A 1ª Jornada Científica Internacional de Serviço Social da UFT "Amazônia, capital e resistência: diversidade social e cultural, questão ambiental e políticas sociais públicas" propõe um espaço de debate crítico e internacional sobre os desafios colocados pelo avanço do capital na Amazônia e seus rebatimentos nas políticas sociais e no trabalho profissional.
Este evento que vem comemorar os 18
anos do Grupo de Estudo e Pesquisa sobre Serviço Social, Formação e Exercício
Profissional (GEPESSFEP) que nos convida a refletir sobre os impactos do
capital na Amazônia, a urgência da resistência coletiva, a defesa da
diversidade, a questão ambiental e a garantia de políticas públicas e sociais
junto ao Serviço Social e áreas afins.
Ressalta-se que o GEPESSFEP,
criado em 2008 é um grupo de estudo e pesquisa vinculado à UFT atua na
articulação entre ensino, pesquisa e extensão, com foco na formação e exercício
profissional do (a) assistente social. Este grupo ainda busca ainda fortalecer
a Formação e o Exercício profissional pautados no Projeto Ético Político do
Serviço Social e articulados nas dimensões Teórico-Metodológica;
Ético-Política; Técnico-Operativa; Formativa e Investigativa.
O grupo liderado pelas
docentes da UFT, Dra. Célia Maria
Grandini Albiero e Dra. Giselli de
Almeida Tamarozzi, objetiva: a) Articular a formação e o exercício profissional
do Assistente Social para fortalecimento do projeto ético político do Serviço
Social através de produções científicas; b) Viabilizar o desenvolvimento de
pesquisas para o aprimoramento do debate sobre o Serviço Social no âmbito da
formação e do exercício profissional diante da direção social estratégica e
hegemônica da profissão; c-) Desenvolver projetos de extensão através das
demandas sociais oriundas de estudos e pesquisas junto a realidade social dos
municípios do entorno de Miracema do Tocantins.
Acrescenta-se que o GEPESSFEP,
tem um papel importante no Serviço Social da UFT nesses 18 anos através da
Graduação e da Pós-Graduação (Mestrado em Serviço Social), contribuindo com o
desenvolvimento da área e de áreas afins no estado do Tocantins e região Norte,
bem como no fortalecimento das políticas públicas e sociais em busca constante
de uma direção social e política crítica.
Assim, para dar vazão a sua
proposta o grupo possui 4 linhas de pesquisa que evolvem: 1. Estágio e supervisão - O
estágio e a supervisão no processo de formação profissional do Assistente
Social. A supervisão como atribuição no exercício profissional do
Assistente Social. A realidade do estágio e da supervisão (acadêmica e de
campo) na formação e exercício profissional. 2. Formação Profissional em Serviço Social –
A formação profissional do assistente social na contemporaneidade. Os
desafios do processo de formação profissional. O perfil do profissional exigido
pela contemporaneidade. O projeto de formação profissional e as diretrizes
curriculares da ABEPSS. 3.
Questão Social e Serviço Social - A Questão Social enquanto
"matéria prima" do espaço profissional do Serviço Social na divisão
social e técnica do trabalho e enquanto área de construção de conhecimento. As
expressões e manifestações da questão social pautadas na desigualdade social
que envolve o processo de produção e reprodução social da vida. 4. Trabalho
e espaços sócio ocupacionais - O trabalho enquanto categoria central na
vida do homem. Os espaços sócio ocupacionais do Assistente Social junto às
políticas públicas e direitos sociais. A articulação das dimensões da profissão
teórico-metodológica, ético-política, técnico-operativa, investigativa e
formativa nos espaços sócio ocupacionais. A interprofissionalidade e a
intersetorialidade nas políticas sociais públicas.
Diante do exposto, é com
profundo compromisso ético-político que essa 1ª Jornada Científica
Internacional de Serviço Social da UFT busca através deste evento se
consolidar como um espaço vital de resistência acadêmica e social a partir do
Tocantins.
A centralidade dos nossos
debates gravita em torno da tríade Amazônia, capital e resistência. Sob
a égide do modo de produção capitalista, a Amazônia Legal converteu-se em uma
das fronteiras mais violentas de acumulação por espoliação. Testemunhamos a
voracidade do agronegócio e dos megaprojetos de infraestrutura que
mercantilizam a terra, a água e os bens comuns. Esse processo agrava as
expressões da questão social, objeto do exercício profissional do assistente
social. Ele atinge diretamente a diversidade social e cultural de povos
indígenas, quilombolas, ribeirinhos, e comunidades tradicionais.
Neste cenário, a questão
ambiental não é um debate ecológico abstrato. Ela é uma expressão
indissociável da contradição capital-trabalho. A injustiça ambiental penaliza
as populações historicamente subalternizadas, expropriando seus territórios e
modos de vida. A resposta a essa crise civilizatória exige o fortalecimento de políticas
sociais públicas robustas e universais. Elas devem rechaçar a lógica da
focalização e do desmonte estatal.
Para o Serviço Social, este
encontro internacional é uma convocação à práxis. As mesas de trabalho devem
produzir conhecimento crítico, desmascarar as investidas do capital e articular
a pesquisa acadêmica às lutas dos movimentos sociais. Que as nossas produções
científicas sejam instrumentos teóricos de emancipação e de defesa
intransigente da vida e dos direitos humanos e sociais.
A programação articula conferências, mesas e relatos de experiências em perspectiva Brasil, Portugal, Angola e Colômbia, reafirmando a lusofonia e a cooperação internacional como estratégias de resistência.