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O Núcleo DOCOMOMO São Paulo anuncia a chamada de trabalhos para o 10º Seminário DOCOMOMO São Paulo, dedicado à reflexão sobre a arquitetura e o urbanismo modernos, as disputas contemporâneas e os desafios técnicos, políticos e éticos que atravessam sua preservação, seus processos de reconhecimento, sua caracterização patrimonial e seus significados no contexto urbano e cultural contemporâneo.
O Seminário propõe discutir as tensões impostas pelos processos de privatização e mercantilização do espaço urbano frente à preservação de conjuntos urbanos, paisagens culturais e edificações de reconhecido valor histórico, arquitetônico e cultural. Nesse cenário, destacam-se as ações de ativismo urbano e a atuação de coletivos e movimentos sociais, que têm desempenhado papel relevante na defesa do patrimônio moderno e na resistência a processos de flexibilização das políticas de preservação. Tais iniciativas evidenciam a importância da participação social e da construção coletiva de estratégias de salvaguarda, ampliando o debate patrimonial para além das esferas institucionais tradicionais.
As entidades representativas do campo da Arquitetura e Urbanismo ocupam posição estratégica nesse contexto de disputas. Sua atuação compreende a produção, sistematização e difusão de conhecimento técnico e científico, e a incidência qualificada nos processos políticos que orientam as políticas de preservação. A formulação de diretrizes, a elaboração de normativas técnicas e o posicionamento institucional frente a transformações urbanas em curso exigem compromisso efetivo com o interesse público, e com a defesa do patrimônio cultural como direito coletivo e à cidade. A articulação entre conselhos profissionais, universidades, centros de documentação, entidades de pesquisa e órgãos de preservação constitui condição indispensável para a consolidação de práticas críticas, interdisciplinares e mais consistentes no campo da conservação da arquitetura moderna.
A preservação ativa da arquitetura e do urbanismo modernos demanda o enfrentamento de questões que extrapolam o reconhecimento formal dos bens culturais. O tombamento configura importante instrumento de proteção, mas não esgota os mecanismos de salvaguarda disponíveis. A gestão pós-tombamento, a manutenção cotidiana, a adaptação de usos e as pressões decorrentes da dinâmica imobiliária e do mercado evidenciam as potencialidades dos instrumentos de preservação (razão pela qual são frequentemente tensionados), e também suas limitações operacionais e fragilidades institucionais, especialmente no que se refere à efetividade de sua aplicação e à garantia da integridade material dos bens protegidos. Intervir sobre esse patrimônio implica discutir critérios, métodos e responsabilidades, situando o debate entre princípios éticos, exigências técnicas, condicionantes econômicas e as relações de poder inerentes aos campos da memória e da cultura. Nesse contexto, a cidade deve ser compreendida como suporte físico, território de disputa, negociação e conflito.
A documentação arquitetônica e urbanística custodiada em acervos públicos e privados constitui importante suporte material e intelectual às práticas de preservação, e à produção de conhecimento sobre o patrimônio moderno. Inventários, registros técnicos, arquivos de projeto, coleções documentais e processos de digitalização subsidiam a pesquisa acadêmica, orientam intervenções técnicas e ampliam o acesso público à informação. Em um cenário no qual a permanência desses acervos no país, sua institucionalização e sua disponibilização pública ainda permanecem como questões sensíveis, especialmente diante de sua crescente valorização nos circuitos culturais e de sua circulação em escala internacional, tornam-se centrais as reflexões sobre sua constituição, financiamento, preservação e difusão no âmbito das políticas de patrimônio cultural.
EIXOS TEMÁTICOS
Eixo 1 — Políticas de preservação e disputas contemporâneas em torno do patrimônio moderno
Abrange estudos sobre os instrumentos jurídicos, normativos e administrativos voltados à preservação da arquitetura e do urbanismo modernos, incluindo tombamentos, inventários, áreas envoltórias, planos de gestão e demais mecanismos de proteção. Contempla análises críticas sobre políticas públicas de preservação, revisões normativas, conflitos institucionais e disputas entre o interesse público e privado, bem como sobre os impactos das dinâmicas imobiliárias e econômicas nos processos de tutela do patrimônio moderno.
Eixo 2 — Ética, teoria e deontologia da conservação da arquitetura e da cidade modernas
Reúne trabalhos dedicados aos fundamentos teóricos, técnicos, éticos e metodológicos da conservação da arquitetura e do urbanismo modernos, considerando as especificidades materiais, técnicas e simbólicas. Inclui discussões sobre autenticidade, integridade, critérios de intervenção, materialidade e conservação de bens modernos, bem como reflexões sobre “destombamentos”, descaracterizações, flexibilização de áreas de proteção e demais práticas que tensionam os princípios éticos e técnicos da preservação patrimonial.
Eixo 3 — Arquitetura e urbanismo modernos e transformação da cidade contemporânea
Compreende pesquisas sobre o papel da arquitetura e do urbanismo modernos na conformação da cidade contemporânea, seus processos de permanência, transformação, descaracterização e demolição. Abrange estudos sobre bairros, conjuntos urbanos, paisagens e espaços públicos modernos, suas formas de apropriação e uso, bem como os impactos da legislação urbanística e das dinâmicas territoriais na preservação ou destruição do legado moderno.
Eixo 4 - Ativismo urbano, participação social e memória coletiva na preservação do movimento moderno
Destina-se a trabalhos que analisem a atuação de coletivos, movimentos sociais, associações civis e demais agentes da sociedade na defesa e valorização do patrimônio moderno. Inclui discussões sobre participação social, disputas de memória, construção de narrativas patrimoniais, conflitos entre diferentes visões sobre a cidade e mobilizações sociais em torno da preservação da arquitetura e do urbanismo modernos.
CHAMADA DE TRABALHOS
A Comissão Organizadora do 10º Seminário DOCOMOMO São Paulo torna pública a abertura da chamada de trabalhos para submissão de artigos científicos originais e inéditos, vinculados ao escopo temático e aos eixos de discussão do evento.
Os trabalhos submetidos devem ser inéditos, serão avaliados por um Comitê Científico especializado, mediante processo de parecer técnico, observados critérios de pertinência temática, consistência teórico-metodológica, originalidade analítica, rigor acadêmico e efetiva contribuição ao debate contemporâneo no campo da preservação, documentação e interpretação da arquitetura e do urbanismo modernos.