A religião tem se revelado um campo de práticas sociais muito mais resiliência, plástico e desafiador do que esperavam as ciências sociais, quer em termos de narrativas teóricas clássicas ou de abordagens mais contemporâneas. No contexto brasileiro, não só a mudança religiosa aponta para uma demografia que acentua a pluralização (dessincretizacão afro-brasileira, emergência evangélica, força do movimento carismático católico, crescimento dos sem-religião como desabilitados, etc), mas também para uma ampliação da chamada "presença pública da religião". Houve uma ampla difusão cultural de temas, linguagens e ativismos de base religiosa, acionados em termos de autoiniciativa e/ou provocados por ações de outros atores (religiosos ou não). Isso tem suscitado uma proliferação de debates, públicos e acadêmicos, sobre a religião e seu impacto. Prevalecem ainda representações convencionais da religião como fenômeno separado da dinâmica social abrangente, produtor de identidades distintivas (por vezes pensadas como separadas de outras formas de identificação) e quase sempre conservador ou mesmo reacionário em suas expressões. A oposição entre uma sociedade plural e uma religião resistente a "encontrar seu lugar", numa ótica multicultural da continuidade das identidades e práticas, anima discursos críticos dessa disseminação e ativismo religiosos, na sociedade, na cultura e na política.
Talvez seja hora de revisitar debates, conceitos e abordagens, no sentido de apurar os sentidos e a análise do que se passa hoje em relação ou em nome da religião. 1º Seminário do Laberp se propõe a ser um espaço de reflexão, diversificado em seu formato e diverso em suas perspectivas e temas ou lugares de observação do que acontece com(o) a religião.
O Laboratório de Estudos de Religião e Política (Fundaj/UFPE), em parceria com o Observatório de Cultura, Religiosidades e Emoções (UFPE) e do Grupo de Pesquisa Discurso, Subjetividade e Educação (UFPE), promove este evento híbrido, entre 10 e 12 de abril de 2024.

