitalino
Aspectos decoloniais na Revolta de Frans Krajcberg
Maria Marta Morra Tomé, Rosana Paste
Mesa 06. 11h–12h30. Poéticas, curadorias e práticas artísticas contemporâneas
Bárbara Carnielli e as ramificações do inconsciente - Uma análise da exposição Protegida pelo inconsciente (2025) no espaço cultural Casa Flor
Deborah Moreira de Oliveira
Corpo-celeste de Aline Motta, conhecimento nosso
Pedro Santos Pavioti Vicentin
Entre sintoma e inconsciente estético: a casa bordada em Fiar, de Rick Rodrigues
Michele Medina, Isabella Franco de Castro Lima
Simulacro e hibridismo nas fotografias de Lando
Ernandes Zanon Guimaraes, Angela Grando
Mesa 07. 11h–12h30. Poéticas, curadorias e práticas artísticas contemporâneas
Acervo digital e curadoria de Imensidão Íntima: Marcus Vinícius e seu legado artístico
Rafael Gonçalves Marotto
Curadorias contemporâneas: um estudo de caso sobre o Museu de Arte do Rio
Ludiane Reinholz Rodrigues
Rotas digitais de visitação em cemitérios monumentais: proposta interpretativa para o Cemitério de Santo Antônio
Isis Santana Rodrigues, Aparecido José Cirillo
Mesa 08. 11h–12h30. Poéticas, curadorias e práticas artísticas contemporâneas
Casa Museu Como Prática de Curadoria Contracolonial
Lucas Martins da Silva
Coletivos artísticos e culturais capixabas: cultura e democracia a partir de Marilena Chaui
Jaqueline Torquatro de Oliveira
Curadoria, territórios e ficções do mercado em Abençoado Seja
Vanessa Pereira Vassoler, Almerinda da Silva Lopes
Mesa 09. 14h–15h30. Poéticas, curadorias e práticas artísticas contemporâneas
Outros modos de desaguar
Inara Novaes Macedo
Poéticas contemporâneas com pigmentos naturais na América Latina
Taís Cabral Monteiro
Nosso barco tambor terra - Ernesto Neto
Dulcineia da Silva Fernandes
Caixa-corpo: a extensão da identidade para o objeto
Lorena Teixeira BragançaTítulo
Mesa 10. 14h–15h30. Poéticas, curadorias e práticas artísticas contemporâneas
Monumentalidade e Interstício; Puppy de Jeff Koons sob a lente da instalação e da estética relacional
Lohany Monteiro Soares Ferreira
A ideia de transcendência na arte contemporânea: estudo de casos; sobre o transcendental na exposição “Le Vide” de Yves Klein
Waldir de Mello Barreto Filho, Ana Carolina Baltazar Simor
A imagem como experiência: uma análise reflexiva do projeto curatorial da exposição Daido Moriyama: uma retrospectiva (IMS, 2022)
Simone Neiva
Mesa 11. 14h–15h30. Arte no espaço educativo: ensino e formação de professores de arte
Fazer arte: criando formas a partir das imagens de obras de Lygia Clark
Marilia Auxiliadora Silva Agnêr, Maria Angélica Vago Soares
Inteligência Artificial na Arte Educação: Diálogos e Possibilidades
Lucas Martins Ievenes
O professor bricoleur no ensino de arte contemporâneo
Dalila Evangelista Costa
Ritmo, caosmo e territorialização: artista-professor/a como prática de criação
Paola Tamara Videa Aramayo
Mesa 12. 14h–15h30. Arte no espaço educativo: ensino e formação de professores de arte
Poéticas da escuta: arte sonora, educação estética e a revelação do invisível no cotidiano
Eloiza Comério, Alexandre Siqueira de Freitas
Entre a voz e a imagem: a mediação de livros ilustrados e seus possíveis caminhos para práticas artístico-pedagógicas e o partilhar ecocrítico na infância
Leticia Lidia Voltolini, Anelise Zimmermann
Para todos os sentidos: propostas de mediação inclusivas desenvolvidas em instituições culturais brasileiras
Rosely Kumm
O varal de lama e prosa: a poética do chão da escola
Sarah Rodrigues Damiani, Stela Maris Sanmartin
Mesa 13. 16h–17h30. Arte no espaço educativo: ensino e formação de professores de arte
O livro ilustrado como mini galeria de arte: experiência curatorial na produção da literatura infantil e infantojuvenil
Luciano Tasso
Entre muros e vozes: arte urbana, Basquiat e a produção do pensamento crítico no ensino fundamental
Laura Fabia Caetano Moronari, Dulcemar da Penha Pereira Uliana
Arte Contemporânea, Infâncias e a construção da identidade das crianças negras
Margarete Sacht Góes, Vitória Souza Ramos
Letramento étnico-racial cigano: prática antirracista na educação
Deborah Nicchio Sathler
Mesa 14. 16h–17h30. Teorias, performance e ensino musical
O Ma como poética da ausência: silêncio e composição na música eletrônica
André Akira
Lite coding: uma perspectiva ubimus para o desenvolvimento criativo do pensamento computacional na música
Narrativa e banco de dados no I-Doc “Projeto Quipu”
Rodrigo Hipólito, Alana de Oliveira
Mesa 18. 14h–15h30. Interartes e novas mídias
Ecologias da escuta interativa: Jogo multissensorial para educação sonora em TV Digital Interativa
Enyo Soares Pereira, Leandro Lesqueves Costalonga
Jogos eletrônicos na Educação Musical Infantil: reflexões sobre paisagens sonoras na contemporaneidade digital
Lara da Silva Fanticelli
Potencialidades dos Jogos Digitais no Ensino de Artes: Gris como Ferramenta Arte-Educativa
Catarina Lempé Santolim, David Ruiz Torres
Modelagem e Impressão 3D: Desdobramentos Históricos e Desafios Contemporâneos
João Victor Silva Fernandes
Mesa 19. 14h–15h30. Interartes e novas mídias
“A Carta de Verdelis”: o caminho da artista entre a cerâmica e a inteligência artificial na criação de ilustrações para a literatura infantil”
Maria Clara Marins Rampinelli
A paisagem sem referente: inteligência artificial e a crise da representação na expografia contemporânea
Sandra Regina Bastos, Paulo Henrique Oliveira
Inteligência Artificial Generativa (IAG) como megamáquina e suas implicações estéticas e sociotécnicas na arte contemporânea
Natacha de Souza, David Ruiz Torres
Mesa 20. 16h–17h30. Interartes e novas mídias
A figura do Pierrot na poética do multiartista Heitor dos Prazeres: uma análise interartística a partir das obras Pierrô e os foliões (1963) e Pierrot apaixonado
Geraldo Henrique Tadeu Santos Teixeira
A roda de samba como ecologia do agora
Gabriel Santos Bruno
Processos criativos e regimes da cor: estética das identidades na adaptação de O Cortiço (1978)
Leonardo Borges Lelé, Stela Maris Sanmartim
Mesa 21. 16h–17h30. Interartes e novas mídias
A construção coletiva e criativa do Museu da Gente Sergipana
Alice Dellabianca Brambati, Stela Maris Sanmartin
Teatro e mediação cultural em museus: formação de espectadores entre escola, patrimônio e cidade
Joel Aroldo Pereira
Percepções temporais do Muralismo na prática artística
Bruno Bissoli Pimenta
Realidade aumentada e ecologias urbanas: arte, curadoria e mediação no espaço expandido Gheisla Cordeiro Soares, Elvys Souza Chaves
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