Nos dias 10 e 11 de dezembro, o Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM) recebe o 1º Seminário “(Re)pensando os olhares sobre o que é nosso”, um encontro dedicado ao debate sobre patrimônio cultural em suas múltiplas camadas e permanências.
A partir de reivindicações sociais, revisões teóricas e disputas por reconhecimento das comunidades detentoras, a noção de patrimônio cultural vem sendo ressignificada nos últimos anos. Não se trata de uma transformação linear ou unívoca, mas de um percurso marcado por tensões entre permanências e rupturas, no qual se questionam tradições preservacionistas centradas na materialidade e nas narrativas oficiais. Impulsionado por disputas de memória, demandas históricas e debates acadêmicos que interrogam as fronteiras da patrimonialização, esse movimento evidencia que o patrimônio não é dado, mas construído socialmente, atravessado por silenciamentos, confrontos simbólicos e práticas cotidianas que lhe conferem sentido.
É nesse horizonte de revisão que se insere o 1º Seminário “(Re)pensando os olhares sobre o que é nosso”, fruto da parceria entre a Funalfa, Fundação Mariano Procópio, Museu de Arte Murilo Mendes e Centro de Conservação da Memória, sendo as duas instituições da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A aproximação entre poder público e universidade reafirma o compromisso com políticas públicas construídas de forma coletiva, apoiadas na pesquisa, na escuta e no diálogo com a sociedade. A programação do seminário integra também a solenidade de entrega do 20º Prêmio Amigo do Patrimônio, iniciativa que reconhece cidadãos, instituições e ações fundamentais para a preservação e valorização do patrimônio cultural no município.
O seminário propõe repensar as formas pelas quais reconhecemos, valorizamos e preservamos nossas memórias coletivas, das práticas e saberes às festas, ofícios, museus e espaços simbólicos. As discussões apontam temas urgentes para o município, como a centralidade da imaterialidade na educação patrimonial, as invisibilizações históricas de patrimônios indígenas e afro-brasileiros, o papel social dos museus e os impactos das mudanças climáticas sobre bens culturais.
O evento se constitui como espaço voltado a ampliar o debate público e fomentar novos olhares, metodologias e práticas de salvaguarda que incluam as múltiplas identidades da cidade e articulem estratégias para enfrentar desafios, afirmando a importância de compreender o patrimônio como processo vivo, capaz de fortalecer pertencimentos e orientar ações para o futuro de Juiz de Fora.
Ana Maria Werneck (Mapro)
Arthur Nazario Moreira (UFJF)
Carine Silva Muguet (Dempac/Funalfa)
Carolina Martins Saporetti (Cecom/UFJF)
Dalila Varela Singulane (PPGH/UFJF)
Giovana Martins Brito (PPGH/ UFJF)
Inácio Botto (Mapro)
Isabela Ferreira Oliveira (UFJF)
Marcos Olender (Cecom/UFJF)
Mariana Cunha de Faria (Cecom/UFJF)
Flaviana Lopes Ribeiro de Oliveira (PPGH/UFJF)
Lara Ferreira de Oliveira (UFJF)
Letícia Rebelo dos Santos
Maciel Antonio Silveira Fonseca (OAB/Comppac)
Renata Nogueira Gomes de Morais (Dempac/Funalfa)